Ainda que existam riscos de acabar preso ou processado, em casos como fins medicinais as chances podem ser mais remotas. Uma decisão do STF ampliou a visão de que a importação de sementes não se enquadra como crime. Ainda assim os riscos existem.

 Marcus Bruno 

Patrícia Scheffer Schlumberger comprou 26 sementes de Cannabis, diretamente da Holanda. A encomenda acabou na Justiça. O Ministério Público entrou com uma denúncia por tráfico de drogas, uma vez que a mulher importou “através de remessa postal internacional, sem autorização legal ou regulamentar, matéria-prima destinada à preparação de drogas”.

Daí em diante, a denúncia andou pelos tribunais. O Na 7ª Vara Criminal de São Paulo, o juiz rejeitou a acusação. Ele classificou como “atípica a importação de sementes”.

“Isso quer dizer que a lei não prevê isso como crime, importar para consumo pessoal”, explica o advogado Rodrigo
Mesquita. Como as sementes não possuem THC, a substância psicoativa da planta, não se enquadra como droga – logo, não faria sentido processá-la por tráfico.

De lá, na segunda instância, o caso passou para o Tribunal Regional Federal da 3 ª Região (TRF-3), que o reavaliou – e, dessa vez, a denúncia foi aceita. Patricia recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça, que seguiu a decisão da turma do TRF-3, e manteve a ação contra ela.

Com mais um pedido de análise, os advogados entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal. Dessa vez, o caso ganhou repercussão nacional, em maio de 2019, ao ter a acusação rejeitada pelos ministros do STF. A conclusão era a mesma daquela tomada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo: “a mera importação e/ou a simples posse da semente de Cannabis sativa não se qualifica como fatores revestidos de tipicidade penal, essencialmente porque, não contendo as sementes o princípio ativo do tetrahidrocanabinol (THC), não se revelam aptas a produzir dependência física e/ou psíquica, o que as torna inócuas, não constituindo, por isso mesmo, elementos caracterizadores de matéria-prima para a produção de drogas.”

E agora? É possível afirmar que há uma brecha para importação de sementes? Não exatamente.

“Decisões como essa servem apenas como orientação para as autoridades, não são vinculantes. Para chegar a isso, deveria passar por um processo de consolidação da tese de súmulas vinculantes”, explica Mesquisa.

“Ou seja, se algum policial entender que aquilo é crime, ele pode abrir inquérito e o Ministério Público oferecer uma denúncia, como tráfico internacional ou contrabando”, diz o advogado.

Ainda que existam riscos de acabar preso ou processado, em casos como esse, as chances parecem mais remotas. A decisão do STF ampliou a visão de que a importação de sementes não se enquadra como crime. Ainda assim os riscos existem.

“Dentro deste quadro, não recomendo a ninguém que importe. Se o fizer que faça ciente de que há um risco”, defende Mesquisa.

“Em situações como tratamento médico fica muito mais fácil de se explicar, mas ainda assim é arriscado”, conclui.

Cheia de propriedades anti-inflamatórias, a Cannabis pode auxiliar no aumento da imunidade. Mas é falsa a informação que ela combate o Coronavírus e, para evitar a doença, as já conhecidas medidas de prevenção devem ser seguidas

Danilo Lacalle 

No cenário atual, onde a ciência corre contra o tempo para conseguir achar uma solução que pare a pandemia do Coronavírus, a população tem buscado a prevenção e o aumento de imunidade. E, para isso, não faltam alternativas. Fontes de vitamina C estão sendo as mais procuradas. Mas uma questão tem sido levantada: o CBD e a Cannabis medicinal podem afetar a contração ou a recuperação do Covid-19? Além disso, existe possibilidade de que anti-inflamatórios tenham efeito positivo no combate, lembrando que o CBD também é um anti-inflamatório?

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Nos hospitais, a recomendação médica tem sido manter o acetaminofeno para a febre. Evitando os Anti-Inflamatórios sem esteroides, como o Ibuprofeno. Mas a questão em relação à efetividade da cannabis no combate ao coronavírus se deu graças às redes sociais.

No Facebook, muitos defensores da CBD e da cannabis estão alegando que eles aumentaram sua imunidade com sucesso contra todos os vírus. Além disso, estão recomendando que outras pessoas façam o mesmo. Fato que deixa a comunidade médica preocupada quanto à veracidade de afirmações e a disseminação de fake news que ocorrem nestes períodos de notícias cruzadas. Isso porque a intenção é que as pessoas se informem ao máximo, protegendo a própria saúde e a dos demais entes queridos.

Hoje, temos evidências de que a Cannabis pode melhorar o sistema imunológico. Doenças como fibromialgiaepilepsia, e até mesmo dores causadas por inflamações podem se enquadrar em um tratamento medicinal com a planta. Existem, inclusive, alguns estudos sobre o uso de cannabis medicinal e uso de cannabis defumado com a progressão do HIV.  Porém, quanto ao CBD e à cannabis, não existem estudos mostrando sua efetividade perante ao coronavírus.

Mesmo aumentando o sistema imunológico, isso não signfica que quem usa a cannabis esteja imune à infeção. Mas também não significa que uma pessoa que contraia o vírus e tenha falta de ar, não possa se beneficiar do uso da medicação para aliviar os sintomas. Apesar que, ao apresentar sintomas mais graves, a pesosoa deve ser levada a um hospital, onde não deve ser administrado o uso de cannabis. A não ser, claro, que já faça uso regular do medicamento e os médicos concordem em manter esse tratamento. É o que explica a médica Ane Hounie, pós-doutora em Psiquiatria pela USP e que hoje é uma das principais especialistas em Cannabis medicinal no Brasil.

Quando as pessoas disseminam a notícia de uma “cura milagrosa”, é preciso ter em mente que este fato, mesmo que bem intencionado, pode prejudicar a indústria. Isso porque as pessoas podem passar a buscar o medicamento como uma solução 100% eficaz e, assim, estarem suscetíveis a golpes.

Esse efeito pode distanciar a medicina e os pesquisadores mais “convencionais, prejudicando o progresso que a medicina vegetal fez nos últimos anos. Estes, por meio de pesquisas e projetos acadêmicos, em parceria com grandes universidades.

A cannabis e o auxílio ao sistema imunológico

Como já se sabe, o grupo de risco dos infectados pelo Covid-19 é bem claro: pessoas maiores de 60 anos. Além disso, enquadram-se, também, os que têm doenças autoimunes, pulmonares, pacientes oncológicos e quem tem problemas com imunidade, em geral.

Primeiro, é importante que se evite o consumo de álcool, fator que influencia na queda da imunidade. Além disso, permanecer ativo enquanto ficamos em casa e adotar uma simples prática de relaxamento ou meditação, para diminuir o estresse, também é uma boa medida.

Comer uma dieta rica em micronutrientes como zinco, vitamina C, flavonóides como a quercetina (presentes nas maçãs e brócolis e…cannabis),  são coisas boas para começar agora, se você ainda não fez.

Além disso, é ideal que nossa melatonina esteja alta. Este é o hormônio do sono, produzido enquanto dormimos. Fundamental para a função imunológica saudável. As práticas de respiração profunda e o riso também podem ter um efeito positivo em nosso sistema imunológico. Assim, você pode se auto-ajudar na quarentena vendo um filme engraçado e dando uma boa gargalhada profunda, para fazer com que os pulmões funcionem enquanto você se isola.

Mesmo se você fizer tudo certo, ainda poderá contrair o coronavírus. Mas a “boa” notícia é que a maioria das pessoas que não pertencem a grupos de alto risco, terão um curso leve de doença e se recuperarão em casa. Algumas pessoas, inclusive, podem até não apresentar nenhum sintoma. Ou, até mesmo, saber que o tiveram. Razão pela qual o distanciamento social é tão importante, uma vez que se pensa que as taxas de transmissão assintomáticas são bastante altas com o Covid-19. A única maneira de se proteger contra o vírus, é o isolamento social. Mantendo-se fora de circulação. E que, quando sair, exerça as devidas precauções.

Casos de depressão e crises de ansiedade devem aumentar durante o isolamento social – única saída para frear a disseminação da Covid-19. E a Cannabis tem se mostrado eficiente no tratamento de doenças mentais

Denise Tamer 

A China, primeiro país atingido pela Covid-19, correu atrás de soluções para dar assistência psicológica aos cidadãos. Psicólogos e psiquiatras abriram canais de atendimento online e publicaram uma série de recomendações.

Era importante. Segundo pesquisadores chineses, o país viveu também uma crise de saúde mental durante a pandemia. Medo da morte e o isolamento social agravaram os problemas.

E o Brasil provavelmente passará pela mesma situação. A psicóloga Jaqueline Azzi alerta para uma piora no número de pessoas que possam desenvolver depressão em 2020. Ou seja, pessoas saudáveis podem apresentar quadros depressivos por conta do isolamento – a única medida comprovadamente efetiva para evitar a rápida disseminação do novo coronavírus.

Não apenas por conta da quarentena. Mas também pelo bombardeamento de notícias que geram medo.

“O medo é um estado de vibração ruim. No corpo físico, o medo baixa a imunidade”, explica Azzi. “Entramos em um estado de defesa que libera hormônios que nos prejudica. E liberados nesta quantidade afetam nossa imunidade.”

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2005 e 2015, a depressão cresceu 18% na população mundial. No Brasil, país com o maior número de casos na América Latina, 6% dos indivíduos sofrem da doença.

Depressão e Cannabis

Remédios à base de Cannabis podem ter efeito mais imediato do que os antidepressivos comuns. E com bem menos efeitos colaterais. Quem diz são os brasileiros Alline Cristina de Campos e Eduardo Junji Fusse.

Em seu estudo, Campos aponta a eficiência do cannabidiol (CBD), mas alerta que as pesquisas ainda são iniciais.

Fusse, em estudo publicado em 2019, afirma que o “sistema endocannabinoide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

Em 2010, o estudo intitulado “Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria”, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, indica que o canabidiol demonstrou “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Segundo a publicação, “o sistema canabinoide é um alvo promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria”. O método da pesquisa partiu de uma busca e revisão profunda da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides. Principalmente o CBD e o THC.

Em busca de mais estudos

O psicólogo André Reali Olmos, em conversa com o Portal Cannabis & Saúde, também destaca o fato de que mais estudos devem ser realizados para um uso cada vez mais seguro e crescente da Cannabis em casos de depressão. “Sou a favor e reconheço a potência incrível da Cannabis como medicamento, mas também não podemos romantizar a questão”, conta.

“Cannabis é mais uma tecnologia antiga que foi destratada e que pode sim auxiliar. Pelo fato de ter ficado na ilegalidade, temos que ir atrás das pesquisas para aprofundar nossos conhecimentos e alcançar respostas mais concretas”, defendeu.

Nesta mesma linha, um estudo americano reconhece o potencial terapêutico da Cannabis. “O envolvimento do sistema endocanabinóide na obtenção de efeitos potentes nos processos de neurotransmissão, neuroendócrino e inflamatório, que são conhecidos por serem perturbados na depressão e na dor crônica”.

Ainda assim, “o modo preciso de ação dos endocanabinóides em diferentes alvos no corpo e se seus efeitos na dor e na depressão seguem as mesmas ou diferentes vias”.

Os caminhos para o tratamento da depressão com Cannabis são evidentes e confiáveis, mas para serem abertos ainda é imprescindível mais pesquisas na área.

Dr. Wilson Lessa e Dr. Cristiano Fernandes discutem como controlar e reduzir transtornos como ansiedade e depressão e de que forma o canabidiol pode ajudar nessa luta em evento online gratuito.

Marcus Bruno 

Passado mais de um mês deste isolamento social forçado para conter a propagação do novo coronavírus, uma nova e silenciosa epidemia pode se abater sobre todos nós: os transtornos mentais. A solidão, a incerteza do futuro, sensação de impotência, o risco de ficar sem renda e a perda de familiares e amigos para esta pandemia podem desencadear efeitos colaterais, como ansiedade, insônia, estresse e depressão.

Um artigo publicado na revista Psychiatric Times alerta que as pandemias não são apenas fenômenos médicos: “elas afetam os indivíduos e a sociedade em vários níveis, causando diversas perturbações”. Segundo o artigo, indivíduos com doenças mentais ou pré-disposições podem ser particularmente mais vulneráveis ​​aos efeitos de pânico e ameaça generalizados.

Médicos e profissionais de saúde também estão trabalhando no limite da saúde mental durante essa pandemia. Além, de ser o grupo de maior exposição ao vírus, uma das tarefas mais difíceis desses profissionais talvez seja providenciar a despedida dos familiares que perderam a vida para a doença. Ninguém mais pode mais fazer isso pessoalmente devido ao risco de contágio.

Um aliado no combate a toda essa ansiedade que a pandemia está trazendo, mas ainda pouco debatido é o canabidiol. A substância tem propriedades ansiolíticas comprovadas e resultados positivos em pacientes com problemas psicológicos, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. 

Para discutir como manter a saúde mental em tempos de Covid-19 e como a medicina canabinoide pode ajudar, a healthtech de Cannabis medicinal CanTera, empresa do grupo OnixCann, irá promover no dia 23 de abril, às 19h30, um webinário com a presença de dois médicos especializados no tema, os doutores Wilson Lessa e Cristiano Fernandes.

Lessa é psiquiatra, professor da Universidade Federal de Roraima, diretor científico da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis e membro da Society of Cannabis Clinicians (SCC) e da International Cannabinoid Research Society (ICRS). Já o Dr. Cristiano é mestre em Genética e Bioquímica pela Universidade Federal de Uberlândia, hematologista do Centro de Combate ao Câncer de SP e diretor médico da OnixCann.

O webinar é gratuito e será transmitido através de um link encaminhado aos inscritos. Para isso, basta preencher este formulário. As vagas são limitadas. O evento online irá discutir:

  1. – Aspectos psicológicos do confinamento
  2. – Como manter a saúde mental durante o isolamento?
  3. – Qual o impacto desse cenário na vida dos médicos e profissionais de saúde?
  4. – Quais os impactos desse cenário de reclusão na vida dos pacientes que sofrem com PTSD, ansiedade, stress? 
  5. – Qual o impacto no acesso aos produtos à base de cannabis medicinal? 
  6. – Quais alternativas para lidarem melhor com isso?
  7. – O que tudo isso tem a ver com cannabis medicinal

“Nosso convite é para que você participe deste webinar ‘Saúde Mental em Tempos de Coronavirús, porque entendemos que a saúde mental, na atual situação, é tão importante quanto os cuidados físicos”, convida Jaime Ozi, vice-presidente de negócios da Onix Cann.

“Cannabis é essencialmente um fitoterápico que atua em três importantes sistemas, na dor, sono e humor com neuro-receptores espalhados em todo corpo. Uma parte considerável das pessoas hoje busca soluções naturais para sua saúde e tem a oportunidade de tratamento seguro e com poucos efeitos colaterais a base da planta”.

Não faltam opções marcas e tipos de óleo no exterior. Difícil é saber qual vale a pena. Para facilitar, separamos seis informações importantes.

Guilherme Dias 

Os óleos de Cannabis se popularizaram com o alto crescimento no mercado mundial no último ano. Mas esse sucesso todo ainda não alcançou o Brasil. Por aqui, os pacientes só têm duas opções de aquisição. Ou compram da Abrace, única associação com o aval da Justiça para cultivo e produção, ou importam, mediante autorização da Anvisa. Caso contrário, partem para o plantio individual, com ou sem aval da Justiça, ou até mesmo o mercado clandestino.

O cenário deve mudar, já que a Anvisa, enfim, regulamentou a venda de Cannabis medicinal em dezembro de 2019. Desde o início de março, as empresas interessadas em produzir óleo no país podem entrar com pedido na Anvisa para colocá-los à venda.

Mas até os produtos nacionais – ou mesmo os importados – chegarem às farmácias leva um tempo.

Enquanto essa realidade não chega, o caminho mais rápido ainda é a importação. Existem alguns sites que disponibilizam a compra online, mediante prescrição médica. Mas aí aparece o dilema: como saber qual óleo comprar? De qual marca? O Cannabis & Saúde vai te ajudar. Listamos a seguir seis dicas que você precisa saber antes de comprar qualquer produto à base de CBD.

1. Veja se o óleo foi testado por terceiros

É importante saber se o produto foi testado por mais de um laboratório – e não apenas o da empresa envolvida na produção. Procure pelos relatórios de qualidade disponíveis no site do produto.

Essas análises mostram a concentração de cada canabinoide no produto. Assim, você pode conferir se o produto cumpre com o prometido. Ou seja, se tem mesmo a quantidade de CBD ou THC prometida. Vale lembrar: a Anvisa restringiu a venda de produtos com concentração de THC superior a 0,2%.

A ausência desses documentos pode significar algumas coisas. Ou as concentrações dessas substâncias estavam abaixo ou acima daquele anunciado previamente pela empresa. Ou eles simplesmente esqueceram de publicá-los.

Nesses casos, melhor recorrer a produtos de outras marcas.

Mas também não vale o aval de qualquer laboratório. Confira se a análise vem de um estabelecimento credenciado pela Organização Internacional de Normalização (ISO). Isso significa que o laboratório atende a certos padrões e opera sob as diretrizes aprovadas e monitoradas pelo órgão.

Atente-se também para a data da análise. Se passar de doze meses, nem leve a sério. A análise precisa ser constantemente revista.

Alguns laboratórios realizam as análises, mas nem sempre disponibilizam na internet. No Brasil, o médico prescritor pode solicitar ao laboratório as análises para confirmar a veracidade das informações, uma vez que é o médico que prescreve o produto ao paciente.

2. Confira os ingredientes

Os ingredientes estão listados no rótulo. Se você ainda não está familiarizado com eles, basta fazer uma pesquisa rápida na internet para saber os possíveis efeitos colaterais.

Opte pelos ingredientes orgânicos e naturais ou por produtos com ingredientes extras que aumentam os benefícios do medicamento. Por exemplo: alguns óleos podem vir com uma dose de vitamina B12 para aumentar o efeito analgésico, ácidos ômega, dentre outros.

Se o fabricante disponibilizar a lista de terpenos presentes no óleo, melhor ainda. Cada um desses cheiros da Cannabis (saiba mais aqui) pode trazer diferentes benefícios ao organismo.

3. Prefira produtos orgânicos

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Há uma variedade larga de óleos no mercado estrangeiro. Alguns produtos vem com apenas um canabinoide isolado ou com uma quantidade ínfima de outro – pode ser majoritariamente composto por CBD, CBC, THC ou CBG (veja aqui os tipos de canabinoides).

Ou podem vir com uma série de canabinoides – é o que chama de full spectrum. Ou seja, vem com todos os componentes da planta, incluindo os terpenos, citados acima. Esses têm uma vantagem: passam por menos processos. E, com tantos componentes, podem potencializar o efeito do medicamento (o famoso “efeito entourage”).

5. Veja se o preço vale a pena

A regra é a mesma para outros produtos: pesquise para saber se o valor de mercado é mesmo aquele. Importante! Compare somente produtos semelhantes, com as mesmas concentrações de canabinoides, e veja se os preços batem. Mas, vale lembrar do item anterior, confira exatamente quais os ingredientes. Afinal, produtos premium podem ter mesmo valores mais altos. Atente-se ainda aos valores do frete.

Para comparar valores de produtos similares, você deve dividir o valor pela quantidade de miligramas (mg) total do produto R$/mg.

Como as prescrições em sua grande maioria são em gotas, você também pode fazer o comparativo dividindo o valor pela quantidade de mililitro (ml). R$/ml.

E, se quiser, pode ainda verificar qual a quantidade de gotas que o produto possui e por quanto tempo irá durar o produto conforme recomendação de uso que consta na prescrição médica. Em média, 1 ml de óleo de CBD corresponde a 20 gotas.

6. Confira a reputação da marca

Consumidor satisfeito elogia nas redes sociais. Por outro lado, consumidor insatisfeito reclama muito nas caixas de comentários. Dê uma conferida nos comentários deixados nas páginas das redes sociais de cada marca.

Outra forma de conferir é se o laboratório, fabricante dos produtos possui em seu site certificados de qualidade, bem como outras certificações e prêmios que também garantam um bom produto.

E por fim, para óleos de CBD produzidos nos Brasil, sugerimos também que procure realizar o checklist dos 6 itens acima, afinal vale a máxima: com a saúde, não se brinca.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados desse estudo devem ser interpretado com cautela, apontando a necessidade da realização de novas e mais amplas pesquisas. No entanto, destacam que o “CBD tem vantagens importantes em comparação com os agentes farmacológicos atualmente disponíveis”.

Você sente que está sendo examinado ou tem receio de que agirá de maneira constrangedora ou humilhante em situações sociais? Evita situações que causam ansiedade ou as enfrentam com muito medo? Acha que fica mais ansioso do que deveria diante das situações do dia a dia? Isso tudo atrapalha sua vida, e não há nenhum outro fator que possa explicar isso?

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V), publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, esses todos são sinais de que você pode estar sofrendo de Transtorno Ansioso Social Generalizado (TAS), condição popularmente chamada de fobia social.

Mas você não está sozinho. Presente em 13% dos brasileiros, é uma das condições de ansiedade mais comuns e está associada a prejuízo no ajuste social aos aspectos usuais da vida diária, aumento da incapacidade, disfunção e perda de produtividade. O TAS tende a seguir um curso prolongado e contínuo e raramente é resolvido sem tratamento.

O problema é que os medicamentos atualmente disponíveis são muito pouco eficazes, sendo que apenas 30% dos pacientes alcançam verdadeira recuperação ou remissão da doença. Novas abordagens terapêuticas são necessárias para atacar com efetividade a condição.

Esse caminho pode estar nas propriedades da Cannabis. Pesquisas já sugeriram que indivíduos com TAS têm maior probabilidade de recorrer à Cannabis sativa para se automedicar, do que em outros transtornos de ansiedade.

Entretanto, estudos realizados pelo Dr. Alexandre Crippa, chefe do departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Universidade de São Paulo, apontam que a relação entre Cannabis e ansiedade é paradoxal.

Embora muitos usuários de maconha fumada relatem a redução da ansiedade como motivação para o uso, episódios de intensa ansiedade ou pânico estão entre os efeitos indesejáveis mais comuns do consumo da planta.

Parte da explicação para essa contradição está no fato de que doses baixas de THC geram efeitos semelhantes a ansiolíticos. Mas THC em grande quantidade pode proporcionar o efeito oposto.

Dr. Alexandre Crippa palestra sobre maconha, canabinoides e a sociedade durante o USP Talks

Já com o CBD é diferente

Pesquisas em voluntários saudáveis mostrou que o canabidiol tem capacidade de atenuar a ansiedade provocada pelo THC.

Já os estudos em animais encontraram no CBD efeitos semelhantes aos medicamentos ansiolíticos. Essas evidências abriram caminho para testar a eficácia do CBD em pacientes diagnosticados com TAS.

A pesquisa, realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, separou um grupo de 24 pessoas diagnosticadas com TAS, mas que nunca receberam qualquer tipo de tratamento, além de outras 12 saudáveis como grupo de controle.

Todos tinham que preparar um discurso de quatro minutos para ser lido em frente a uma câmera de vídeo, enquanto assistiam à própria imagem na televisão. Entretanto, duas horas antes da atividade, metade dos pacientes diagnosticado com TAS recebeu uma dose de 600 mg, a maior dose encontrada na literatura científica para tratamento ansiolítico.

A outra metade dos pacientes com TAS receberam um comprimido falso, placebo, sem o CBD. Já os outros 12 participantes saudáveis não receberam nada. Todos foram submetidos à testes fisiológicos e psicológicos antes e durante o discurso para medir o nível de ansiedade.

E deu certo. O grupo de que recebeu o placebo apresentou um nível de ansiedade significativamente mais alto que o grupo de controle, com maior maior comprometimento cognitivo e desconforto, algo já esperado em pessoas com TAS.

Já os que receberam a dose de CBD apresentaram redução considerável da ansiedade, com desempenho cognitivo melhor e sem tanto desconforto. Os resultados foram semelhantes ao do grupo de pacientes saudáveis.

“Esses resultados preliminares indicam que uma dose única de CBD pode reduzir o efeito de aumento da ansiedade provocado pelo teste de fala em público em pacientes com TAS, indicando que esse canabinoide inibe o medo de falar em público, um dos principais sintomas do distúrbio”, diz o estudo.

Outro fator interessante foi a autoavaliação que cada um fez de seu discurso. Entre os que receberam CBD, quase ninguém se avaliou negativamente, fator importante no melhora do funcionamento social em pessoas com TAS.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados desse estudo deve ser interpretado com cautela, apontando a necessidade da realização de novas e mais amplas pesquisas. No entanto, destacam que o “CBD tem vantagens importantes em comparação com os agentes farmacológicos atualmente disponíveis para o tratamento da TAS.”

O consumo prolongado de CBD não provoca o desenvolvimento de tolerância ou dependência da substância, assim como, possivelmente, reduz a chance de utilizar outras drogas. O fato dos bons resultados terem aparecido com apenas uma única dose de CBD é uma indicação da agilidade do tratamento.

“Assim, devido à ausência de efeitos psicoativos ou cognitivos, a seus perfis de segurança e tolerabilidade e a seu amplo espectro farmacológico, o CBD é possivelmente o canabinoide com maior probabilidade de ter achados iniciais de ansiedade traduzidos na prática clínica”, concluem os pesquisadores.

Ainda há poucos estudos sobre as reais possibilidades terapêuticas do uso de cannabis em pacientes infectados pelo HIV. Mesmo assim, pacientes fazem uso medicinal da planta e relatam melhora em vários sintomas

Carol Castro 

Vômitos, náuseas, perda de apetite, ansiedade, depressão, dores crônicas – a lista de sintomas relatados por pacientes infectados pelo HIV é longa. Algumas vêm da ação do próprio vírus no organismo, outras aparecem como efeitos colaterais do tratamento com antiretrovirais, que reestabelecem o equilíbrio do sistema imunológico.

Na tentativa de reduzir o mal-estar, boa parte dos pacientes aposta no uso da cannabis, seja pelo uso de cigarros ou com óleos à base de cannabis. Um estudo americano com mais de 500 pessoas mostrou que um terço deles usa a planta como remédio.

E, segundo eles, os resultados são bons.

Em 97% dos casos, o apetite voltou ao normal. Outros 94% sentiram menos dores musculares e 85% sentiram menos formigamento pelo corpo (parestesia); 93% diminuíram os episódios de náusea; 86% se sentiram menos depressivos, enquanto outros 93% contaram ter reduzido os sinais de ansiedade.

Só teve um problema: quase metade deles contou que ter problemas de memória. Não que a responsabilidade seja só da cannabis.

“O tipo de interação das drogas a ser considerado inclui a perda da função cognitiva, porque sabe-se que isso é um efeito tanto da cannabis, quanto das drogas antiretrovirais, como a efavirenz”, diz o estudo.

“Certamente, a perda de memória relatada pelos pacientes tem importância clínica (…) e, se isso for resultado da combinação de drogas, deve ser investigado usando padrões estabelecidos dentro das terapias com canabinoides”, concluem os pesquisadores britânicos.

Ao que tudo indica, é esse o único efeito colateral entre pacientes com HIV que fazem uso medicinal da cannabis. Mas, vale lembrar, ainda faltam estudos.

“Não há efeitos prejudiciais aparentes, mas isso ainda precisa ser determinado usando uma rota apropriada de adminstração da driga e de um estudo de longo prazo”, finalizam os britânicos.

Outros Efeitos

Ainda que faltem estudos, sobram indícios do efeito positivo dos canabinoides nos sintomas das doenças. Um artigo publicada pelas pesquisadoras brasileiras Carolina Rangel de Lima Santos e Laísa Vieira Gnutzmann aponta a possibilidade dos canabinoides reduzirem as inflamações geradas pelo vírus.

Primeiro é preciso entender o modo de ação do HIV no sistema nervoso central. O vírus, além de atacar as células de imunidade, também causa problema no cérebro. O que ele faz é estimular a secreção de neurotoxinas, que causam inflamações fatais aos neurônios.

Já o sistema endocanabinoide atua como importante imunomodulador e apresenta propriedades antiinflamatórias – e isso diversas pesquisas já mostraram.

“Há indícios de que os canabinóides poderiam atuar diminuindo o processo inflamatório causado pelo HIV, porém apesar de efeitos benéficos comprovados, a pesquisa sobre a ação dos canabinóides não significa advogar a favor do uso terapêutico da maconha”, explicam as pesquisadoras.

“A maconha é uma planta complexa com inúmeros princípios ativos que merece ser discutida à parte”, afirmam.

“O assunto desse texto é a ação anti-inflamatória de neurotransmissores canabinóides que o nosso próprio cérebro produz e a perspectiva do uso desse mecanismo na proteção do cérebro de pacientes com infecção pelo HIV”, concluem.

Próximo Passo

Em breve, no entanto, ciência conseguirá entender melhor quais são os benefícios do uso de cannabis em pacientes com HIV. Um estudo canadense em curso pode agilizar essas respostas.

Por lá, uma equipe de pesquisadores iniciará um estudo com 26 pacientes. Eles se dividirão em dois grupos. Metade receberá cápsulas com proporções iguais de CBD e THC e outra uma pílula com maior concentração de CBD para tomar ao longo de 12 semanas.

Todos terão de fazer exames periódicos para availar os marcadores inflamatórios do corpo (para checar se os canabinoides fizeram ou não efeito positivo). Também irão monitorar os marcadores de HIV nas células sanguíneas e mudanças no microbioma gastrointestinal.

É um teste inicial, para checar a segurança da e tolerabilidade do uso de óleos nesses pacientes (saiba mais aqui). Depois, a ideia é expandir o teste em mais pacientes e por um tempo maior.

“A cannabis quando tomada oralmente pode representar uma maneira de reduzir inflamações e fortalecer as respostas imunológicas. Antes de planejar estudos maiores de intervenção, é importante garantir que a cannabis tomada oralmente é segurada e bem tolerada em pessoas que vivem com o HIV”, explica o estudo.

Por enquanto, ainda não há novidades. Mas, quando publicados os resultados, talvez tenhamos novas respostas positivas sobre o uso de cannabis em pacientes com HIV.

O canabigerol, um dos compostos químicos da Cannabis, demonstrou ter propriedades capazes de eliminar bactérias resistentes a antibióticos comuns

Cientistas da McMaster University em Ontario, no Canadá, descobriram que o CBG pode matar superbactérias batizadas como Staphylococcus Aureus (MRSA).  Elas aparecem como um problema comum nos hospitais e resistem à meticilina.

Segundo estudo do Serviço Nacional de Segurança (NHS) da Inglaterra, uma a cada três pessoas carrega essa bactéria na superfície da pele ou no nariz, sem desenvolver sintomas.

No entanto, se entrar em contato com o organismo, através de um corte, por exemplo, o indivíduo pode apresentar um quadro grave de infecção. É por isso que a tal bactéria é tão comum em hospitais, onde geralmente existem pontos de entrada como ferimentos e intervenções cirúrgicas invasivas.

CBG como remédio

No estudo canadense, os testes foram feitos em ratos. Após isolarem cinco compostos da Cannabis, pesquisadores constataram a eficiência do CBG em eliminar a MRSA, além de outras bactérias. O efeito do canabinoide foi semelhante ao da vancomicina, substância normalmente utilizada nesses casos.

A vancomicina, no entanto, pode causar febre, calafrios e flebites associados ao período de infusão.

O CBG, por sua vez, já se mostrou eficaz para a saúde pública. Ele é um dos mais de 120 compostos químicos encontrados na Cannabis sativa, não tem propriedades psicoativas, como o THC, e começou a ser muito estudado – principalmente após a regulação proposta pela Anvisa para a fabricação e venda de produtos à base de Cannabis.

O canabinoide já teve sua eficácia comprovada em casos de inflamações, ajuda no funcionamento do sistema nervoso, estimula o apetite e é capaz de aprimorar o processo de morte de células cancerígenas.

É a partir do canabigerol que a Cannabis sintetiza todos os outros canabinoides, como o CBN, o CBD e o THC. Sendo assim, quanto maior a presença de THC e CBD, menor será a de CBG. Como a grande maioria das plantas cultivadas hoje buscam maior concentração de THC e de CBD, experimentos de manipulação genética já estão sendo desenvolvidos para que o CBG seja produzido em maior escala.

Aos 32 anos, Francislaine Assis não suportou as dores no corpo. As pernas mal respondiam e a tradutora de Libras, incapacitada até de caminhar, teve de abandonar o trabalho. Até porque, mesmo se recorresse à ajuda de uma cadeira de rodas, seria impossível desenvolver suas funções na escola: a dor era tanta que afetava também sua cognição – não conseguia sequer raciocinar e manter um diálogo por muito tempo.

Naquele ano, em 2011, após quatro meses intensos de sofrimento, Fran recebeu o diagnóstico de Agorafobia. Mas não era bem esse o problema. Somente em 2015 o médico descobriria a causa das dores: a fibromialgia – uma síndrome ainda sem cura que causa dores em todo o corpo, afeta a memória e o sono. 

A partir de então, passou a tomar diariamente todos os medicamentos receitados pelos médicos, na esperança de conseguir melhora efetiva.

“Eram 13 comprimidos por dia, eu ficava dopada”, conta.

Tanto remédio lhe rendia alucinações. Certa vez, a filha chegou na cozinha e pegou a mãe em frente ao fogão, folheando um livro imaginário. Em outra situação, um carro quase a atropelou enquanto atravessava a rua desatenta.

E o pior: as dores permaneciam fortes e constantes, a insônia batia forte, as dificuldades cognitivas pioravam e os sinais da depressão apareciam com frequência.

Só teria alívio em 2018, após vencer os próprios preconceitos e aceitar o tratamento à base de Cannabis medicinal.

“Eu participo de grupos de discussão sobre fibromialgia desde 2011, mas sempre fui muito careta. Cansei de ouvir as pessoas falando ‘fumei maconha e tive um alívio’. Não dava bola, achava o pessoal muito louco”, lembra Fran.

Abriu mão do pré-julgamento após ver a médica americana Ginevra Liptan, diretora do “The Frida Center for Fibromyalgia”, um centro especializado no tratamento da doença, falar sobre a eficácia da Cannabis para pacientes com fibromialgia.

Pegou o caminho do Rio de Janeiro até São Paulo, onde havia marcado uma consulta com a neuro oncologista e médica funcional Paula Dall’Stella. Pouco tempo depois, após receber a autorização da Anvisa, importou os primeiros frascos de óleo de CBD.

A dor, contudo, não passou.

Mas o sono veio com tudo. E isso era importante, afinal, Fran passava dias sem dormir. “Era assustador, chegava a passar três, quatro dias sem dormir. E isso me dava dores de cabeça fortíssimas, não conseguia nem ouvir a voz das pessoas”, diz.

Dormiu até demais – a sonolência pode ser um dos efeitos colaterais de alguns óleos no começo do tratamento. Trocou o importado por outro rico em THC, fabricado por uma associação de pacientes de Cannabis medicinal.

“Fiquei surpresa. A primeira vez que usei eu estava com uma dor muito forte. Vinte minutos depois de usar o óleo, minha dor diminuiu uns 60%”, explica.

Há uma razão: o THC funciona melhor como analgésico do que outros canabinoides, como o CBD.

Aos 43 anos, Fran descartou todos os outros medicamentos. Além do óleo, usa pomadas produzidas com plantas de predominância de THC, faz inalação da erva e uso de supositórios, quando a dor bate mais forte que o normal.

Ainda que os remédios tenham surtido efeitos muito melhores do que os convencionais, Fran ainda precisa recorrer à cadeira de rodas – de maneira geral qualquer esforço costuma causar ainda mais dores.

Não só pela fibromialgia, a vida ainda lhe trouxe uma série de outras complicações. Ao longo dos anos, teve artrite após pegar chikungunya e recebeu os diagnósticos de uma série de outras doenças, como Síndrome do Túnel do Carpo, endometriose, entre outras. 

A Cannabis trouxe outros efeitos positivos. Fran voltou a ter vontade de comer.

“É um benefício, porque tenho anorexia patológica. É difícil comer. Às vezes fico com enjoo o dia todo, mas quando uso o óleo consigo me alimentar”, relata a paciente.

A depressão também ficou para trás.

“Eu tomava Rivotril, mas nunca gostei. Hoje fico feliz quando uso o óleo. É uma alegria que há muito tempo eu não sentia, um prazer de viver. Cada vez que dou uma gargalhada parece que parte da dor também vai embora”, comemora.

O problema é fechar as contas no fim do mês. Se antes gastava pouco mais de R$ 300 com o coquetel de remédios, hoje Fran investe quase R$ 1,2 mil para conseguir os remédios. Se importasse, em vez de receber o óleo como sócia da associação, os gastos seriam ainda maiores.

Não à toa, virou ativista e luta pelo acesso mais democrático aos medicamentos.

“Vejo a dificuldade das pessoas. Pacientes com dor crônica muitas vezes estão desempregados ou afastados do emprego e não tem acesso ao óleo. É injusto, já que os remédios à base de cannabis fazem tanta diferença no alívio da dor”, finaliza.

Além de indicar um possível tratamento para pessoas com TEA, os resultados com o CBD são animadores, pois não existe um remédio capaz melhorar a qualidade de vida, habilidades sociais e desenvolvimento cognitivo dos pacientes autistas.

Como descobrir se a Cannabis é realmente eficaz no tratamento dos transtornos do espectro autista (TEA)? Você trata um número de pacientes com o extrato da planta por um período e avalia os resultados. São os chamados testes clínicos, e foi justamente isso que fez um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília.

Durante nove meses, eles acompanharam pacientes ligados à Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal (Ama+me), com idades entre 6 e 17 anos, em tratamento com um extrato com alta concentração de canabidiol, 75 vezes maior que a de THC. Dos 18 participantes, três sofriam com crises epilépticas. A pesquisa foi publicada na revista Frontiers in Neuroscience.

Não se sabe ao certo as causas do TEA. Esse nome inclui um amplo grupo de perturbações neurológicas e comportamentais que não são, necessariamente, causadas pelos mesmos motivos. Esses podem ser desde origem genética e hereditária ou em consequência de fatores ambientais que impactam o feto, como infecções, complicações na gravidez, e até estresse.

Nos últimos anos, no entanto, cientistas estão descobrindo que autismo e epilepsia, ambas com diversas causas, têm muito em comum. A epilepsia se dá por um funcionamento anormal dos neurônios. Para funcionar bem, o cérebro conta com neurônios excitatórios e inibitórios. Na prática, um ativa e o outro acalma. Juntos eles equilibram, e fazem com que a informação flua pelo sistema nervoso.

Quando, por algum motivo, esse trabalho de auto-regulação se desfaz, os neurônios excitatórios se empolgam, gerando uma reação em cadeia que resulta em um fluxo caótico de atividade que pode se manifestar de diversas formas, como no movimento descontrolado dos músculos.

Cientistas agora acreditam que algo semelhante pode estar acontecendo na cabeça das pessoas com autismo. De acordo com a Teoria do Mundo Intenso, do pesquisador Henry Markram, o excesso de ativação neuronal na mente de autistas gera um ganho extremo de intensidade na percepção dos estímulos sensoriais.

Outra pesquisadora, Adit Shankardass, encontrou focos cerebrais de atividade epileptiforme em crianças autistas, as quais chamou de hidden seizures” – algo como “convulsão escondida”. Isso tornaria as crianças incapazes de conexões com o mundo exterior, mesmo na ausência de ataques ou convulsões.

E o sistema endocanabinoide trabalha justamente nessa regulação da atividade neuronal. Em pacientes com epilepsia, quando a atividade neuronal excessiva ocorre, endocanabinoides são produzidos em resposta, o que faz a atividade excessiva dos neurônios se tranquilizem, cessando o ataque.

CBD é o caminho lógico

Diante disso, e do sucesso do uso de CBD no tratamento de pessoas com epilepsia, testar em crianças autistas é o caminho lógico. Alterações na expressão de receptores canabinoides periféricos foram verificados em pacientes autistas, sugerindo possíveis deficiências na produção e regulação de canabinoides produzidos pelo corpo. Esta hipótese foi confirmada recentemente para a anandamida, um importante endocanabinoide, que é reduzido em pacientes com TEA.

Assim, os 18 pacientes ligados à Ama+me, com autorização da Anvisa, passaram a receber o tratamento com o extrato de CBD. Seus pais então passaram a preencher mensalmente um formulário em que estimavam o quanto os filhos melhoraram em relação à oito sintomas característicos do autismo: hiperatividade e déficit de atenção, transtornos comportamentais, déficit motor, déficit de autonomia, déficit de comunicação e interação social, problemas cognitivos, distúrbio do sono e convulsões.

Três pais desistiram de tratar seus filhos com Cannabis logo no primeiro mês. Os pesquisadores acreditam que em dois deles, pode haver um agravamento dos sintomas devido à tentativa concomitante e não supervisionada de remover ou reduzir a dosagem de remédios antipsicóticos. O outro pode ter sofrido efeitos adversos da interação dos canabinoides prescritos com outros dois medicamentos psiquiátricos que estavam sendo usados simultaneamente.

Já os demais 15 pacientes, que seguiram o tratamento ao longo dos nove meses (apenas um interrompeu no 6º mês), todos tiveram algum tipo de benefício observado pelo uso da Cannabis. Quatorze pacientes tiveram 30% de melhora em pelo menos um dos sintomas, sendo que sete deles apresentaram essa melhora em quatro ou mais dos sintomas analisados.

A principal melhora foi entre os pacientes com epilepsia, com redução nos episódios. Desordem de sono e crises de comportamento foram outros sintomas que tiveram considerável evolução positiva entre os pacientes.

Além de indicar um possível tratamento para pessoas com TEA – são necessários mais e maiores estudos clínicos para comprovar a eficácia -, os resultados animadores são importantes pois não existe um remédio capaz melhorar a qualidade de vida, habilidades sociais e desenvolvimento cognitivo dos pacientes autistas.

Os medicamentos atuais atacam somente sintomas específicos e são geralmente acompanhadas de efeitos colaterais graves. Nenhum, porém, melhora significativamente a falta de habilidades de interação e comunicação que caracterizam o TEA.

Por outro lado, os extratos de Cannabis provocam somente efeitos colaterais leves e passageiros. No estudo, três apresentaram sonolência e irritabilidade moderada. Houve um caso de diarreia, um de aumento de apetite, um de vermelhidão nos olhos e outro de aumento de temperatura corporal.

Isso indica que apostar no tratamento com extrato de Cannabis é a opção de tratamento mais segura.