Por seis anos, Maria buscou e testou todas as maneiras de reduzir as dores causadas pela doença. O alívio só veio mesmo com o uso dos óleos de Cannabis medicinal, associado à fisioterapia, exercício físico e autoconhecimento

Aline Vessoni 

Maria dos Santos* tinha apenas 16 anos quando as dores começaram. Primeiro nas costas, depois vieram para as mãos. “Eu tocava violoncelo e achava que a dor era normal, de fazer esforço. Não pensava que pudesse ser algo patológico”, relata. O quadro se agravou na faculdade de Artes Cênicas que possui uma grade curricular em que o trabalho físico é bastante intenso. “Eu precisava parar no meio das aulas tamanha a fadiga”, conta.

Com o agravamento dos sintomas, a peregrinação em consultórios médicos era frustante: o protocolo de exames e raios-X não acusava nada, os ortopedistas não fechavam diagnósticos. Maria, aos poucos, foi deixando de acompanhar as aulas, depois já não conseguia fazer exercícios físicos – até mesmo andar estava difícil.

Ela foi perdendo a esperança ao não encontrar alívio nas incontáveis sessões de fisioterapia, massagens. Nem mesmo nos medicamentos faziam efeito. No meio disso tudo, a depressão somou-se ao quadro e ela resolveu trancar o curso e voltar a morar com os pais.

“Ano passado, larguei tudo e passei por vários especialistas. Até que, finalmente, um reumatologista diagnosticou a fibromialgia e artrite reumatóide. Mas o remédio para tirar a dor não adiantava. Passei por terapia fotodinâmica [uma combinação entre ultrassom e laser], ozonioterapia [aplicações de oxigênio e ozônio], acupuntura, sem sucesso. Nada parecia resolver, eu não via alternativas. Foi então que os pensamentos suicidas se intensificaram”, revela.

A melhor alternativa

“Foi bem difícil vê-la passar por isso. Só a via deitada ou sentada, chorando boa parte da noite. Nós fizemos de tudo, mas chegou a um ponto [de dor] que ela falava que preferiria morrer”, relembra sua mãe, Joana*.

Na busca por novos tratamentos, Joana encontrou na internet relatos positivos sobre o canabidiol para casos de dor. Entrou em contato com associações, e, como mora no interior de São Paulo, comprou o óleo antes mesmo de encontrar um médico prescritor.

“O óleo foi um ‘achado’ maravilhoso. Era nossa última alternativa, já tínhamos tentado de tudo. Eu falo que essa planta é sagrada, pena que é tão recriminada”. Mas ressalta que é preciso ter paciência: “demorou um mês para Maria sentir os efeitos”.

Atualmente, Maria se trata com um óleo 6% THC associado ao CBD e outro 100% CBD – o primeiro atuante sobretudo na dor e o segundo para a depressão. Voltou para a fisioterapia, para o pilates e também para o divã. “O óleo não é milagroso, mas associado a atividades físicas, e terapia, minhas dores diminuíram muito”, finaliza Maria que com a diminuição dos sintomas conseguiu retomar a graduação, está trabalhando e também encontrou um amor para chamar de seu. 

* nomes fictícios foram usados para evitar que a família sofresse retaliações, já que a entrevistada não possui autorização da Anvisa para importar a Cannabis medicinal e faz uso de óleo considerado clandestino

Nos Estados Unidos, pesquisadores investigaram produtos vendidos em lugares incomuns, como supermercados, postos de gasolina e lojas especializadas em Cannabis. Em todos eles, havia produtos com quantidade de CBD inferior ao indicado na embalagem

Danilo Lacalle 

Óleos de Cannabis são tão comuns em alguns estados americanos que até postos de gasolina e supermercados vendem os produtos. Uma pesquisa, no entanto, mostrou que a quantidade de Canabidiol indicada no rótulo nem sempre corresponde à realidade. Principalmente quando vendidas em lugares incomuns.

Mas, para piorar, nem mesmo as lojas especializadas em produtos de Cannabis passaram pelo teste de qualidade dos pesquisadores.

Ainda que por aqui ainda não seja tão fácil assim adquirir óleos – produtos à base de Cannabis podem ser vendidos apenas em farmácias -, o estudo serve de alerta aos brasileiros. É preciso sempre ficar de olho nos rótulos e nos fabricantes.

Fora do padrão

Para conduzir o estudo, os pesquisadores compraram 15 tipos de produtos com canabidiol de vários pontos, no sul da Flórida. A lista incluiu produtos tópicos (pomadas e cremes), comestíveis e bebidas com infusão, com diferentes preços.

E foram comprados em diferentes lugares: supermercados, lojas de Cannabis e postos de gasolina. Os produtos foram testados quanto ao conteúdo de CBD pela SC Labs, na Califórnia. E os resultados, comparados com a potência rotulada dos produtos.

Os produtos adquiridos em postos de gasolina norte-americanos apresentaram a maior variação entre a potência rotulada e os resultados do laboratório. Isso porque forneceram apenas 40% do CBD listado na embalagem. 60% dos itens comprados nesses postos não tinham CBD.

A potência dos itens comprados nas lojas de CBD também ficou aquém do conteúdo anunciado de canabidiol, com apenas 83%, em média, do CBD indicado no rótulo.

Os produtos comprados em supermercados eram consistentemente mais potentes do que os comprados em postos de gasolina e varejistas específicos para CBD. Na verdade, eles eram mais potentes do que o anunciado, fornecendo 136% da quantidade rotulada de CBD, em média.

Os pesquisadores também observaram tendências na variação de potência do CBD relacionadas ao tipo de produto e preço. Os tópicos foram os mais confiáveis, com 40% da potência anunciada, 40% contendo mais CBD do que o indicado e 20% com menos.

Três quartos dos produtos comestíveis tinham menos CBD do que o que fora rotulado. E o restante, era mais potente do que o anunciado. As bebidas infundidas com CBD foram as menos confiáveis: com 75% sem CBD e os 25% restantes mostrando menos do que a quantidade indicada, em testes de laboratório.

Análise de canabidiol por preço

Por preço, os produtos que 5 dólares ou menos, ficaram aquém do confiável, com metade contendo CBD não detectável e o restante contendo menos do que o anunciado.

Metade dos produtos na faixa de 10 a 15 dólares, continham menos CBD do que o anunciado. Um quarto possuía mais canabidiol do que o indicado e os 25% restantes eram como anunciados, definidos como contendo de 90% a 110% da quantidade rotulada de CBD.

Dos produtos que custavam 20 dólares ou mais, analisados pela pesquisa,  40% tiveram menos CBD do que o valor rotulado, outros 40% tiveram mais e 20% estavam de acordo com a embalagem.

A importância de pesquisar

Embora o tamanho da amostra tenha sido pequena, o estudo do CBD Awareness Project traz uma luz sobre a variação que pode existir entre o conteúdo de CBD de um produto e sua potência anunciada. Para aproveitar ao máximo sua compra, a Meadows sugere que os consumidores levem em conta que tipo de produto estão comprando e de quem o estão comprando.

“Deve-se pesquisar as marcas e tentar comprar CBD de uma fonte respeitável”, disse ele. “Como regra geral, não compre CBD em um posto de gasolina ou de lugares pouco confiávis, se estiver realmente procurando os benefícios de saúde do CBD.”

Não faltam opções marcas e tipos de óleo no exterior. Difícil é saber qual vale a pena. Para facilitar, separamos seis informações importantes.

Guilherme Dias 

Os óleos de Cannabis se popularizaram com o alto crescimento no mercado mundial no último ano. Mas esse sucesso todo ainda não alcançou o Brasil. Por aqui, os pacientes só têm duas opções de aquisição. Ou compram da Abrace, única associação com o aval da Justiça para cultivo e produção, ou importam, mediante autorização da Anvisa. Caso contrário, partem para o plantio individual, com ou sem aval da Justiça, ou até mesmo o mercado clandestino.

O cenário deve mudar, já que a Anvisa, enfim, regulamentou a venda de Cannabis medicinal em dezembro de 2019. Desde o início de março, as empresas interessadas em produzir óleo no país podem entrar com pedido na Anvisa para colocá-los à venda.

Mas até os produtos nacionais – ou mesmo os importados – chegarem às farmácias leva um tempo.

Enquanto essa realidade não chega, o caminho mais rápido ainda é a importação. Existem alguns sites que disponibilizam a compra online, mediante prescrição médica. Mas aí aparece o dilema: como saber qual óleo comprar? De qual marca? O Cannabis & Saúde vai te ajudar. Listamos a seguir seis dicas que você precisa saber antes de comprar qualquer produto à base de CBD.

1. Veja se o óleo foi testado por terceiros

É importante saber se o produto foi testado por mais de um laboratório – e não apenas o da empresa envolvida na produção. Procure pelos relatórios de qualidade disponíveis no site do produto.

Essas análises mostram a concentração de cada canabinoide no produto. Assim, você pode conferir se o produto cumpre com o prometido. Ou seja, se tem mesmo a quantidade de CBD ou THC prometida. Vale lembrar: a Anvisa restringiu a venda de produtos com concentração de THC superior a 0,2%.

A ausência desses documentos pode significar algumas coisas. Ou as concentrações dessas substâncias estavam abaixo ou acima daquele anunciado previamente pela empresa. Ou eles simplesmente esqueceram de publicá-los.

Nesses casos, melhor recorrer a produtos de outras marcas.

Mas também não vale o aval de qualquer laboratório. Confira se a análise vem de um estabelecimento credenciado pela Organização Internacional de Normalização (ISO). Isso significa que o laboratório atende a certos padrões e opera sob as diretrizes aprovadas e monitoradas pelo órgão.

Atente-se também para a data da análise. Se passar de doze meses, nem leve a sério. A análise precisa ser constantemente revista.

Alguns laboratórios realizam as análises, mas nem sempre disponibilizam na internet. No Brasil, o médico prescritor pode solicitar ao laboratório as análises para confirmar a veracidade das informações, uma vez que é o médico que prescreve o produto ao paciente.

2. Confira os ingredientes

Os ingredientes estão listados no rótulo. Se você ainda não está familiarizado com eles, basta fazer uma pesquisa rápida na internet para saber os possíveis efeitos colaterais.

Opte pelos ingredientes orgânicos e naturais ou por produtos com ingredientes extras que aumentam os benefícios do medicamento. Por exemplo: alguns óleos podem vir com uma dose de vitamina B12 para aumentar o efeito analgésico, ácidos ômega, dentre outros.

Se o fabricante disponibilizar a lista de terpenos presentes no óleo, melhor ainda. Cada um desses cheiros da Cannabis (saiba mais aqui) pode trazer diferentes benefícios ao organismo.

3. Prefira produtos orgânicos

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Há uma variedade larga de óleos no mercado estrangeiro. Alguns produtos vem com apenas um canabinoide isolado ou com uma quantidade ínfima de outro – pode ser majoritariamente composto por CBD, CBC, THC ou CBG (veja aqui os tipos de canabinoides).

Ou podem vir com uma série de canabinoides – é o que chama de full spectrum. Ou seja, vem com todos os componentes da planta, incluindo os terpenos, citados acima. Esses têm uma vantagem: passam por menos processos. E, com tantos componentes, podem potencializar o efeito do medicamento (o famoso “efeito entourage”).

5. Veja se o preço vale a pena

A regra é a mesma para outros produtos: pesquise para saber se o valor de mercado é mesmo aquele. Importante! Compare somente produtos semelhantes, com as mesmas concentrações de canabinoides, e veja se os preços batem. Mas, vale lembrar do item anterior, confira exatamente quais os ingredientes. Afinal, produtos premium podem ter mesmo valores mais altos. Atente-se ainda aos valores do frete.

Para comparar valores de produtos similares, você deve dividir o valor pela quantidade de miligramas (mg) total do produto R$/mg.

Como as prescrições em sua grande maioria são em gotas, você também pode fazer o comparativo dividindo o valor pela quantidade de mililitro (ml). R$/ml.

E, se quiser, pode ainda verificar qual a quantidade de gotas que o produto possui e por quanto tempo irá durar o produto conforme recomendação de uso que consta na prescrição médica. Em média, 1 ml de óleo de CBD corresponde a 20 gotas.

6. Confira a reputação da marca

Consumidor satisfeito elogia nas redes sociais. Por outro lado, consumidor insatisfeito reclama muito nas caixas de comentários. Dê uma conferida nos comentários deixados nas páginas das redes sociais de cada marca.

Outra forma de conferir é se o laboratório, fabricante dos produtos possui em seu site certificados de qualidade, bem como outras certificações e prêmios que também garantam um bom produto.

E por fim, para óleos de CBD produzidos nos Brasil, sugerimos também que procure realizar o checklist dos 6 itens acima, afinal vale a máxima: com a saúde, não se brinca.

Após o Conselho Federal de Medicina e o Ministério da Saúde autorizarem atendimento médico remoto durante o período da pandemia causada pela Covid-19, pacientes que fazem uso de derivados da maconha podem seguir com os tratamentos, sem risco de se expor ao vírus

Danilo Lacalle 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o uso da telemedicina para atendimento de pacientes,  diante da pandemia do novo coronavírus. O atendimento a distância, justamente pela política de distanciamento social, está sendo implementada no Brasil e em todo o mundo. A medida vale durante o período de quarentena causada pelo Covid-19.

Mas o que isso implica aos pacientes de Cannabis medicinal?

Com essa medida, o CFM busca contribuir para o aperfeiçoamento e a equidade de eficiência dos serviços médicos prestados no país, mesmo na situação atual.

Agora, a telemedicina poderá ser exercida nos seguintes moldes, durante a pandemia: teleorientação, que permite que médicos realizem a distância a orientação e o encaminhamento de pacientes em isolamento; telemonitoramento, que possibilita que, sob supervisão ou orientação médicas, sejam monitorados a distância parâmetros de saúde ou doença e a teleinterconsulta, que permite a troca de informações e opiniões exclusivamente entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Essas práticas são essenciais aos pacientes de Cannabis medicinal, que podem continuar com seus tratamentos de doenças crônicas e reumáticas, sem sair de casa, onde correm risco de serem infectados pelo Covid-19.

Para a Dra. Ana Paula Dall’Stella, especialista em radiologia e diagnóstico por imagem, e que há 5 anos trabalha com medicina funcional, além de ser pioneira na prescrição de derivados da planta no Brasil, o atendimento por telemedicina está sendo “prático e excelente”.

“Para os pacientes de Cannabis medicinal, a medida é essencial. Isso porque muitos estão no grupo de risco, que são as pessoas acima de 60 anos de idade, mas principalmente as que apresentam alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, ou doenças auto-imunes”, afirma.

O atendimento entrou em vigor para que a medicina caminhasse no mesmo sentido do trabalho conjunto realizado por todas as autoridades públicas de saúde estabelecidas em prol da população brasileira.

Com a permissão do Ministério, ficou permitido aos médicos fazerem consultas por meio de tecnologias interativas de comunicação, monitorar pacientes, além de emitir atestados, receitas médicas e determinar o isolamento domiciliar.

Fato que, para os pacientes de Cannabis, que em sua maioria não podem ficar sem o acesso às receitas médicas para a compra do medicamento, auxiliou a encurtar o tempo de espera para terem os medicamentos em mãos.

“A ideia é permitir que pacientes recebam as primeiras orientações, garantindo a segurança das informações e o sigilo médico”, revela a Dall’Stella.

“Além disso, os correios estão funcionando e as operações de importação não estão paradas. Outro ponto que auxilia os pacientes de Cannabis medicinal a continuarem seus tratamentos. O único problema é que eles, geralmente, importam (os remédios), e estão acontecendo atrasos para chegar”, completa.

A aprovação da telemedicina vale para todas as atividades da área de saúde, de acordo com o Conselho Federal de Medicina.

Além de médicos de diferentes especialidades, outros profissionais como nutricionistas e psicólogos também podem fazer atendimento a distância. E vale tanto para o SUS quanto para a rede de saúde privada.

Pesquisas apontam que o CBG tem propriedades antiinflamatórias, anticonvulsivo, sedativo, antitumorígeno, e reduz a pressão intraocular

Aline Vessoni 

Não há dúvidas: doenças graves ou crônicas alteram a sensação de fome entre pacientes. Francislaine Assis, diagnosticada com fibromialgia e outras enfermidades, só recuperou a vontade de comer depois de fazer uso de remédios à base de THC.

“É um benefício, porque tenho anorexia patológica. É difícil comer. Às vezes fico com enjoo o dia todo, mas quando uso o óleo consigo me alimentar”, relata a paciente.

Mas talvez a chave da fome não esteja exatamente nesse canabinoide. O Canabigerol (CBG) pode também ser um estimulante do apetite.

A suspeita vem de uma pesquisa britânica. Por lá, os pesquisadores extraíram o THC da planta e administraram uma dose do extrato de Cannabis em ratos. E, para surpresa deles, os roedores passaram a comer mais, apesar da ausência do THC.

Eles, então, fizeram outro teste: administraram doses apenas de CBG. Um grupo de ratos recebeu uma dose placebo, sem qualquer efeito, e outros uma injeção com esse canabinoide. Em duas horas, o segundo grupo comeu duas vezes mais do que os outros animais.

Com uma vantagem: ao contrário do THC, o CBG não tem propriedades psicoativas. E, por conta disso, os ratos não demonstraram qualquer alteração neuromotora.

E no Brasil, justamente por conta dessa psicoatividade, o THC ainda tem uso bastante restrito: conforme a regulamentação da Anvisa, acima de 0,2%, só pode ser prescrito a pacientes terminais que tenham esgotado outras formas de tratamento, por cuidados paliativos. O CBG seria uma forma de suprir as propriedades medicinais do THC.

Ainda faltam testes em humanos, mas os pesquisadores veem potencial no CBG para tratar transtornos alimentares.

Afinal, o que é CBG?

Nem tudo se resume aos canabinoides quando se fala em maconha. Ainda que o potencial terapêutico do THC e CBD apareçam com força nas pesquisas científicas, há muito a ser estudado nos mais de 500 compostos químicos da planta. Cerca de 100 deles são canabinoides.

Um deles é o canabigerol. E é partir do CBG que CBD e THC são produzidos. Mas ele passa quase despercebido nas variedades de cannabis. Isso porque sua concentração, em geral, não chega a 1%.

Contudo, pesquisas mostram diversos potenciais terapêuticos do composto. Funciona como antiinflamatório, anticonvulsivo, sedativo, antitumorígeno, e reduz a pressão intraocular (ou seja, auxilia no tratamento de glaucoma)

CBG contra superbactérias

Em uma pesquisa recente, pesquisadores canadenses testaram a eficácia do CBG contra bactérias resistentes a antibióticos. E o canabinoide mostrou potencial em eliminar o Staphylococcus Aureus (MRSA) – uma superbactéria comum em hospitais.

Os testes, mais uma vez, foram feitos em ratos. Após isolarem cinco compostos da Cannabis, pesquisadores canadenses constataram a eficiência do CBG em eliminar a MRSA, além de outras bactérias. O efeito do canabinoide foi semelhante ao da vancomicina, substância normalmente utilizada nesses casos.

A vancomicina, no entanto, pode causar febre, calafrios e flebites associados ao período de infusão.

Efeito entourage

Na verdade, quanto mais compostos presentes nos óleos ou remédios à base de Cannabis, mais os efeitos positivos.

É o que o médico Raphael Mechoulam, o “pai da cannabis”, batizou como “efeito entourage”. Em 1998, o renomado cientista, junto com Shimon Ben-Shabat, publicou um artigo confirmando evidências sobre esses efeitos. De acordo com ele, o sistema endocanabinoide reagia melhor, estimulando ainda mais a atividade dos endocanabinoides, quando a Cannabis era composta de vários elementos, ainda que inativos, e não apenas um.

Em outras palavras, um remédio com teores de THC e CBD – ou a união de quaisquer outros compostos – funcionaria melhor do que um óleo com apenas um dos desses canabindoides. É fácil entender o motivo: se cada elemento gera um efeito diferente no organismo, isolar os elementos reduz a gama de possíveis resultados terapêuticos.

Falta ainda à ciência comprovar como a junção de vários desses compostos interage no organismo e potencializa seus efeitos terapêuticos.

ENTREVISTA: “CBG pode ser uma opção ao THC”, diz médico Dr. Ricardo Ferreira

O Dr. Ricardo Ferreira é ortopedista, e desde que terminou a residência atua em uma clínica da dor, onde faz cirurgias de coluna. O médico é um dos precursores na prescrição de derivados de Cannabis no Brasil.

Segundo as pesquisas do Dr. Ferreira, o canagiberol seria um precursor natural. Por isso, para se ter um produto com maior concentração desse canabinoide, seria necessário colher a planta mais verde, antes do tempo: “quer dizer, a mesma planta que produz o THC, se ela for colhida algumas semanas antes, ela vai ser rica em CBG.”

E isso quer dizer, ela é como a célula-tronco desses diversos canabinóides?

É mais ou menos, ela é um precursor. Não é bem célula-tronco. Na verdade, os canabinoides vão modificando com o passar do tempo. E o CBG é como se fosse um pré-canabinoide que se transforma em THC e CBD na própria planta num processo biológico. Então é como se fosse uma célula-tronco, mas não exclusivamente.

E por que o senhor acha que, sendo precursor, o CBG tem sido ignorado para a produção de medicamento?

Não é que tem sido ignorado. É que se acreditava que a planta deveria ter um certo grau de maturação para ser colhida, e esse paralelo foi tirado com a Cannabis recreativa. Tudo que se usa de Cannabis medicinal vem de uma prática empírica recreativa. Então, na produção recreativa, mesmo produção supostamente medicinal que tinha na Califórnia há bastante tempo, e no Colorado, via-se um momento ideal para fazer a colheita da planta.

Com esse momento ideal, você teria maior volume de planta e, ao mesmo tempo, maior concentração de canabinoides que se queria, o CBD e o THC. Só que infelizmente o CBD e o THC não atendem a todas as demandas.

Tem pacientes que o THC causa efeitos psicóticos, ansiedade, paranoia, e que é bastante comum esse tipo de efeito negativo, tem pacientes que usam CBD para dor, e a dor dele não é aliviada, nem com doses bastante alta.

O CBG é um outro canabinoide que deve ser utilizado em situações especiais, principalmente para aquele paciente – meu foco todo é em dor – que se dão bem para o alívio da dor com o THC, mas que tem efeitos psicoativos desconfortáveis.

E para muitos pacientes, é difícil conseguir administrar a dose do THC que promova o alívio da dor, sem deixá-lo chapado. Para muitas pessoas, os efeitos do THC são positivos, mesmo o psicoativo pode ser positivo: a pessoa sente uma sensação de bem-estar, de prazer, de relaxamento, ou até mesmo uma certa sonolência.

Mas, para outras o efeito é ruim: de estar fora do seu lugar, de não-pertencimento, aquilo que chamamos de bad trip. Daí o CBG é interessante justamente para essas pessoas, porque você tem o efeito analgésico semelhante ao do THC, só que sem o efeito psicoativo euforizante.

E tem um efeito sedativo mais importante. Ele é mais efetivo que o THC no ponto de vista da sedação, mas do ponto de vista de ansiedade e paranoia, tem um efeito bem mais reduzido do que o THC.

Qual o paciente ideal para fazer uso do CBG?

É o paciente que tem insônia como sintoma principal ou importante para ele, ou então um paciente que faz uso do CBD e não funciona bem para ele, que faz uso do THC e funciona do ponto de vista da dor, mas tem um efeito psicoativo ruim. Daí o CBG é interessante para o período de fim de tarde, noite, pelo efeito sedativo importante.

Para quem usa o THC e tem o efeito psicoativo negativo da ansiedade, da paranoia, o CBG seria uma opção?

Ele pode ser uma opção. Na medicina de dor, é sempre tentativa e erro. Não é que o CBG vai ajudar todo mundo, não é isso, ele tem a possibilidade de ajudar em alguns casos, pessoas que utilizam o THC ou o CBD e ou não tem alívio da dor, ou que tem efeito colateral, principalmente com THC que não permita que ela continue utilizando.

Eu também trabalho em uma empresa no Canadá, e lá eles têm uma experiência grande de CBG, já tem produtos, tanto extratos quanto a planta in natura, que já são trabalhadas para ter o CBG como canabinoide principal, ou sendo secundário, mas com uma proporção interessante de CBG. E aqui no Brasil, a gente está iniciando o mercado agora. Então as empresas importando, e colocando no mercado primeiro o CBD e o THC e num futuro bem próximo a gente deve encontrar outros canabinoides também.

Conhece experiências no Canadá que tratam a dor com CBG?

Sim, com esses critérios que eu te falei. Quando a gente pensa do ponto de vista terapêutico, tratando pacientes com dor, a gente tem que guiar o paciente por um caminho.

Imagina um paciente que nunca experimentou Cannabis, recreativamente ou terapeuticamente. E tem uma dor crônica que não melhora com nada. A primeira opção para esse paciente é o extrato ou a planta com CBD, por não ter um efeito psicoativo se apresenta mais seguro para esse paciente.

E ele tem um potencial de alívio da dor. De 50% a 60% dos pacientes sentem alívio da dor com CBD. Quando o paciente não melhora com CBD, aí você adiciona o THC junto, associar os dois ou tirar o CBD, começa com uma dose baixa e vai aumentando progressivamente.

Nesse aumento, se se percebeu melhora da dor, mas com efeito psicoativo indesejável – por exemplo, a pessoa passa o dia chapada, ou com mania de perseguição, ou com alterações comportamentais que a incapacitam de ir para o trabalho – assim tem que lançar mão de outras opções: como aumentar o CBD ou usa outro canabinoide.

Houve um aumento de 180% no consumo da planta entre participantes com diabetes. Entre pessoas com um ou nenhum tipo de doenças crônicas, houve crescimento de 95% no uso de cannabis

Cada vez mais, desde a liberação e regulamentação da cannabis em vários estados americanos, os idosos de lá usam a planta para tratar doenças crônicas ou problemas típicos da terceira idade. Segundo pesquisa da Universidade de Nova York, o consumo entre homens e mulheres com mais de 65 anos subiu 75% em um ano.

O crescimento é maior principalmente entre pacientes com diabetes –  aumento de 180%. O levantamento detectou ainda uma alta de 95% no uso de cannabis em pessoas com um ou nenhum tipo de doença crônica.

Pacientes com doenças mentais também aderiram à cannabis medicinal, com aumento de 157,1% no consumo.

A análise da Universidade de Nova York teve como base a Pesquisa Nacional sobre uso de Drogas e Saúde, que entrevistou 14.896 idosos com 65 anos ou mais, de 2015 a 2018 – com maioria de pessoas brancas (77%). Com esses dados, concluíram ainda que o uso de cannabis cresceu principalmente entre homens e mulheres com maiores rendimentos familiares.

Há uma preocupação: boa parte deles também consome bebidas alcoólicas, o que é arriscado. A pesquisa sugere novos e mais aprofundados estudos para orientar os idosos sobre o uso de cannabis conjugado a outra substância.

Cannabis é considerada essencial

Dispensários de maconha foram considerados essenciais em San Francisco, Califórnia, na atual pandemia ocasionada pelo coronavírus. Além de farmácias, postos de gasolina e mercados, estabelecimentos que comercializam Cannabis permanecem abertos nesta quarentena mundial.

Segundo a Rádio Pública Nacional norte-americana (NPR), autoridades trabalham em uma estratégia para permitir que essas empresas apoiem o acesso dos moradores à planta durante a crise.

No Reino Unido, a primeira rede de clínicas fornecedora de cannabis, denominada Sapphire, foi autorizada a realizar consultas por vídeo. Porém, esse serviço continua limitado, mesmo após a legalização da maconha para uso médico em 2018.

Médico é uma referência no combate ao câncer no Brasil e nos últimos anos tem se dedicado às terapias com canabinoides. Nesta entrevista ao portal Cannabis & Saúde, Gusmão fala sobre as descobertas da ciência no uso da planta pela oncologia.

O oncologista Dr. Cid Buarque de Gusmão tem um currículo extenso na pesquisa do câncer no Brasil. Foi presidente de entidades como a Sociedade Paulista de Oncologia Clínica e o Instituto Brasileiro de Pesquisa em Câncer (IBPC). Também coordenou o departamento de Oncologia Mamária do Instituto do Câncer de São Paulo. Nos últimos anos, o médico passou a pesquisar o uso da Cannabis no tratamento dos sintomas paliativos do câncer. Atualmente Gusmão é diretor médico da OnixCann, healthtech brasileira de Cannabis medicinal, e tem ministrado cursos sobre o assunto a profissionais de saúde.

Em entrevista ao portal Cannabis & Saúde, Gusmão destacou o papel da planta no combate aos sintomas paliativos do câncer, como náuseas, vômitos, insônia falta de apetite, e na dor  O médico salientou também que, ao complementar o tratamento com óleo, o paciente pode vir a reduzir o uso das medicações tradicionais utilizadas no tratamento destes sintomas e seus efeitos colaterais.

“Às vezes, o paciente está tomando três remédios para o controle da dor e passa a precisar de um ou dois, além de menos doses de cada. Consequentemente, além da melhora clínica, ele tem menos efeitos colaterais”.

Além dessa redução de remédios, chamada de polifarmácia, Gusmão destaca outro benefício: a redução da toxicidade financeira.

“Quer dizer, se ele pode tomar menos medicação, ele tem uma redução de gasto financeiro importante”.

O que hoje a gente tem comprovado pela ciência sobre o uso da Cannabis no tratamento do câncer?

Os estudos recentes têm mostrado impacto na qualidade de vida do paciente através da melhora do controle dos sintomas da doença e dos efeitos colaterais do tratamento. Já existem estudos recentes, bastante robustos neste sentido. Aliás, foi a primeira liberação para Cannabis nos Estados Unidos.

O Dronabinol foi aprovado no final de década de 80 pelo FDA (a Anvisa dos EUA) para controle de náusea e vômitos causados pela quimioterapia. Mais recentemente, em 2006, a Nabilona foi aprovada pelo FDA para o auxílio no controle da náusea e vomito causados pela quimioterapia

Hoje, estudos mostram o benefício potencial do uso da cannabis medicinal para vários outros tipos de sintomas da doença e do tratamento, como por exemplo, na melhora da neuropatia periférica induzida por alguns quimioterápicos, na melhora do apetite, na dor oncológica, na anorexia (falta de apetite), no sono, levando a uma melhora do estado geral em termos de qualidade de vida.

Na área do câncer, são vários os estudos que mostram que os indicadores de qualidade de vida durante o tratamento melhoram com o uso da Cannabis. Já é utilizada largamente por oncologistas no mundo inteiro, principalmente nos países onde já era liberada a comercialização.

No Brasil o uso sempre foi um pouco menor, pois dependia de liberação de importação pela Anvisa. O uso tende a aumentar bastante agora com a portaria que liberou para registro de medicações de Cannabis no país. 

E que tipo de medicamentos são esses usados nos cuidados paliativos? São ricos em CBD, THC?

Depende da indicação. Tem indicações que você utiliza CBD exclusivamente. Tem medicações que você utiliza o CBD e o THC, que são aquelas apresentações full spectrum e as conhecidas como blend.

A diferença serão as concentrações de CBD e THC presentes na medicção. Existem ainda, indicações onde são necessárias maior concentração de THC do que CBD. Nesse último caso, é necessário um cuidado maior na dose, por causa dos efeitos colaterais relacionados a psicoatividade que o THC pode dar. 

Hoje no Brasil o que a gente tem de estudo nessa área?

Neste momento, o País não possui nenhum estudo clínico aberto. Existem sim, estudos clássicos, antigos, de relevância internacional, realizados no Brasil coordenados pelo Dr. Elisaldo Carlini, na UNICAMP e pelo o Dr. Renato Filev, da Escola Paulista de Medicina.

Até este momento a autorização para a realização de um estudo clínico relacionado a cannabis era bastante complexa. Por não ser uma medicação liberada no país, e estando dentro da legislação de substâncias proibidas, isto tornava a liberação destes estudos bastante complexa em termos de autorização pelos comitês de ética em pesquisa e pelas agências regulatórias. 

Mas agora, com a mudança da legislação referente a cannabis medicinal, no ano de 2021 nós já devemos começar a ver estudos clínicos serem instituídos no País.

Hoje para um paciente oncológico ter acesso a essa medicação, qual é o procedimento que ele deve ter?

Ainda é necessária a liberação de importação liberação pela Anvisa, até que tenhamos a medicação comercializada nas farmácias. Essa liberação estava em 45 dias, mas já temos pacientes conseguindo essa autorização em 20 dias. Facilitou bastante, porque agora só precisa da prescrição médica, não é mais necessário relatório, aquela análise toda envolvida anteriormente.

A expectativa da comunidade médica é que no segundo semestre já tenhamos remédios disponibilizados nas farmácias. A medicação será disponibilizada com receita controlada, semelhante a uma prescrição de antibiótico. E para medicações contendo THC, a receita a ser realizada é a mesma da utilizada para as medicações opioides. De qualquer forma, muito mais simples, facilitando bastante o acesso dos pacientes a medicação.

Quais são os medicamentos tradicionais que a Cannabis substitui?

Muitas vezes, não é que ela substitua. Por exemplo: um paciente está com dor, ele está usando uma quantidade grande de opioides, analgésicos e antidepressivos. Você introduz a Cannabis e, na grande maioria das vezes, consegue diminuir essa polifarmácia do paciente, além de diminuir os sintomas.

Ou seja: diminui a dose das medicações que ele toma, tradicionais, e muitas vezes, retira algumas medicações. Às vezes, o paciente está tomando três remédios para controle da dor e passa a precisar de um ou dois, e menos dose de cada um. Consequentemente, além da melhora clínica, ele tem menos efeitos colaterais. Esse raciocínio vale para as outras indicações, para náusea e vômito, melhora do sono, ansiedade.

Então, a questão não é nem a substituição em si, mas a redução da polifarmácia. E você tem outro benefício que é reduzir a toxicidade financeira, que temos que levar em conta. Ou seja, se o paciente passa a utilizar menos medicação, ele acaba por ter uma redução de gasto financeiro importante.

E com relação à possibilidade da Cannabis de fato matar células cancerígenas, o que se tem de comprovação?

Em seres humanos neste momento, nenhuma. É uma coisa comum de acontecer na Medicina, que é o hype, uma expectativa exacerbada, causada por notícias colocadas antes da hora e fora do contexto.

Existem estudos iniciais de células em laboratório, em células tumorais.  Para isso passar a ser utilizado no ser humano, tem que passar por várias fases, que envolvem estudos em modelo animal, após estudos de segurança e toxicidade, estudos de eficácia e somente após, se comprovados, liberado para uso clínico. 

Estamos ainda no passo um, no laboratório, na célula. Até chegar as pessoas, existe ainda um longo caminho a ser a ser percorrido.

Para encerrar, a gente está falando em cuidados paliativos, mas qual é a forma de vida ideal para a gente evitar o câncer?

O câncer é uma mistura de fatores genéticos com fatores ambientais, onde agentes externos levam a mutações nas células, causando alterações no DNA células e fazendo com que as células passem a receber instruções erradas para suas atividades. A minoria dos tumores é causada por alterações genéticas hereditárias, a maior parte decorre destas interações com o meio externo. Assim, o mais importante para diminuirmos nosso risco de desenvolver o câncer é a prevenção. São medidas simples de alteração de comportamento e hábitos de vida, que podem reduzir em cerca de um terço o número de novos casos de câncer.

Por exemplo, o cigarro possui mais de 4.700 substâncias cancerígenas e a grande maioria, cerca de 90% dos tumores de pulmão ocorrem nos pacientes fumantes. Cigarro também está associado a câncer de pâncreas, bexiga, fígado, colo de útero, esôfago, rim, laringe, cavidade oral, faringe, estomago. Sedentarismo e obesidade também estão associados a vários outros tumores: mama, cólon, endométrio. Quer dizer: ter uma vida ativa, não ser sedentário também diminui o risco de câncer.

Da mesma forma, ter uma alimentação saudável, evitando alimentos super processados, principalmente os embutidos, como bacon, hambúrguer, presunto, evitar uma dieta excessiva de carboidratos, procurar comer mais fibras e vegetais. Fazendo isto, você irá diminuir seu risco, por exemplo, de desenvolve um câncer de cólon, de intestino.

Não quer que você não possa comer um hambúrguer, mas é óbvio que você não deve comer x-bacon todo dia. Só essas mudanças de hábitos na sua vida reduzem o risco de câncer em um terço. E isto é tão ou mais importante do que descobrir remédios.

Colaborando para que esse cenário termine o mais rápido possível, o Sechat selecionou dez filmes para ver enquanto estiver em casa

Com pandemia de coronavírus que está acontecendo no mundo, a forma mais eficaz que encontraram até agora para conter a contaminação é o isolamento.

Com tempo de sobra, essa rotina de confinamento pode se tornar entediante para algumas pessoas, mas também pode ser uma ótima oportunidade para expandir seus conhecimentos e se jogar de cabeça em assuntos do seu interesse que não tinham espaço numa rotina mais agitada.

Para colaborar com o processo de quarentena, o Sechat selecionou dez filmes para ver enquanto estiver em casa, colaborando para que esse cenário termine o mais rápido possível.

Quem quiser assistir aos filmes e documentários basta acessar a playlist que criamos no canal do YouTube do Sechat. Lá é possível ter acesso ao conteúdo completo ou aos trailers das produções.

Veja a lista, faça sua escolha e aprenda mais sobre o universo da Cannabis.

1- Estado de Proibição

2- Ilegal

3- Weed for the People

4- Weed: A CNN Special Report

5- Quebrando o Tabu

6- The Scientist

7- The Legend of 420

8- A História da Maconha

9- Salvo Conduto

10- Waiting to Inhale

A pandemia que se instaurou devido ao novo Coronavírus fez com que diversos estados americanos adotassem medidas preventivas para evitar o contágio da doença em maior escala. Entre elas, estão o fechamento de shoppings, comércios de vestimentas e pontos de entretenimento como teatros e cinemas. Estão sendo permitidos apenas o funcionamento de lugares essenciais para os cidadãos, como hospitais, farmácias ou supermercados. E, na Califórnia, outro setor entrou para a lista: os dispensários de Cannabis.

No estado, onde a planta é legalizada para uso médico e recreativo, as autoridades de São Francisco fizeram distinções entre os dois mercados, antes de decreto.

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Na terça-feira, a cidade emitiu uma ordem de saúde pública exigindo o fechamento de negócios não essenciais. Embora os dispensários de maconha medicinal fossem considerados essenciais, portanto isentos, os varejistas do uso recreativos não eram e estavam proibidos. No dia seguinte, o site municipal foi atualizado, falando que instalações médicas e recreativas eram consideradas essenciais. Ellen Komp, vice-diretora do grupo californiano de advocacia NORML, explicou que muitos varejistas atendem aos dois mercados, assim como o restante da cadeia de suprimentos de Cannabis.

No período atual, as lojas de Cannabis estão presenciando um grande aumento nas vendas que começaram no fim de semana. Além da Califórnia, alguns estados, como Michigan, Illinois, Massachusetts, Washington e Nova York, publicaram boletins que afrouxam os regulamentos sobre entrega e transações na loja, a fim de limitar o contato entre pacientes e fornecedores.

Dispensários de cannabis fora da Califórnia

De acordo com orientação pública emitida pelo Departamento de Saúde de Nova York, os dispensários do estado poderão expandir seu serviço de entrega sem a aprovação prévia do governo. Além de realizar vendas pela porta da loja, desde que cumpram todos os regulamentos e leis, como registrar a transação na câmera e validar a identificação dos pacientes.

No último sábado, um canal de televisão de Boston transmitiu imagens de clientes fazendo fila do lado de fora do New England Treatment Access (NETA), em Brookline. Uma das poucas lojas de Cannabis licenciadas que operam em Massachusetts. Ainda, a loja anunciou que apenas atenderá à demanda de clientes que fizerem suas compras com antecedência, devido à alta procura. Dentro da loja, os funcionários estavam utilizando luvas de látex e álcool em gel, que ficava ao lado de cada caixa.

Em Illinois, Pensilvânia e Washington, o governo determinou que os dispensários de Cannabis também façam suas vendas nas “propriedades do estabelecimento”, não sendo permitida a entrega por meio de delivery aos pacientes.

De acordo com o Departamento de Saúde da Pensilvânia, em declaração oficial na última terça-feira, “os dispensários de maconha medicinal são considerados iguais às farmácias. Portanto, são essenciais durante esse período de quarentena”.

A Comissão de Controle de Cannabis de Massachusetts aconselhou, na sexta-feira, os dispensários médicos a prestarem serviços nas áreas dos estabelecimentos, pedindo para que os pacientes peçam individualmente e em maiores quantidades.

Em Michigan, a agência reguladora da Cannabis declarou que aprovar todos os métodos de entrega usados ​​pelos varejistas dos dispensários.

Vale lembrar que, nos Estados Unidos, apenas 3 dos 50 estados não permitem a utilização da cannabis. E 11 destes permitem a utilização da planta para fins recreativos.

Fonte: Portal Cannabis e Saúde, matéria publicada em 19/03/2020.

Cheia de propriedades anti-inflamatórias, a Cannabis pode auxiliar no aumento da imunidade. Mas é falsa a informação que ela combate o Coronavírus e, para evitar a doença, as já conhecidas medidas de prevenção devem ser seguidas

No cenário atual, onde a ciência corre contra o tempo para conseguir achar uma solução que pare a pandemia do Coronavírus, a população tem buscado a prevenção e o aumento de imunidade. 

E, para isso, não faltam alternativas. Fontes de vitamina C estão sendo as mais procuradas. Mas uma questão tem sido levantada: o CBD e a Cannabis medicinal podem afetar a contração ou a recuperação do Covid-19? Além disso, existe possibilidade de que anti-inflamatórios tenham efeito positivo no combate, lembrando que o CBD também é um anti-inflamatório?

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Nos hospitais, a recomendação médica tem sido manter o acetaminofeno para a febre. Evitando os Anti-Inflamatórios sem esteroides, como o Ibuprofeno. Mas a questão em relação à efetividade da cannabis no combate ao coronavírus se deu graças às redes sociais.

No Facebook, muitos defensores da CBD e da cannabis estão alegando que eles aumentaram sua imunidade com sucesso contra todos os vírus. Além disso, estão recomendando que outras pessoas façam o mesmo. Fato que deixa a comunidade médica preocupada quanto à veracidade de afirmações e a disseminação de fake news que ocorrem nestes períodos de notícias cruzadas. Isso porque a intenção é que as pessoas se informem ao máximo, protegendo a própria saúde e a dos demais entes queridos.

Hoje, temos evidências de que a Cannabis pode melhorar o sistema imunológico. Doenças como fibromialgiaepilepsia, e até mesmo dores causadas por inflamações podem se enquadrar em um tratamento medicinal com a planta. Existem, inclusive, alguns estudos sobre o uso de cannabis medicinal e uso de cannabis defumado com a progressão do HIV.  Porém, quanto ao CBD e à cannabis, não existem estudos mostrando sua efetividade perante ao coronavírus.

Mesmo aumentando o sistema imunológico, isso não signfica que quem usa a cannabis esteja imune à infeção. Mas também não significa que uma pessoa que contraia o vírus e tenha falta de ar, não possa se beneficiar do uso da medicação para aliviar os sintomas. Apesar que, ao apresentar sintomas mais graves, a pesosoa deve ser levada a um hospital, onde não deve ser administrado o uso de cannabis. A não ser, claro, que já faça uso regular do medicamento e os médicos concordem em manter esse tratamento. É o que explica a médica Ane Hounie, pós-doutora em Psiquiatria pela USP e que hoje é uma das principais especialistas em Cannabis medicinal no Brasil.

Quando as pessoas disseminam a notícia de uma “cura milagrosa”, é preciso ter em mente que este fato, mesmo que bem intencionado, pode prejudicar a indústria. Isso porque as pessoas podem passar a buscar o medicamento como uma solução 100% eficaz e, assim, estarem suscetíveis a golpes.

Esse efeito pode distanciar a medicina e os pesquisadores mais “convencionais, prejudicando o progresso que a medicina vegetal fez nos últimos anos. Estes, por meio de pesquisas e projetos acadêmicos, em parceria com grandes universidades.

Fake news divulgada na internet sobre Cannabis e Coronavírus

Fake news divulgada na internet sobre Cannabis e Coronavírus

A cannabis e o auxílio ao sistema imunológico

Como já se sabe, o grupo de risco dos infectados pelo Covid-19 é bem claro: pessoas maiores de 60 anos. Além disso, enquadram-se, também, os que têm doenças autoimunes, pulmonares, pacientes oncológicos e quem tem problemas com imunidade, em geral.

Primeiro, é importante que se evite o consumo de álcool, fator que influencia na queda da imunidade. Além disso, permanecer ativo enquanto ficamos em casa e adotar uma simples prática de relaxamento ou meditação, para diminuir o estresse, também é uma boa medida.

Comer uma dieta rica em micronutrientes como zinco, vitamina C, flavonóides como a quercetina (presentes nas maçãs e brócolis e…cannabis),  são coisas boas para começar agora, se você ainda não fez.

Além disso, é ideal que nossa melatonina esteja alta. Este é o hormônio do sono, produzido enquanto dormimos. Fundamental para a função imunológica saudável. As práticas de respiração profunda e o riso também podem ter um efeito positivo em nosso sistema imunológico. Assim, você pode se auto-ajudar na quarentena vendo um filme engraçado e dando uma boa gargalhada profunda, para fazer com que os pulmões funcionem enquanto você se isola.

Mesmo se você fizer tudo certo, ainda poderá contrair o coronavírus. Mas a “boa” notícia é que a maioria das pessoas que não pertencem a grupos de alto risco, terão um curso leve de doença e se recuperarão em casa. Algumas pessoas, inclusive, podem até não apresentar nenhum sintoma. Ou, até mesmo, saber que o tiveram. Razão pela qual o distanciamento social é tão importante, uma vez que se pensa que as taxas de transmissão assintomáticas são bastante altas com o Covid-19. A única maneira de se proteger contra o vírus, é o isolamento social. Mantendo-se fora de circulação. E que, quando sair, exerça as devidas precauções.

Fonte Portal Cannabis e Saúde, matéria publicada em 20/03/2020