Pesquisadores avaliaram os benefícios do dronabinol, um sintético de Cannabis, em três pacientes diagnosticados com Transtorno Obsessivo Compulsivo

Felipe Germano 

Crédito: Wikicommons / Howard Hughes, aviador e engenheiro aeronático que ganhou as telas de Hollywood, tinha Transtorno Obsessivo Compulsivo

Em 2005, o filme que fez a rapa nos Oscar, com 5 estatuetas, foi O Aviador. De Scorsese, a obra conta a história real de Howard Hughes: um americano criado em meio à, olhe só, uma quarentena (a de cólera que assolou Houston em 1912). Hughes cresceu e se tornou engenheiro, diretor e, claro, o tal do aviador do título – mas uma das cenas mais chocantes não envolve aviões. Interpretado por Dicaprio, Hughes lava as mãos incessantemente até elas sangrarem.

Isso porque, além de bem sucedido, ele tinha Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Agora, um novo estudo mostra que talvez isso não tivesse acontecido, se o protagonista passasse por tratamentos mais modernos: a pesquisa sugere que um sintético de THC pode ajudar no tratamento de TOC.

Para chegar à esta conclusão, o estudo, feito pela Universidade de Columbia, reuniu estudos que tentavam entender tanto como funcionava o cérebro de pessoas com TOC, quanto o efeito da maconha no sistema nervoso de todos nós. Foram selecionados 150 estudos que falavam ora sobre uma coisa, ora sobre outra – mas que quando cruzados podiam nos levar a algumas conclusões interessantes.

Os pesquisadores, então, detectaram as principais formas pelo qual o TOC se manifesta. Em geral, pacientes com o transtorno sentem uma quantidade anormal de ansiedade, medo e criam comportamentos repetitivos. O próximo passo foi entender como a Cannabis age frente a essas situações.

Medo e Ansiedade

Os pesquisadores encontraram coerência na combinação medo e/ou ansiedade + Cannabis: em geral, as pesquisas mostravam que derivados de maconha tendiam a acalmar seus usuários.

“A relação entre canabinoides, ansiedade e medo têm sido bem explorada nas pesquisas clínicas”, dizem os responsáveis pelo estudo. “E os resultados têm apontado que o canabinol e o dronabinol (sintético de Cannabis) atenuam os estímulos de medo recebidos por nosso cérebro”, completam.

Comportamentos compulsivos

O TOC, no entanto, não é conhecido pelo medo de seus portadores. O que costuma lhe caracterizar são as ações repetitivas de quem tem o transtorno. Mas elas não aparecem só entre os diagnosticados com essa condição específica. Foi justamente em portadores de outros transtornos que os pesquisadores conseguiram encontrar um maior número de estudos para serem analisados.

“Pesquisas com pacientes diagnosticados com Tourette têm indicado que fumar maconha pode reduzir tic motores e também a urgência de praticar comportamentos compulsivos”, afirmam os pesquisadores. A informação é extremamente relevante. Quem tem Tourette não consegue controlar impulsos como emitir sons ou movimentar o corpo de forma brusca repentinamente. Para os responsáveis pelo estudo, esses movimentos são causados pela mesma parte do cérebro que obriga portadores de TOC a criarem rituais de repetição. Uma solução para um talvez ajude os dois.

A descoberta é definidora?

Em partes. Os próprios cientistas envolvidos no relatório confessam: há pouquíssimas pesquisas que relacionam diretamente o efeito da cannabis em portadores do Transtorno. “Até hoje, apenas três estudos reportaram os efeitos de canabinoides em sintomas do TOC”, afirma o texto. Apesar de ser uma amostra muito pequena, os resultados foram bons.

A primeira das pesquisas girou em torna de uma mulher de 38 anos diagnosticada com depressão e TOC. Durante 10 dias, cientistas acrescentaram dronabinol ao seu antidepressivo. Ao fim do estudo, ela havia caído de 20 para 10 pontos na Escala de Yale-Brown (principal método para avaliar pacientes obsessivos compulsivos). Na prática, isso significa que ela passou de “moderada” para “amena”.

O segundo teste envolveu um homem de 36 anos com esquizofrenia e TOC. Por 12 dias também recebeu doses de dronabinol, um THC sintético. Caiu de 25 para 15 pontos na mesma escala.

O terceiro estudo avaliou o caso de um homem de 24 anos que desenvolveu TOC após um derrame. Por duas semanas tomou dronabinol e ao final dos testes tinha passado de 39 para 10 pontos.

E agora?

Os pesquisadores acreditam que novos estudos devem ser feitos, para que qualquer conclusão possa ser realmente feita. Mas se mostraram confiantes de que produtos a base de cannabis podem ter efeitos positivos entre pacientes.

“Os medicamentos canabinoides têm o potencial de produzir novas farmacoterapias muito esperadas por aqueles que sofrem os efeitos debilitantes do Toc. Mas apenas uma exploração mais aprofundada deste tópico determinará se os canabinoides passam o teste mais importante: ajudar mais pacientes com Toc a alcançar seu bem-estar.”, concluem.

Ainda que o risco seja baixo, a resposta é sim. Como todas as plantas no mundo, a cannabis também pode provocar alergia.

Denise Tamer 

Na última década, um número crescente de estudos sobre casos de alergias associados à cannabis surgiram nas publicações. O crescimento é uma consequência natural da popularização do uso da cannabis com objetivos medicinais ou sociais. É o que indica o alergista, e professor americano da Universidade do Colorado, William Silvers, em estudo intitulado “A experiência de um alergista do Colorado com a legalização da maconha”.

Silvers defende que “embora a Cannabis sativa pareça ser um alérgeno leve, o aumento à exposição no local de trabalho em conjunto com maior uso recreativo provavelmente resultará em efeitos relacionados à saúde e que os alergistas precisam estar profundamente cientes e entender como gerenciar e tratar”.

Logo, a cannabis pode causar nas pessoas reações alérgicas, assim como muitas outras plantas e pólens.

Confira abaixo os sintomas, riscos e prevenções a alergias causadas pelo uso social e medicinal da cannabis  especificamente do óleo de CBD.

Alergia ao CBD

Atualmente há evidências científicas que comprovam os benefícios do canabidiol (CBD) no organismo. Além de melhorar o sistema imunológico, o CBD é um eficiente analgésico, e pode ser usado em tratamentos de diferentes doenças como câncerfibromialgiaepilepsia e Parkinson.

Pesquisas sugerem que, embora o uso a longo prazo e doses de até 1.500 miligramas por dia possam ser toleradas, algumas reações adversas foram observadas nos pacientes: sonolência, boca seca, interações com outros medicamentos, tontura e baixa pressão sanguínea.

Já o estudo alemão chamado “Uma atualização sobre a segurança e os efeitos colaterais do canabidiol”, destaca o perfil positivo do uso do CBD, principalmente para o tratamento de epilepsia e distúrbios psicóticos. O estudo de 2017 também afirma que “o CBD apresenta um melhor perfil de efeitos colaterais”, porém conclui que é imprescindível ainda mais estudos sobre o CBD.

Para pessoas que usam o CBD como tratamento tópico para doenças na pele ou dores, a alergia concentra-se em reações como irritações. Por ser de uso tópico, alguns pacientes podem notar uma erupção cutânea ou uma urticária. A prevenção é simples: fazer um teste de toque em uma pequena região da pele antes do uso.

Alergia à maconha

Os apreciadores da maconha devem estar atentos aos seguintes sintomas que podem indicar alergia à planta: tosse seca, congestão nasal, coceira nos olhos, náusea, olhos vermelhos, olhos com coceira ou lacrimejamento acentuado. Além disso, o manuseio também pode apresentar uma reação alérgica da pele, como o aparecimento de bolhas, de pele seca, vermelha, inflamada, ou ainda coceira intensa.

É menos comum, mas a maconha também pode causar uma grave reação alérgica: a anafilaxia. É preciso estar atento, pois esta reação pode colocar a vida em risco e ocorrer segundos ou minutos após a exposição a um alérgeno.

Para que os sintomas não fiquem piores, quem percebe estas alergias à maconha deve parar, ou ao menos diminuir, com o uso recreativo da planta.