Em entrevista, o fundador da CiiTECH, Clifton Flack, fala das pesquisas feitas pela empresa em conjunto com a Universidade Hebraica de Jerusalém e da PROVACAN, que chega ao Brasil pela OnixCann.

Redação Cannabis & Saúde – matéria previamente postada em https://www.cannabisesaude.com.br/clifton-flack-cannabis-obesidade-diabetes/

O britânico Clifton Flack entrou no mercado de Cannabis em 2014, trazendo consigo 25 anos de experiência em marketing corporativo e para consumidores. Flack ajudou a criar a CannaTech, a Conferência Internacional sobre inovação e investimento em Cannabis medicinal. Em 2017, Flack observou os desafios regulatórios do mercado e decidiu fundar sua segunda empresa de Cannabis, a CiiTECH, com foco na indústria de CBD regulada por suplementos alimentares no Reino Unido.

Cannabis & Saúde: Fale da sua carreira e sua trajetória até fundar a CiiTECH.

Clifton Flack: Antes da CiiTECH, fui co-fundador da CannaTech / Israel-Cannabis, que é um dos líderes em eventos de Cannabis medicinal e ecossistemas em inovação. Tendo sido empreendedor por um longo período, sabia que era importante ser parte de um movimento na direção de uma indústria propriamente regulamentada. Antes da Cannabis, eu passei alguns anos na McCann Erickson, uma agência de publicidade mundial, gerenciando algumas das marcas internacionais mais importantes. Direcionar a carreira para o mercado da Cannabis medicinal me permitiu o benefício de entender o processo de construir produtos de qualidade com o suporte de uma marca que os consumidores e pacientes podem confiar.

C&S: O que é a CiiTECH e o que a empresa oferece?

CF: A CiiTECH nasceu da necessidade de acelerar o acesso aos canabinóides. Em muitos países, o Brasil incluso, o governo foi lento ao estabelecer reformas e permitir que indústrias se desenvolvessem e crescessem. Quem perdeu foram os pacientes e pessoas de todas as idades para as quais o acesso à Cannabis foi muito restrito.

A CiiTECH foi criada há três anos para atender pacientes que precisavam de Cannabis não psicoativa. A lógica foi a de que nem todas as indicações precisam de THC, porque a verdade é que, na época, o THC estava impedindo um maior acesso regulamentado. Nossa missão primordial nas nossas atividades é o entendimento continuado e revelador do potencial dos tratamentos canabinóides, que é o que permeia nosso comprometimento ao investimento em pesquisas clínicas. 

Nós criamos o Provacan para ser o primeiro produto de CBD derivado do cânhamo, pronto para ser comercializado como um remédio de Cannabis medicinal em alguns lugares. 

C&S: Os produtos Provacan são importados no Brasil pela CanTera. Quais são os principais benefícios e diferenciais dos produtos?

CF: Todos os produtos foram pensados para os usuários. Nós temos acesso aos melhores cientistas do mundo, e profissionais médicos em Israel que trabalham em parceria conosco para criar produtos confiáveis e eficazes. Todos os produtos Provacan disponíveis no Brasil têm sido usado por consumidores no Reino Unido por três anos. Nossos clientes são fiéis e nos dão o feedback de como podemos melhorar nossos produtos em termos de formulação e de marca para assegurar o sucesso no uso.

Parceria com os melhores especialistas

C&S: Como é a parceria com a Hebrew University of Jerusalem e qual é o foco? 

CF: Em 2017, começamos a busca por um parceiro em Israel. Selecionamos a Hebrew University por vários motivos. Primeiro por ser a casa do professor Mechoulan e, subsequentemente, ter a maior quantidade de experts em Cannabis medicinal numa única instituição.  A universidade acabou de lançar o Multidisciplinary Center on Cannabinoid Research (Centro Multidisciplinar em Pesquisa Canabinóide), que a CiiTECH foi uma das primeiras empresas a apoiar. Um dos principais objetivos é fomentar colaborações entre os laboratórios participantes e vários outros grupos estabelecidos pelo mundo que estejam conduzindo pesquisas com canabinóides, endocanabinóides e Cannabis medicinal.

C&S: A CiiTECH tem duas linhas de pesquisas com a Hebrew University of Jerusalem. Por favor, fale sobre o Projeto 1.

CF: Cannabis R&D Project 1 – um estudo para identificar o possível efeito inibidor de um derivado do CBD em inflamações do trato respiratório / asma.

Nós começamos este estudo com o professor Mechoulam e professor Levi-Shaffer para investigar o potencial uso do CBD para tratar asma e outras COPD (grupo de doenças pulmonares que bloqueiam o uso do ar e dificultam a respiração). O interesse era o uso do composto sintético ácido éster metil canabidiólico criado pelo professor Mechoulan. Esse empolgante composto é difícil de isolar e trabalhar nos estudos botânicos, e tem potencial de entregar resultados interessantes.

C&S: Por favor fale sobre o segundo projeto.

CF: CANNABIS R&D PROJECT 2 – um estudo do efeito terapêutico do CBD para obesidade induzida pela NAFLD (gordura no fígado não alcoólico).

Liderado pelo Dr. Yossi Tam, chefe do Obesity and Metabolism no Hadassah Hospital em Jerusalém, este estudo feito com dois canabinóides isolados revelou os mecanismos genéticos de como o corpo humano absorve e processa gordura. Obesidade e diabetes matam milhões todos os anos com quase nenhum tratamento efetivo. Nós acreditamos que nesse estudo, tivemos uma revelação tecnológica que tem potencial para tratar as doenças que mais matam, a obesidade e o diabetes tipo 2.

C&S: O quão importante é a Cannabis para os tratamentos de doenças? E para quais?

CF: Potencialmente, a Cannabis pode abrir uma vasta gama de tratamentos efetivos para algumas das doenças mais prevalentes. Entretanto, há muito trabalho a ser feito para provar a segurança e eficácia. Agindo junto ao sistema endocanabinóide, a Cannabis tem potencial de garantir biodisponibilidade em quase qualquer e toda parte do corpo humano, física e psicologicamente.

Hoje nós vemos três caminhos para o acesso às terapias canabinóides. O primeiro é farmacêutico (Epidiolex, Sativex, Marinol), um longo e caro processo com muitas limitações na prescrição, variação na formulação e acesso fácil aos pacientes. O segundo, onde produtos onde a Cannabis medicinal natural, produzida sob condições GMP (Good Manufacturing Practices ou Boas Práticas de Manufatura) podem ser inclusas ou agregadas aos sistemas de saúde. A terceira são suplementos alimentares e cosméticos, onde produtos de consumo com baixos teores de Cannabis podem ser vendidos sem riscos para a saúde. 

Entre esses três caminhos, eu acredito que o futuro da Cannabis como terapia será difundido, regulado e acessível a todos. 

Cannabis no Brasil

C&S: O que o senhor acredita que o Brasil deveria fazer em termos de legislação para ter um mercado similar ao europeu, em particular o Reino Unido?

CF: Eu acredito que o passo sensível é seguir um dos 3 caminhos que mencionei. Cannabis farmacêutica: bem estabelecida mas limitada por orçamento e tempo de chegada ao mercado.

Cannabis terapêutica: prescrita por médicos sob uso compassivo e sanitário. Permitindo a supervisão de produtos não farmacêuticos pela indústria de cuidados pessoais.

Suplementos alimentares: baixas concentrações, não psicoativos e sem riscos para a saúde. Disponíveis em farmácias, lojas de produtos saudáveis, mercados e postos de gasolina.

C&S: Como o senhor vê o mercado brasileiro de Cannabis medicinal? Quais as nossas fortalezas e fraquezas?

CF: O Brasil tem uma oportunidade fantástica para se tornar o líder latino americano do setor. Adotando o uso compassivo, a Anvisa permitiu que seus profissionais médicos descubram, aprendam e se envolvam com a Cannabis de uma forma que seria impossível em outros países. O tamanho e a força do país permite que ele não só lidere em uso, mas mais importante, na produção local de uma grande variedade de produtos para a região.

C&S: Quais são os planos da CiiTECH para o futuro do segmento da Cannabis?  O que podemos esperar?

CF: Estamos sempre procurando melhorar a efetividade de nossos produtos e o tamanho do nosso alcance. Os canabinoides podem ser usado em tantos cenários, que hoje é nosso maior desafio não é a fórmula, mas o mecanismo de entrega para transportar o princípio ativo para o lugar de destino. Então, espere da CiiTECH mais em termos de equipamentos médicos e mecanismos de entrega inovadores. 

C&S: Na sua visão, qual foi a importância do Cannabis Medical Summit para o mercado de Cannabis medicinal no Brasil?

CF: Eu acredito que foi um dos mais importantes congressos da indústria. O programa de Cannabis medicinal brasileiro está expandindo num momento em que, por conta da Covi-19, o acesso dos pacientes a médicos foi severamente limitado, o que leva a um potencial efeito cascata em doenças no futuro.

Esse evento conectando médicos e pacientes via telemedicina traz importante inovação para o mundo da saúde. Tratar pacientes remotamente pode ser parte do novo normal, assim como este evento, e seu acontecimento pode ser crucial em garantir uma saúde positiva e bem estar do Brasil e seu povo. 

C&S: Que mensagem quer deixar para os mais de 22 mil inscritos no Medical Cannabis Summit?

CF: Seja forte, seja esperto. Por um número de anos, a Cannabis abriu os olhos de milhões de pessoas pelo mundo para o fato de que um novo modelo de saúde pode estar surgindo. Tanto para tratamentos como para prevenção, a Cannabis está mudando a vida das pessoas. Hoje, mais do que nunca, com a preocupação com a pandemia, nós precisamos colocar nossa saúde em primeiro lugar, da forma mais segura que pudermos. 

Espero que nossos produtos continuem a trazer alívio para nossos amigos no Brasil e, tanto eu quanto meu time estamos ansiosos para visitar seu país e aprender mais sobre sua incrível cultura e futuras necessidades em saúde.

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Nos Estados Unidos, pesquisadores investigaram produtos vendidos em lugares incomuns, como supermercados, postos de gasolina e lojas especializadas em Cannabis. Em todos eles, havia produtos com quantidade de CBD inferior ao indicado na embalagem

Danilo Lacalle 

Óleos de Cannabis são tão comuns em alguns estados americanos que até postos de gasolina e supermercados vendem os produtos. Uma pesquisa, no entanto, mostrou que a quantidade de Canabidiol indicada no rótulo nem sempre corresponde à realidade. Principalmente quando vendidas em lugares incomuns.

Mas, para piorar, nem mesmo as lojas especializadas em produtos de Cannabis passaram pelo teste de qualidade dos pesquisadores.

Ainda que por aqui ainda não seja tão fácil assim adquirir óleos – produtos à base de Cannabis podem ser vendidos apenas em farmácias -, o estudo serve de alerta aos brasileiros. É preciso sempre ficar de olho nos rótulos e nos fabricantes.

Fora do padrão

Para conduzir o estudo, os pesquisadores compraram 15 tipos de produtos com canabidiol de vários pontos, no sul da Flórida. A lista incluiu produtos tópicos (pomadas e cremes), comestíveis e bebidas com infusão, com diferentes preços.

E foram comprados em diferentes lugares: supermercados, lojas de Cannabis e postos de gasolina. Os produtos foram testados quanto ao conteúdo de CBD pela SC Labs, na Califórnia. E os resultados, comparados com a potência rotulada dos produtos.

Os produtos adquiridos em postos de gasolina norte-americanos apresentaram a maior variação entre a potência rotulada e os resultados do laboratório. Isso porque forneceram apenas 40% do CBD listado na embalagem. 60% dos itens comprados nesses postos não tinham CBD.

A potência dos itens comprados nas lojas de CBD também ficou aquém do conteúdo anunciado de canabidiol, com apenas 83%, em média, do CBD indicado no rótulo.

Os produtos comprados em supermercados eram consistentemente mais potentes do que os comprados em postos de gasolina e varejistas específicos para CBD. Na verdade, eles eram mais potentes do que o anunciado, fornecendo 136% da quantidade rotulada de CBD, em média.

Os pesquisadores também observaram tendências na variação de potência do CBD relacionadas ao tipo de produto e preço. Os tópicos foram os mais confiáveis, com 40% da potência anunciada, 40% contendo mais CBD do que o indicado e 20% com menos.

Três quartos dos produtos comestíveis tinham menos CBD do que o que fora rotulado. E o restante, era mais potente do que o anunciado. As bebidas infundidas com CBD foram as menos confiáveis: com 75% sem CBD e os 25% restantes mostrando menos do que a quantidade indicada, em testes de laboratório.

Análise de canabidiol por preço

Por preço, os produtos que 5 dólares ou menos, ficaram aquém do confiável, com metade contendo CBD não detectável e o restante contendo menos do que o anunciado.

Metade dos produtos na faixa de 10 a 15 dólares, continham menos CBD do que o anunciado. Um quarto possuía mais canabidiol do que o indicado e os 25% restantes eram como anunciados, definidos como contendo de 90% a 110% da quantidade rotulada de CBD.

Dos produtos que custavam 20 dólares ou mais, analisados pela pesquisa,  40% tiveram menos CBD do que o valor rotulado, outros 40% tiveram mais e 20% estavam de acordo com a embalagem.

A importância de pesquisar

Embora o tamanho da amostra tenha sido pequena, o estudo do CBD Awareness Project traz uma luz sobre a variação que pode existir entre o conteúdo de CBD de um produto e sua potência anunciada. Para aproveitar ao máximo sua compra, a Meadows sugere que os consumidores levem em conta que tipo de produto estão comprando e de quem o estão comprando.

“Deve-se pesquisar as marcas e tentar comprar CBD de uma fonte respeitável”, disse ele. “Como regra geral, não compre CBD em um posto de gasolina ou de lugares pouco confiávis, se estiver realmente procurando os benefícios de saúde do CBD.”