Cheia de propriedades anti-inflamatórias, a Cannabis pode auxiliar no aumento da imunidade. Mas é falsa a informação que ela combate o Coronavírus e, para evitar a doença, as já conhecidas medidas de prevenção devem ser seguidas

Danilo Lacalle 

No cenário atual, onde a ciência corre contra o tempo para conseguir achar uma solução que pare a pandemia do Coronavírus, a população tem buscado a prevenção e o aumento de imunidade. E, para isso, não faltam alternativas. Fontes de vitamina C estão sendo as mais procuradas. Mas uma questão tem sido levantada: o CBD e a Cannabis medicinal podem afetar a contração ou a recuperação do Covid-19? Além disso, existe possibilidade de que anti-inflamatórios tenham efeito positivo no combate, lembrando que o CBD também é um anti-inflamatório?

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Nos hospitais, a recomendação médica tem sido manter o acetaminofeno para a febre. Evitando os Anti-Inflamatórios sem esteroides, como o Ibuprofeno. Mas a questão em relação à efetividade da cannabis no combate ao coronavírus se deu graças às redes sociais.

No Facebook, muitos defensores da CBD e da cannabis estão alegando que eles aumentaram sua imunidade com sucesso contra todos os vírus. Além disso, estão recomendando que outras pessoas façam o mesmo. Fato que deixa a comunidade médica preocupada quanto à veracidade de afirmações e a disseminação de fake news que ocorrem nestes períodos de notícias cruzadas. Isso porque a intenção é que as pessoas se informem ao máximo, protegendo a própria saúde e a dos demais entes queridos.

Hoje, temos evidências de que a Cannabis pode melhorar o sistema imunológico. Doenças como fibromialgiaepilepsia, e até mesmo dores causadas por inflamações podem se enquadrar em um tratamento medicinal com a planta. Existem, inclusive, alguns estudos sobre o uso de cannabis medicinal e uso de cannabis defumado com a progressão do HIV.  Porém, quanto ao CBD e à cannabis, não existem estudos mostrando sua efetividade perante ao coronavírus.

Mesmo aumentando o sistema imunológico, isso não signfica que quem usa a cannabis esteja imune à infeção. Mas também não significa que uma pessoa que contraia o vírus e tenha falta de ar, não possa se beneficiar do uso da medicação para aliviar os sintomas. Apesar que, ao apresentar sintomas mais graves, a pesosoa deve ser levada a um hospital, onde não deve ser administrado o uso de cannabis. A não ser, claro, que já faça uso regular do medicamento e os médicos concordem em manter esse tratamento. É o que explica a médica Ane Hounie, pós-doutora em Psiquiatria pela USP e que hoje é uma das principais especialistas em Cannabis medicinal no Brasil.

Quando as pessoas disseminam a notícia de uma “cura milagrosa”, é preciso ter em mente que este fato, mesmo que bem intencionado, pode prejudicar a indústria. Isso porque as pessoas podem passar a buscar o medicamento como uma solução 100% eficaz e, assim, estarem suscetíveis a golpes.

Esse efeito pode distanciar a medicina e os pesquisadores mais “convencionais, prejudicando o progresso que a medicina vegetal fez nos últimos anos. Estes, por meio de pesquisas e projetos acadêmicos, em parceria com grandes universidades.

A cannabis e o auxílio ao sistema imunológico

Como já se sabe, o grupo de risco dos infectados pelo Covid-19 é bem claro: pessoas maiores de 60 anos. Além disso, enquadram-se, também, os que têm doenças autoimunes, pulmonares, pacientes oncológicos e quem tem problemas com imunidade, em geral.

Primeiro, é importante que se evite o consumo de álcool, fator que influencia na queda da imunidade. Além disso, permanecer ativo enquanto ficamos em casa e adotar uma simples prática de relaxamento ou meditação, para diminuir o estresse, também é uma boa medida.

Comer uma dieta rica em micronutrientes como zinco, vitamina C, flavonóides como a quercetina (presentes nas maçãs e brócolis e…cannabis),  são coisas boas para começar agora, se você ainda não fez.

Além disso, é ideal que nossa melatonina esteja alta. Este é o hormônio do sono, produzido enquanto dormimos. Fundamental para a função imunológica saudável. As práticas de respiração profunda e o riso também podem ter um efeito positivo em nosso sistema imunológico. Assim, você pode se auto-ajudar na quarentena vendo um filme engraçado e dando uma boa gargalhada profunda, para fazer com que os pulmões funcionem enquanto você se isola.

Mesmo se você fizer tudo certo, ainda poderá contrair o coronavírus. Mas a “boa” notícia é que a maioria das pessoas que não pertencem a grupos de alto risco, terão um curso leve de doença e se recuperarão em casa. Algumas pessoas, inclusive, podem até não apresentar nenhum sintoma. Ou, até mesmo, saber que o tiveram. Razão pela qual o distanciamento social é tão importante, uma vez que se pensa que as taxas de transmissão assintomáticas são bastante altas com o Covid-19. A única maneira de se proteger contra o vírus, é o isolamento social. Mantendo-se fora de circulação. E que, quando sair, exerça as devidas precauções.

Casos de depressão e crises de ansiedade devem aumentar durante o isolamento social – única saída para frear a disseminação da Covid-19. E a Cannabis tem se mostrado eficiente no tratamento de doenças mentais

Denise Tamer 

A China, primeiro país atingido pela Covid-19, correu atrás de soluções para dar assistência psicológica aos cidadãos. Psicólogos e psiquiatras abriram canais de atendimento online e publicaram uma série de recomendações.

Era importante. Segundo pesquisadores chineses, o país viveu também uma crise de saúde mental durante a pandemia. Medo da morte e o isolamento social agravaram os problemas.

E o Brasil provavelmente passará pela mesma situação. A psicóloga Jaqueline Azzi alerta para uma piora no número de pessoas que possam desenvolver depressão em 2020. Ou seja, pessoas saudáveis podem apresentar quadros depressivos por conta do isolamento – a única medida comprovadamente efetiva para evitar a rápida disseminação do novo coronavírus.

Não apenas por conta da quarentena. Mas também pelo bombardeamento de notícias que geram medo.

“O medo é um estado de vibração ruim. No corpo físico, o medo baixa a imunidade”, explica Azzi. “Entramos em um estado de defesa que libera hormônios que nos prejudica. E liberados nesta quantidade afetam nossa imunidade.”

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2005 e 2015, a depressão cresceu 18% na população mundial. No Brasil, país com o maior número de casos na América Latina, 6% dos indivíduos sofrem da doença.

Depressão e Cannabis

Remédios à base de Cannabis podem ter efeito mais imediato do que os antidepressivos comuns. E com bem menos efeitos colaterais. Quem diz são os brasileiros Alline Cristina de Campos e Eduardo Junji Fusse.

Em seu estudo, Campos aponta a eficiência do cannabidiol (CBD), mas alerta que as pesquisas ainda são iniciais.

Fusse, em estudo publicado em 2019, afirma que o “sistema endocannabinoide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

Em 2010, o estudo intitulado “Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria”, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, indica que o canabidiol demonstrou “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Segundo a publicação, “o sistema canabinoide é um alvo promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria”. O método da pesquisa partiu de uma busca e revisão profunda da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides. Principalmente o CBD e o THC.

Em busca de mais estudos

O psicólogo André Reali Olmos, em conversa com o Portal Cannabis & Saúde, também destaca o fato de que mais estudos devem ser realizados para um uso cada vez mais seguro e crescente da Cannabis em casos de depressão. “Sou a favor e reconheço a potência incrível da Cannabis como medicamento, mas também não podemos romantizar a questão”, conta.

“Cannabis é mais uma tecnologia antiga que foi destratada e que pode sim auxiliar. Pelo fato de ter ficado na ilegalidade, temos que ir atrás das pesquisas para aprofundar nossos conhecimentos e alcançar respostas mais concretas”, defendeu.

Nesta mesma linha, um estudo americano reconhece o potencial terapêutico da Cannabis. “O envolvimento do sistema endocanabinóide na obtenção de efeitos potentes nos processos de neurotransmissão, neuroendócrino e inflamatório, que são conhecidos por serem perturbados na depressão e na dor crônica”.

Ainda assim, “o modo preciso de ação dos endocanabinóides em diferentes alvos no corpo e se seus efeitos na dor e na depressão seguem as mesmas ou diferentes vias”.

Os caminhos para o tratamento da depressão com Cannabis são evidentes e confiáveis, mas para serem abertos ainda é imprescindível mais pesquisas na área.

Dr. Wilson Lessa e Dr. Cristiano Fernandes discutem como controlar e reduzir transtornos como ansiedade e depressão e de que forma o canabidiol pode ajudar nessa luta em evento online gratuito.

Marcus Bruno 

Passado mais de um mês deste isolamento social forçado para conter a propagação do novo coronavírus, uma nova e silenciosa epidemia pode se abater sobre todos nós: os transtornos mentais. A solidão, a incerteza do futuro, sensação de impotência, o risco de ficar sem renda e a perda de familiares e amigos para esta pandemia podem desencadear efeitos colaterais, como ansiedade, insônia, estresse e depressão.

Um artigo publicado na revista Psychiatric Times alerta que as pandemias não são apenas fenômenos médicos: “elas afetam os indivíduos e a sociedade em vários níveis, causando diversas perturbações”. Segundo o artigo, indivíduos com doenças mentais ou pré-disposições podem ser particularmente mais vulneráveis ​​aos efeitos de pânico e ameaça generalizados.

Médicos e profissionais de saúde também estão trabalhando no limite da saúde mental durante essa pandemia. Além, de ser o grupo de maior exposição ao vírus, uma das tarefas mais difíceis desses profissionais talvez seja providenciar a despedida dos familiares que perderam a vida para a doença. Ninguém mais pode mais fazer isso pessoalmente devido ao risco de contágio.

Um aliado no combate a toda essa ansiedade que a pandemia está trazendo, mas ainda pouco debatido é o canabidiol. A substância tem propriedades ansiolíticas comprovadas e resultados positivos em pacientes com problemas psicológicos, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. 

Para discutir como manter a saúde mental em tempos de Covid-19 e como a medicina canabinoide pode ajudar, a healthtech de Cannabis medicinal CanTera, empresa do grupo OnixCann, irá promover no dia 23 de abril, às 19h30, um webinário com a presença de dois médicos especializados no tema, os doutores Wilson Lessa e Cristiano Fernandes.

Lessa é psiquiatra, professor da Universidade Federal de Roraima, diretor científico da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis e membro da Society of Cannabis Clinicians (SCC) e da International Cannabinoid Research Society (ICRS). Já o Dr. Cristiano é mestre em Genética e Bioquímica pela Universidade Federal de Uberlândia, hematologista do Centro de Combate ao Câncer de SP e diretor médico da OnixCann.

O webinar é gratuito e será transmitido através de um link encaminhado aos inscritos. Para isso, basta preencher este formulário. As vagas são limitadas. O evento online irá discutir:

  1. – Aspectos psicológicos do confinamento
  2. – Como manter a saúde mental durante o isolamento?
  3. – Qual o impacto desse cenário na vida dos médicos e profissionais de saúde?
  4. – Quais os impactos desse cenário de reclusão na vida dos pacientes que sofrem com PTSD, ansiedade, stress? 
  5. – Qual o impacto no acesso aos produtos à base de cannabis medicinal? 
  6. – Quais alternativas para lidarem melhor com isso?
  7. – O que tudo isso tem a ver com cannabis medicinal

“Nosso convite é para que você participe deste webinar ‘Saúde Mental em Tempos de Coronavirús, porque entendemos que a saúde mental, na atual situação, é tão importante quanto os cuidados físicos”, convida Jaime Ozi, vice-presidente de negócios da Onix Cann.

“Cannabis é essencialmente um fitoterápico que atua em três importantes sistemas, na dor, sono e humor com neuro-receptores espalhados em todo corpo. Uma parte considerável das pessoas hoje busca soluções naturais para sua saúde e tem a oportunidade de tratamento seguro e com poucos efeitos colaterais a base da planta”.

Nos Estados Unidos, pesquisadores investigaram produtos vendidos em lugares incomuns, como supermercados, postos de gasolina e lojas especializadas em Cannabis. Em todos eles, havia produtos com quantidade de CBD inferior ao indicado na embalagem

Danilo Lacalle 

Óleos de Cannabis são tão comuns em alguns estados americanos que até postos de gasolina e supermercados vendem os produtos. Uma pesquisa, no entanto, mostrou que a quantidade de Canabidiol indicada no rótulo nem sempre corresponde à realidade. Principalmente quando vendidas em lugares incomuns.

Mas, para piorar, nem mesmo as lojas especializadas em produtos de Cannabis passaram pelo teste de qualidade dos pesquisadores.

Ainda que por aqui ainda não seja tão fácil assim adquirir óleos – produtos à base de Cannabis podem ser vendidos apenas em farmácias -, o estudo serve de alerta aos brasileiros. É preciso sempre ficar de olho nos rótulos e nos fabricantes.

Fora do padrão

Para conduzir o estudo, os pesquisadores compraram 15 tipos de produtos com canabidiol de vários pontos, no sul da Flórida. A lista incluiu produtos tópicos (pomadas e cremes), comestíveis e bebidas com infusão, com diferentes preços.

E foram comprados em diferentes lugares: supermercados, lojas de Cannabis e postos de gasolina. Os produtos foram testados quanto ao conteúdo de CBD pela SC Labs, na Califórnia. E os resultados, comparados com a potência rotulada dos produtos.

Os produtos adquiridos em postos de gasolina norte-americanos apresentaram a maior variação entre a potência rotulada e os resultados do laboratório. Isso porque forneceram apenas 40% do CBD listado na embalagem. 60% dos itens comprados nesses postos não tinham CBD.

A potência dos itens comprados nas lojas de CBD também ficou aquém do conteúdo anunciado de canabidiol, com apenas 83%, em média, do CBD indicado no rótulo.

Os produtos comprados em supermercados eram consistentemente mais potentes do que os comprados em postos de gasolina e varejistas específicos para CBD. Na verdade, eles eram mais potentes do que o anunciado, fornecendo 136% da quantidade rotulada de CBD, em média.

Os pesquisadores também observaram tendências na variação de potência do CBD relacionadas ao tipo de produto e preço. Os tópicos foram os mais confiáveis, com 40% da potência anunciada, 40% contendo mais CBD do que o indicado e 20% com menos.

Três quartos dos produtos comestíveis tinham menos CBD do que o que fora rotulado. E o restante, era mais potente do que o anunciado. As bebidas infundidas com CBD foram as menos confiáveis: com 75% sem CBD e os 25% restantes mostrando menos do que a quantidade indicada, em testes de laboratório.

Análise de canabidiol por preço

Por preço, os produtos que 5 dólares ou menos, ficaram aquém do confiável, com metade contendo CBD não detectável e o restante contendo menos do que o anunciado.

Metade dos produtos na faixa de 10 a 15 dólares, continham menos CBD do que o anunciado. Um quarto possuía mais canabidiol do que o indicado e os 25% restantes eram como anunciados, definidos como contendo de 90% a 110% da quantidade rotulada de CBD.

Dos produtos que custavam 20 dólares ou mais, analisados pela pesquisa,  40% tiveram menos CBD do que o valor rotulado, outros 40% tiveram mais e 20% estavam de acordo com a embalagem.

A importância de pesquisar

Embora o tamanho da amostra tenha sido pequena, o estudo do CBD Awareness Project traz uma luz sobre a variação que pode existir entre o conteúdo de CBD de um produto e sua potência anunciada. Para aproveitar ao máximo sua compra, a Meadows sugere que os consumidores levem em conta que tipo de produto estão comprando e de quem o estão comprando.

“Deve-se pesquisar as marcas e tentar comprar CBD de uma fonte respeitável”, disse ele. “Como regra geral, não compre CBD em um posto de gasolina ou de lugares pouco confiávis, se estiver realmente procurando os benefícios de saúde do CBD.”

Não faltam opções marcas e tipos de óleo no exterior. Difícil é saber qual vale a pena. Para facilitar, separamos seis informações importantes.

Guilherme Dias 

Os óleos de Cannabis se popularizaram com o alto crescimento no mercado mundial no último ano. Mas esse sucesso todo ainda não alcançou o Brasil. Por aqui, os pacientes só têm duas opções de aquisição. Ou compram da Abrace, única associação com o aval da Justiça para cultivo e produção, ou importam, mediante autorização da Anvisa. Caso contrário, partem para o plantio individual, com ou sem aval da Justiça, ou até mesmo o mercado clandestino.

O cenário deve mudar, já que a Anvisa, enfim, regulamentou a venda de Cannabis medicinal em dezembro de 2019. Desde o início de março, as empresas interessadas em produzir óleo no país podem entrar com pedido na Anvisa para colocá-los à venda.

Mas até os produtos nacionais – ou mesmo os importados – chegarem às farmácias leva um tempo.

Enquanto essa realidade não chega, o caminho mais rápido ainda é a importação. Existem alguns sites que disponibilizam a compra online, mediante prescrição médica. Mas aí aparece o dilema: como saber qual óleo comprar? De qual marca? O Cannabis & Saúde vai te ajudar. Listamos a seguir seis dicas que você precisa saber antes de comprar qualquer produto à base de CBD.

1. Veja se o óleo foi testado por terceiros

É importante saber se o produto foi testado por mais de um laboratório – e não apenas o da empresa envolvida na produção. Procure pelos relatórios de qualidade disponíveis no site do produto.

Essas análises mostram a concentração de cada canabinoide no produto. Assim, você pode conferir se o produto cumpre com o prometido. Ou seja, se tem mesmo a quantidade de CBD ou THC prometida. Vale lembrar: a Anvisa restringiu a venda de produtos com concentração de THC superior a 0,2%.

A ausência desses documentos pode significar algumas coisas. Ou as concentrações dessas substâncias estavam abaixo ou acima daquele anunciado previamente pela empresa. Ou eles simplesmente esqueceram de publicá-los.

Nesses casos, melhor recorrer a produtos de outras marcas.

Mas também não vale o aval de qualquer laboratório. Confira se a análise vem de um estabelecimento credenciado pela Organização Internacional de Normalização (ISO). Isso significa que o laboratório atende a certos padrões e opera sob as diretrizes aprovadas e monitoradas pelo órgão.

Atente-se também para a data da análise. Se passar de doze meses, nem leve a sério. A análise precisa ser constantemente revista.

Alguns laboratórios realizam as análises, mas nem sempre disponibilizam na internet. No Brasil, o médico prescritor pode solicitar ao laboratório as análises para confirmar a veracidade das informações, uma vez que é o médico que prescreve o produto ao paciente.

2. Confira os ingredientes

Os ingredientes estão listados no rótulo. Se você ainda não está familiarizado com eles, basta fazer uma pesquisa rápida na internet para saber os possíveis efeitos colaterais.

Opte pelos ingredientes orgânicos e naturais ou por produtos com ingredientes extras que aumentam os benefícios do medicamento. Por exemplo: alguns óleos podem vir com uma dose de vitamina B12 para aumentar o efeito analgésico, ácidos ômega, dentre outros.

Se o fabricante disponibilizar a lista de terpenos presentes no óleo, melhor ainda. Cada um desses cheiros da Cannabis (saiba mais aqui) pode trazer diferentes benefícios ao organismo.

3. Prefira produtos orgânicos

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Há uma variedade larga de óleos no mercado estrangeiro. Alguns produtos vem com apenas um canabinoide isolado ou com uma quantidade ínfima de outro – pode ser majoritariamente composto por CBD, CBC, THC ou CBG (veja aqui os tipos de canabinoides).

Ou podem vir com uma série de canabinoides – é o que chama de full spectrum. Ou seja, vem com todos os componentes da planta, incluindo os terpenos, citados acima. Esses têm uma vantagem: passam por menos processos. E, com tantos componentes, podem potencializar o efeito do medicamento (o famoso “efeito entourage”).

5. Veja se o preço vale a pena

A regra é a mesma para outros produtos: pesquise para saber se o valor de mercado é mesmo aquele. Importante! Compare somente produtos semelhantes, com as mesmas concentrações de canabinoides, e veja se os preços batem. Mas, vale lembrar do item anterior, confira exatamente quais os ingredientes. Afinal, produtos premium podem ter mesmo valores mais altos. Atente-se ainda aos valores do frete.

Para comparar valores de produtos similares, você deve dividir o valor pela quantidade de miligramas (mg) total do produto R$/mg.

Como as prescrições em sua grande maioria são em gotas, você também pode fazer o comparativo dividindo o valor pela quantidade de mililitro (ml). R$/ml.

E, se quiser, pode ainda verificar qual a quantidade de gotas que o produto possui e por quanto tempo irá durar o produto conforme recomendação de uso que consta na prescrição médica. Em média, 1 ml de óleo de CBD corresponde a 20 gotas.

6. Confira a reputação da marca

Consumidor satisfeito elogia nas redes sociais. Por outro lado, consumidor insatisfeito reclama muito nas caixas de comentários. Dê uma conferida nos comentários deixados nas páginas das redes sociais de cada marca.

Outra forma de conferir é se o laboratório, fabricante dos produtos possui em seu site certificados de qualidade, bem como outras certificações e prêmios que também garantam um bom produto.

E por fim, para óleos de CBD produzidos nos Brasil, sugerimos também que procure realizar o checklist dos 6 itens acima, afinal vale a máxima: com a saúde, não se brinca.

Ainda há poucos estudos sobre as reais possibilidades terapêuticas do uso de cannabis em pacientes infectados pelo HIV. Mesmo assim, pacientes fazem uso medicinal da planta e relatam melhora em vários sintomas

Carol Castro 

Vômitos, náuseas, perda de apetite, ansiedade, depressão, dores crônicas – a lista de sintomas relatados por pacientes infectados pelo HIV é longa. Algumas vêm da ação do próprio vírus no organismo, outras aparecem como efeitos colaterais do tratamento com antiretrovirais, que reestabelecem o equilíbrio do sistema imunológico.

Na tentativa de reduzir o mal-estar, boa parte dos pacientes aposta no uso da cannabis, seja pelo uso de cigarros ou com óleos à base de cannabis. Um estudo americano com mais de 500 pessoas mostrou que um terço deles usa a planta como remédio.

E, segundo eles, os resultados são bons.

Em 97% dos casos, o apetite voltou ao normal. Outros 94% sentiram menos dores musculares e 85% sentiram menos formigamento pelo corpo (parestesia); 93% diminuíram os episódios de náusea; 86% se sentiram menos depressivos, enquanto outros 93% contaram ter reduzido os sinais de ansiedade.

Só teve um problema: quase metade deles contou que ter problemas de memória. Não que a responsabilidade seja só da cannabis.

“O tipo de interação das drogas a ser considerado inclui a perda da função cognitiva, porque sabe-se que isso é um efeito tanto da cannabis, quanto das drogas antiretrovirais, como a efavirenz”, diz o estudo.

“Certamente, a perda de memória relatada pelos pacientes tem importância clínica (…) e, se isso for resultado da combinação de drogas, deve ser investigado usando padrões estabelecidos dentro das terapias com canabinoides”, concluem os pesquisadores britânicos.

Ao que tudo indica, é esse o único efeito colateral entre pacientes com HIV que fazem uso medicinal da cannabis. Mas, vale lembrar, ainda faltam estudos.

“Não há efeitos prejudiciais aparentes, mas isso ainda precisa ser determinado usando uma rota apropriada de adminstração da driga e de um estudo de longo prazo”, finalizam os britânicos.

Outros Efeitos

Ainda que faltem estudos, sobram indícios do efeito positivo dos canabinoides nos sintomas das doenças. Um artigo publicada pelas pesquisadoras brasileiras Carolina Rangel de Lima Santos e Laísa Vieira Gnutzmann aponta a possibilidade dos canabinoides reduzirem as inflamações geradas pelo vírus.

Primeiro é preciso entender o modo de ação do HIV no sistema nervoso central. O vírus, além de atacar as células de imunidade, também causa problema no cérebro. O que ele faz é estimular a secreção de neurotoxinas, que causam inflamações fatais aos neurônios.

Já o sistema endocanabinoide atua como importante imunomodulador e apresenta propriedades antiinflamatórias – e isso diversas pesquisas já mostraram.

“Há indícios de que os canabinóides poderiam atuar diminuindo o processo inflamatório causado pelo HIV, porém apesar de efeitos benéficos comprovados, a pesquisa sobre a ação dos canabinóides não significa advogar a favor do uso terapêutico da maconha”, explicam as pesquisadoras.

“A maconha é uma planta complexa com inúmeros princípios ativos que merece ser discutida à parte”, afirmam.

“O assunto desse texto é a ação anti-inflamatória de neurotransmissores canabinóides que o nosso próprio cérebro produz e a perspectiva do uso desse mecanismo na proteção do cérebro de pacientes com infecção pelo HIV”, concluem.

Próximo Passo

Em breve, no entanto, ciência conseguirá entender melhor quais são os benefícios do uso de cannabis em pacientes com HIV. Um estudo canadense em curso pode agilizar essas respostas.

Por lá, uma equipe de pesquisadores iniciará um estudo com 26 pacientes. Eles se dividirão em dois grupos. Metade receberá cápsulas com proporções iguais de CBD e THC e outra uma pílula com maior concentração de CBD para tomar ao longo de 12 semanas.

Todos terão de fazer exames periódicos para availar os marcadores inflamatórios do corpo (para checar se os canabinoides fizeram ou não efeito positivo). Também irão monitorar os marcadores de HIV nas células sanguíneas e mudanças no microbioma gastrointestinal.

É um teste inicial, para checar a segurança da e tolerabilidade do uso de óleos nesses pacientes (saiba mais aqui). Depois, a ideia é expandir o teste em mais pacientes e por um tempo maior.

“A cannabis quando tomada oralmente pode representar uma maneira de reduzir inflamações e fortalecer as respostas imunológicas. Antes de planejar estudos maiores de intervenção, é importante garantir que a cannabis tomada oralmente é segurada e bem tolerada em pessoas que vivem com o HIV”, explica o estudo.

Por enquanto, ainda não há novidades. Mas, quando publicados os resultados, talvez tenhamos novas respostas positivas sobre o uso de cannabis em pacientes com HIV.

Ainda que o risco seja baixo, a resposta é sim. Como todas as plantas no mundo, a cannabis também pode provocar alergia.

Denise Tamer 

Na última década, um número crescente de estudos sobre casos de alergias associados à cannabis surgiram nas publicações. O crescimento é uma consequência natural da popularização do uso da cannabis com objetivos medicinais ou sociais. É o que indica o alergista, e professor americano da Universidade do Colorado, William Silvers, em estudo intitulado “A experiência de um alergista do Colorado com a legalização da maconha”.

Silvers defende que “embora a Cannabis sativa pareça ser um alérgeno leve, o aumento à exposição no local de trabalho em conjunto com maior uso recreativo provavelmente resultará em efeitos relacionados à saúde e que os alergistas precisam estar profundamente cientes e entender como gerenciar e tratar”.

Logo, a cannabis pode causar nas pessoas reações alérgicas, assim como muitas outras plantas e pólens.

Confira abaixo os sintomas, riscos e prevenções a alergias causadas pelo uso social e medicinal da cannabis  especificamente do óleo de CBD.

Alergia ao CBD

Atualmente há evidências científicas que comprovam os benefícios do canabidiol (CBD) no organismo. Além de melhorar o sistema imunológico, o CBD é um eficiente analgésico, e pode ser usado em tratamentos de diferentes doenças como câncerfibromialgiaepilepsia e Parkinson.

Pesquisas sugerem que, embora o uso a longo prazo e doses de até 1.500 miligramas por dia possam ser toleradas, algumas reações adversas foram observadas nos pacientes: sonolência, boca seca, interações com outros medicamentos, tontura e baixa pressão sanguínea.

Já o estudo alemão chamado “Uma atualização sobre a segurança e os efeitos colaterais do canabidiol”, destaca o perfil positivo do uso do CBD, principalmente para o tratamento de epilepsia e distúrbios psicóticos. O estudo de 2017 também afirma que “o CBD apresenta um melhor perfil de efeitos colaterais”, porém conclui que é imprescindível ainda mais estudos sobre o CBD.

Para pessoas que usam o CBD como tratamento tópico para doenças na pele ou dores, a alergia concentra-se em reações como irritações. Por ser de uso tópico, alguns pacientes podem notar uma erupção cutânea ou uma urticária. A prevenção é simples: fazer um teste de toque em uma pequena região da pele antes do uso.

Alergia à maconha

Os apreciadores da maconha devem estar atentos aos seguintes sintomas que podem indicar alergia à planta: tosse seca, congestão nasal, coceira nos olhos, náusea, olhos vermelhos, olhos com coceira ou lacrimejamento acentuado. Além disso, o manuseio também pode apresentar uma reação alérgica da pele, como o aparecimento de bolhas, de pele seca, vermelha, inflamada, ou ainda coceira intensa.

É menos comum, mas a maconha também pode causar uma grave reação alérgica: a anafilaxia. É preciso estar atento, pois esta reação pode colocar a vida em risco e ocorrer segundos ou minutos após a exposição a um alérgeno.

Para que os sintomas não fiquem piores, quem percebe estas alergias à maconha deve parar, ou ao menos diminuir, com o uso recreativo da planta.

Grãos são ricos em proteínas, ômega e minerais e podem ser usados como acompanhamento de granola, vitaminas ou saladas. Saiba tudo sobre o uso alimentar – e milenar – das sementes de Cannabis.

Carol Castro 

Tem sabor de nozes, quase semelhante às sementes de girassol. Mas um pouco mais macias. Nos Estados Unidos, já teve quem vendesse, entre os anos 1990 e começo dos anos 2000, hamburguer vegetariano à base de soja e sementes de maconha – era o Tempeh Burguer. A moda caiu, a fábrica cessou as vendas.

Mas o potencial nutricional dessas sementes, conhecido há milênios no oriente, nunca se perdeu. Pelo contrário: em alguns países, consumir sementes descascadas de Cannabis, com frutas, como se fossem cereais, ou em saladas parece tão em alta quanto usar sementes de chia ou linhaça ou tomar vitamina com whey.

Não que as sementes sejam capazes de deixar alguém chapado. O THC presente nelas quase nem aparece quando examinado nas bancas dos laboratórios – a porcentagem na composição passa bem longe dos 0,1%. Ao menos é o que se espera.

Um estudo canadense mostrou que alguns desses produtos têm sofrido contaminação ao longo do processo, já que as fabricantes trabalham também com óleos medicinais de CBD e THC, e apresentando mais THC do que o permitido pela lei de lá. Nada que um cuidado maior com a limpeza, com o uso de etanol ou outros solventes antes do empacotamento, não resolva, segundo os próprios pesquisadores. De qualquer forma, ninguém consome semente de Cannabis para ficar doido. A onda das sementes é outra: proteínas.

Composição das Sementes

E não são poucas – as sementes têm até 30% de proteínas em sua composição. Quando retiradas as cascas, como deve ser preparada para o consumo, esse percentual sobe para 35,9%. Na prática, se você consumir 100 gramas dessa semente, terá atingido 63% da recomendação de consumo diário de proteína. Fora isso, ainda terá ingerido outras vitaminas e minerais essenciais, como zinco, manganês, cálcio e ferro.

“É extremamente nutritiva e tem sido negligenciada. O óleo poderia ser usado na salada, e a semente em si pode ser consumida como se fosse granola. É um alimento funcional”, explica a médica Carolina Nocetti, fundadora da InterCan (International Cannabis Academy), centro de educação sobre sistema endocanabinoide e Cannabis medicinal. “E ainda tem uma grande concentração de ômega”.

Tem mesmo – em proporções diferentes de outras sementes da moda, como linhaça e chia. Para se ter ideia, cada duas ou três colheres de sopa (cerca de 30 gramas) de sementes de Cannabis têm 6,6 gramas de ômega-6 e 2 gramas de ômega-3, enquanto a chia possui 1,6g, e 4,9g e respectivamente. E a grande vantagem dessas gorduras “do bem” é que ajudam a manter a saúde do coração.

Não só os ômegas atuam dessa maneira. Um dos aminoácidos, que são como blocos que formam as proteínas, presentes na semente de Cannabis o mais comum é a argimina.

“É um precursor do ácido nítrico, um agente vaso dilatador que melhora o fluxo sanguíneo, e contribui com a manutenção normal da pressão sanguínea”, diz este estudo chinês.

Fora esses benefícios, o estudo ainda menciona outros potenciais efeitos do consumo desse alimento: antioxidante, antihipertensivo, e controle e regulação do nível de açúcar no organismo. Ou seja: sementes de cânhamo não chama a atenção à toa. E poderia ser parte da nossa dieta.

Após o Conselho Federal de Medicina e o Ministério da Saúde autorizarem atendimento médico remoto durante o período da pandemia causada pela Covid-19, pacientes que fazem uso de derivados da maconha podem seguir com os tratamentos, sem risco de se expor ao vírus

Danilo Lacalle 

O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o uso da telemedicina para atendimento de pacientes,  diante da pandemia do novo coronavírus. O atendimento a distância, justamente pela política de distanciamento social, está sendo implementada no Brasil e em todo o mundo. A medida vale durante o período de quarentena causada pelo Covid-19.

Mas o que isso implica aos pacientes de Cannabis medicinal?

Com essa medida, o CFM busca contribuir para o aperfeiçoamento e a equidade de eficiência dos serviços médicos prestados no país, mesmo na situação atual.

Agora, a telemedicina poderá ser exercida nos seguintes moldes, durante a pandemia: teleorientação, que permite que médicos realizem a distância a orientação e o encaminhamento de pacientes em isolamento; telemonitoramento, que possibilita que, sob supervisão ou orientação médicas, sejam monitorados a distância parâmetros de saúde ou doença e a teleinterconsulta, que permite a troca de informações e opiniões exclusivamente entre médicos, para auxílio diagnóstico ou terapêutico.

Essas práticas são essenciais aos pacientes de Cannabis medicinal, que podem continuar com seus tratamentos de doenças crônicas e reumáticas, sem sair de casa, onde correm risco de serem infectados pelo Covid-19.

Para a Dra. Ana Paula Dall’Stella, especialista em radiologia e diagnóstico por imagem, e que há 5 anos trabalha com medicina funcional, além de ser pioneira na prescrição de derivados da planta no Brasil, o atendimento por telemedicina está sendo “prático e excelente”.

“Para os pacientes de Cannabis medicinal, a medida é essencial. Isso porque muitos estão no grupo de risco, que são as pessoas acima de 60 anos de idade, mas principalmente as que apresentam alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, ou doenças auto-imunes”, afirma.

O atendimento entrou em vigor para que a medicina caminhasse no mesmo sentido do trabalho conjunto realizado por todas as autoridades públicas de saúde estabelecidas em prol da população brasileira.

Com a permissão do Ministério, ficou permitido aos médicos fazerem consultas por meio de tecnologias interativas de comunicação, monitorar pacientes, além de emitir atestados, receitas médicas e determinar o isolamento domiciliar.

Fato que, para os pacientes de Cannabis, que em sua maioria não podem ficar sem o acesso às receitas médicas para a compra do medicamento, auxiliou a encurtar o tempo de espera para terem os medicamentos em mãos.

“A ideia é permitir que pacientes recebam as primeiras orientações, garantindo a segurança das informações e o sigilo médico”, revela a Dall’Stella.

“Além disso, os correios estão funcionando e as operações de importação não estão paradas. Outro ponto que auxilia os pacientes de Cannabis medicinal a continuarem seus tratamentos. O único problema é que eles, geralmente, importam (os remédios), e estão acontecendo atrasos para chegar”, completa.

A aprovação da telemedicina vale para todas as atividades da área de saúde, de acordo com o Conselho Federal de Medicina.

Além de médicos de diferentes especialidades, outros profissionais como nutricionistas e psicólogos também podem fazer atendimento a distância. E vale tanto para o SUS quanto para a rede de saúde privada.

Aos 32 anos, Francislaine Assis não suportou as dores no corpo. As pernas mal respondiam e a tradutora de Libras, incapacitada até de caminhar, teve de abandonar o trabalho. Até porque, mesmo se recorresse à ajuda de uma cadeira de rodas, seria impossível desenvolver suas funções na escola: a dor era tanta que afetava também sua cognição – não conseguia sequer raciocinar e manter um diálogo por muito tempo.

Naquele ano, em 2011, após quatro meses intensos de sofrimento, Fran recebeu o diagnóstico de Agorafobia. Mas não era bem esse o problema. Somente em 2015 o médico descobriria a causa das dores: a fibromialgia – uma síndrome ainda sem cura que causa dores em todo o corpo, afeta a memória e o sono. 

A partir de então, passou a tomar diariamente todos os medicamentos receitados pelos médicos, na esperança de conseguir melhora efetiva.

“Eram 13 comprimidos por dia, eu ficava dopada”, conta.

Tanto remédio lhe rendia alucinações. Certa vez, a filha chegou na cozinha e pegou a mãe em frente ao fogão, folheando um livro imaginário. Em outra situação, um carro quase a atropelou enquanto atravessava a rua desatenta.

E o pior: as dores permaneciam fortes e constantes, a insônia batia forte, as dificuldades cognitivas pioravam e os sinais da depressão apareciam com frequência.

Só teria alívio em 2018, após vencer os próprios preconceitos e aceitar o tratamento à base de Cannabis medicinal.

“Eu participo de grupos de discussão sobre fibromialgia desde 2011, mas sempre fui muito careta. Cansei de ouvir as pessoas falando ‘fumei maconha e tive um alívio’. Não dava bola, achava o pessoal muito louco”, lembra Fran.

Abriu mão do pré-julgamento após ver a médica americana Ginevra Liptan, diretora do “The Frida Center for Fibromyalgia”, um centro especializado no tratamento da doença, falar sobre a eficácia da Cannabis para pacientes com fibromialgia.

Pegou o caminho do Rio de Janeiro até São Paulo, onde havia marcado uma consulta com a neuro oncologista e médica funcional Paula Dall’Stella. Pouco tempo depois, após receber a autorização da Anvisa, importou os primeiros frascos de óleo de CBD.

A dor, contudo, não passou.

Mas o sono veio com tudo. E isso era importante, afinal, Fran passava dias sem dormir. “Era assustador, chegava a passar três, quatro dias sem dormir. E isso me dava dores de cabeça fortíssimas, não conseguia nem ouvir a voz das pessoas”, diz.

Dormiu até demais – a sonolência pode ser um dos efeitos colaterais de alguns óleos no começo do tratamento. Trocou o importado por outro rico em THC, fabricado por uma associação de pacientes de Cannabis medicinal.

“Fiquei surpresa. A primeira vez que usei eu estava com uma dor muito forte. Vinte minutos depois de usar o óleo, minha dor diminuiu uns 60%”, explica.

Há uma razão: o THC funciona melhor como analgésico do que outros canabinoides, como o CBD.

Aos 43 anos, Fran descartou todos os outros medicamentos. Além do óleo, usa pomadas produzidas com plantas de predominância de THC, faz inalação da erva e uso de supositórios, quando a dor bate mais forte que o normal.

Ainda que os remédios tenham surtido efeitos muito melhores do que os convencionais, Fran ainda precisa recorrer à cadeira de rodas – de maneira geral qualquer esforço costuma causar ainda mais dores.

Não só pela fibromialgia, a vida ainda lhe trouxe uma série de outras complicações. Ao longo dos anos, teve artrite após pegar chikungunya e recebeu os diagnósticos de uma série de outras doenças, como Síndrome do Túnel do Carpo, endometriose, entre outras. 

A Cannabis trouxe outros efeitos positivos. Fran voltou a ter vontade de comer.

“É um benefício, porque tenho anorexia patológica. É difícil comer. Às vezes fico com enjoo o dia todo, mas quando uso o óleo consigo me alimentar”, relata a paciente.

A depressão também ficou para trás.

“Eu tomava Rivotril, mas nunca gostei. Hoje fico feliz quando uso o óleo. É uma alegria que há muito tempo eu não sentia, um prazer de viver. Cada vez que dou uma gargalhada parece que parte da dor também vai embora”, comemora.

O problema é fechar as contas no fim do mês. Se antes gastava pouco mais de R$ 300 com o coquetel de remédios, hoje Fran investe quase R$ 1,2 mil para conseguir os remédios. Se importasse, em vez de receber o óleo como sócia da associação, os gastos seriam ainda maiores.

Não à toa, virou ativista e luta pelo acesso mais democrático aos medicamentos.

“Vejo a dificuldade das pessoas. Pacientes com dor crônica muitas vezes estão desempregados ou afastados do emprego e não tem acesso ao óleo. É injusto, já que os remédios à base de cannabis fazem tanta diferença no alívio da dor”, finaliza.