Empresa líder mundial em cannabis, CiiTECH, orgulha-se em anunciar que será o patrocinador Diamond da primeira edição do Medical Cannabis Summit, no Brasil. O evento será realizado pela empresa brasileira OnixCann, healthtech do ecossistema de cannabis medicinal, e o patrocínio deste evento singular dará à CiiTECH uma exposição mais ampla nos mercados sul-americanos.

Em dezembro de 2019, a Agência Brasileira de Regulamentação Sanitária (Anvisa) divulgou novas diretrizes em torno da prescrição e comercialização de cannabis medicinal.

Esta nova regulamentação no Brasil, acarretou uma transformação na dinâmica da indústria da cannabis medicinal no país e permitiu que empresas, como a OnixCann, ampliassem sua atuação.

No próximo mês, de 10 à 14 de agosto, a OnixCann está realizando o Medical Cannabis Summit, um evento inovador e singular, e a CiiTECH, estará patrocinando este evento. Juntando-se à representatividade da CiiTECH ao evento estará o Professor Mechoulam, líder e pioneiro na pesquisa de cannabis.

Conheça a CiiTECH

A CiiTECH, com sede em Israel, concentra-se em fornecer ao mundo, produtos e marcas inovadoras de cannabis com base científica, especificamente projetados para atender à crescente demanda dos consumidores, enquanto busca novas pesquisas para criar os produtos de cannabis mais respeitados e confiáveis do mercado.

O evento foi desenvolvido para promover os benefícios da cannabis medicinal tanto para médicos, como para pacientes em todo o Brasil.

Entenda o porque

Uma pesquisa recente da The New Frontier revelou que há uma estimativa de quatro milhões de pacientes no país que poderiam se beneficiar do tratamento canabinoide. Mas, atualmente apenas 0,2% dos médicos habilitados ao exercício da profissão no Brasil estão prescrevendo produtos derivados da cannabis.

E, para promover um debate entorno da medicina canabinoide o Medical Cannabis Summit irá:

  • Trazer informações de qualidade para os participantes. E, reduzir os preconceitos contra o tratamento e os produtos à base de cannabis;
  • Explorar doenças críticas, como o autismo, epilepsia, dor, doenças raras, insônia, depressão, stress, ansiedade, dentre outras. Incluindo como a cannabis medicinal pode ser usada para tratá-las;
  • Introduzir o módulo técnico de debate da Fitoterapia, bem como, proporcionar uma melhor compreensão desses produtos;
  • E, por fim, destacar as questões legais e regulamentares do país.

Um 2020 especial para a CiiTECH

Patrocinar o evento é outro destaque de um 2020 forte para a CiiTECH, como a empresa anunciou em maio, que tinha desenvolvido, pendente de patente, uma nova tecnologia revolucionária que foi desenvolvida em conjunto com Yossi Tam e a Universidade Hebraica de Jerusalém e que tem o potencial para tratar doenças hepáticas gordurosas não-alcoólicas (NAFLD), obesidade, além de uma série de outros distúrbios metabólicos.

O Medical Cannabis Summit patrocinada pela CiiTECH será totalmente online e gratuita para todos os inscritos.

Clifton Flack da CiiTECH acrescentou: “Estamos incrivelmente entusiasmados por ser o patrocinador Diamond da Medical Cannabis Summit. Porque o uso da cannabis terapêutica está em ascensão no Brasil, e estamos ansiosos para poder compartilhar nosso conhecimento e experiência na indústria, ajudando assim médicos e pacientes a entender o uso da cannabis e todos os benefícios que ela tem a oferecer”.

https://ciitech.co.il/ | https://ciitechlabs.co.il/

Para solicitações da imprensa, contatar: paulg@ciitech.co.uk

Medical Cannabis Summit traz a medicina canabinóide na formação de médicos, doenças tratadas com a planta e a educação para o combate à desinformação e o preconceito

O Transformação Digital, ecossistema que conecta pessoas e empresas, e a OnixCann, healthtech brasileira que promove o acesso de pacientes à médicos prescritores de Cannabis medicinal, promovem entre os dias 10 e 14 de agosto, o Medical Cannabis Summit. O evento é 100% online e gratuito para médicos, pacientes e familiares que possam ser beneficiados com tratamentos à base da planta. A expectativa é que mais de 20 mil pessoas participem do evento, há 20 dias do evento, mais de 10 mil pessoas já se inscreveram.

Mais de 30 especialistas, das áreas da saúde e de direito, irão debater o uso medicinal da Cannabis e suas principais aplicações, além de aspectos legais. O objetivo é desmistificar o tema no âmbito clínico. Com quinze painéis ao longo da semana, transmitidos pelo site do evento e no Youtube do evento, Medical Cannabis Summit, disponibilizará aos inscritos interagirem via chat. 

Entre os nomes presentes estão o Phd Raphael Mechoulam, Marcelo Battistella Bueno, CEO do Grupo Anima Educação, referência universitária em cursos nas áreas de medicina e saúde, Marcelo Geraldi, CEO da Herbarium, renomada indústria farmacêutica 100% nacional com uma grande linha de fitoterápicos, Dr. Willian Dib, que foi presidente da Anvisa, Antoine Daher, fundador da Casa Hunter, instituição sem fins lucrativos com intuito de garantir soluções públicas e sensibilidade para os portadores de doenças raras. O deputado federal Paulo Teixeira, presidente da comissão especial da Câmara sobre remédios à base de Cannabis, também participará do evento, além de médicos e pesquisadores de relevância da medicina canabinoide. A lista com os participantes está em fase de conclusão e segue abaixo junto com a programação.

“Há 40 anos foi realizada a primeira pesquisa clínica que testou a Cannabis em pacientes e por coincidência aconteceu no Brasil. Isso ficou parado no tempo porque não houve interesse das grandes farmacêuticas em produzir mais pesquisas e comercializar produtos e medicamentos canabinóides, já que o processo de lucro se dá por patente, ou seja, com exclusividade das vendas por um determinado período. Com plantas, esse processo de exclusividade não acontece e consequentemente os grandes lucros também não. Porém, o que vemos hoje é que não se consegue mais parar a repercussão e o impacto positivo do uso deste medicamento em diversos tratamentos, no bem-estar e na qualidade de vida de milhares de pessoas do mundo todo”, destaca Marcelo Galvão, CEO da OnixCann.

Homem de terno e gravata sorrindo posando para foto

Descrição gerada automaticamente

Em 1981, um grupo liderado pelo pesquisador Dr. Elisaldo Carlini (Unifesp) publicou no JclinPharmacol, respeitado periódico científico internacional, um estudo duplo cego, randomizado, incluindo uma pequena amostra de oito pacientes, comparados com sete controles, o efeito benéfico do CBD para controle de crises convulsivas. Desde então a Cannabis tem sido usada para tratamentos de várias doenças, como, por exemplo, dores crônicas, autismo, esclerose múltipla, epilepsia, depressão, estresse pós traumático, fibromialgia, Parkinson, Alzheimer, câncer (cuidados paliativos), enxaqueca e ansiedade.

“Vemos que existe um movimento positivo da sociedade, dos pacientes e de um pequeno rol de médicos e profissionais que atuam com a terapia canabinóide e que lutam todos os dias para democratizar os benefícios da planta. Hoje, em uma sociedade democrática de direito não podemos mais calar a voz da sociedade. Está na hora de quebrar o preconceito e abrir as portas do conhecimento, do acesso à informação para que todos conheçam que a Cannabis medicinal não é uma droga, mas sim uma substância que oferece benefícios inquestionáveis para aqueles que adotam ela como tratamento”, complementa Galvão.

O Summit conta com patrocinadores, Ciitech, Verde Med, Herbarium, Cantera, Tegra Pharma e MGC Pharma. Dentre os apoiadores estão Inspirali, Anima Educação, Centro de Excelência Canabinoide, Gravital Clínica Canábica, Reis, Souza, Takheshi & Arsuffi Advocacia Empresarial, Bandtech, Clube Medition 4 You, Abiquif, The Green Hub, Casa Hunter, Santa Cannabis, Sechat, Humanitas 360, Grupo Gaia e Centro Brasileiro de Referência em Medicina Canabinóide. Ainda, o Summit terá um veículo oficial de divulgação especializado no tema, Portal Cannabis & Saúde.

SERVIÇO:

Evento: Cannabis Medicinal Summit

Inscrições gratuitas: www.medicalcannabissummit.com.br

Dias: 10 a 14 de agosto, segunda à sexta-feira

Horário: ao todo são 3 horários iniciando às 18h e indo até às 21h.

Lives em horários especiais a serem divulgadas mais adiante no site do evento.

Programação das 18h às 19h das transmissões do evento:

  • 10/08 Phd. Raphael Mechoulam. Abertura Oficial do Evento.
  • 11/08 – Cleusa Ladário e Mariana Lima – Conteúdo: História de pacientes, autismo e busca de recursos para tratamento.
  • 12/08 – Pedro Sabaciauskis Presidente Associação Santa Cannabis e Altair Lira, pai de uma jovem com doença falciforme e co-fundador da ABADFAL – Associação Baiana das Pessoas com Doenças Falciformes, co-fundador da FENAFAL – Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doenças Falciformes. Conteúdo: Associações
  • 13/08 – Em fase de conclusão e confirmações.
  • 14/08 – Advogado Diogo Pontes Maciel e Advogada Ana Izabel Carvana de Holanda. Conteúdo: Tratamento de Cannabis pelo plano de Saúde/SUS.

Programação das 19h às 20h das transmissões do evento:

  • 10/08– Marcelo Bueno, CEO da Anima e Dr. Cid Gusmão CMO da CanTera. Conteúdo: A importância da educação como ferramenta para o acesso à cannabis medicinal.
  • 11/08 – Antoine Souheil Daher – Presidente Da Casa Hunter, Lívia mãe da paciente Gabriely, Dr. Pedro Pierro e Dr. Vinícius Barbosa. Conteúdo: Autismo, Epilepsia, Dor e Doenças Raras tratadas com cannabis medicinal. 
  • 12/08 – Marcelo Geraldi – CEO Herbarium, Dra. Jackeline Barbosa – CMO Herbarium, Dra. Ailane Araújo, Jaime Ozi, Sócio e Vice-Presidente de Negócios da OnixCann Conteúdo: Fitoterápicos – Vantagens e Benefícios no tratamento canabinoide.
  • 13/08– Dra. Ana Hounie, Dr. Guilherme Toshihiro Takeishi e Adriana Reis. Conteúdo: A medicina canabinoide para Ansiedade, Insônia e Stress, o impacto da pandemia e a troca eficiente dos psicotrópicos, remédios de tarja preta pelos produtos medicinais de cannabis e a legislação quanto a publicidade de medicamentos.
  • 14/08 –Deputado Federal Paulo Teixeira, Dr. Willian Dib, Patrícia Villela Marino, os advogados Dr. Arthur Arsuffi e Werner Buff e Marcelo Galvão – Fundador e CEO OnixCann | CanTera. Conteúdo: A legislação e o regulatório em torno da Cannabis Medicinal no Brasil – parte 1.

Programação das 20h às 21h das transmissões do evento:

  • 10/08– Dr Cristiano Fernandes, Dra. Patrícia Montagner e Prof. Dr. João Menezes UFRJ. Conteúdo: Educação – parte 2
  • 11/08 – Ana Gabriela Baptista, Dr. Marcos Prandine e Margarida SOS Cannabis. Conteúdo: Protocolos e escalas de funcionalidade paciente
  • 12/08 – Em fase de conclusão e confirmações.
  • 13/08 – Dr. Ricardo Ferreira e Dr. Eduardo Faveret. Conteúdo: A história de médicos precursores no tratamento canabinoide no Brasil.
  • 14/08 – Marcelo Galvão – Founder e CEO OnixCann | CanTera, Jaime Ozi – Partner e VP OnixCann | CanTera, Dr. Willian Dib – que foi presidente da Anvisa e o advogado Werner Buff, legal affairs da Verde Med. Conteúdo: A legislação e o regulatório em torno da Cannabis Medicinal no Brasil – parte 2.

Sobre o TransformaçãoDigital.com

O TransformaçãoDigital.com é um ecossistema que conecta pessoas e empresas à transformação digital, com o objetivo de simplificar e democratizar o futuro. Fundada em 2017, a empresa catarinense busca, através de ferramentas digitais, eventos e treinamentos, entre outras iniciativas, auxiliar na transformação do negócio e da estratégia de empresas que buscam maneiras de reinventar o modelo de negócio de olho nas tendências de uma sociedade cada vez mais conectada por meio da tecnologia.

Sobre a OnixCann

A OnixCann é uma healthtech brasileira de Cannabis medicinal que conecta pacientes com médicos, seguindo protocolos clínicos e padrões internacionais de qualidade. Com uma equipe clínica e científica altamente qualificada, a OnixCann traz para o Brasil o que existe de mais moderno no ecossistema global de Cannabis medicinal. Dentro desse ecossistema, a OnixCann atua estrategicamente em 4 importantes segmentos – educação, farmacêutico, tecnológico e conteúdo digital, com o compromisso de transformar a qualidade de vida e contribuir com a saúde dos pacientes e a formação de médicos e profissionais de saúde no país.

Organizado pela healthtech de Cannabis Medicinal CanTera, empresa do grupo OnixCann, e com objetivo de trazer informação qualificada sobre medicina canabinoide e saúde mental durante a Covid-19, Marcelo Moura, Executivo, Palestrante e especialista em inovação, conversou com o Dr. Wilson Lessa  e o Dr. Cristiano Fernandes  nessa edição gratuita do Webinário Saúde Mental e Cannabis Medicinal em tempos de coronavírus.

Dr. Lessa é psiquiatra, professor da Universidade Federal de Roraima, diretor científico da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis e membro da Society of Cannabis Clinicians (SCC) e da International Cannabinoid Research Society (ICRS) e também diretor da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis.

O Dr. Cristiano é co-responsável pela compilação dos prontuários médicos para tratamento e pesquisa envolvendo Cannabis Medicinal na CanTera, é médico graduado pela Universidade Federal de Uberlândia (1999), com mestrado em Genética e Bioquímica pela Universidade Federal de Uberlândia (2002), residência médica no Hospital Ipiranga (2004), Hematologia e Hemoterapia pela Faculdade de Medicina do ABC (2006). Membro da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), do Comitê de Ética Médica do Hospital Nove de Julho e hematologists no CCC, com extensa experiência e foco em neoplasmas hematológicos (Leucemia, Linfomas e Mielomas).

Os médicos iniciaram o Webinário explicando a dificuldade que todos nós estamos enfrentando nesse momento desconhecido. A incerteza de futuro, solidão, sensação de impotência, o risco de ficar sem renda e a perda de familiares e amigos podem desencadear efeitos colaterais como: insônia, ansiedade, estresse e depressão.

Lembrando que a classe médica e todos os profissionais de saúde  também estão  trabalhando no limite da saúde mental durante a Covid-19. Além, de pertencer ao grupo de maior exposição ao vírus, uma das tarefas mais difíceis, talvez seja providenciar a despedida dos familiares que perderam a vida para a pandemia.

O canabidiol é um aliado no combate a toda essa ansiedade que a Covid-19 está proporcionando, porém ainda pouco discutido. A Cannabis tem propriedades ansiolíticas comprovadas e resultados positivos em pacientes com problemas psicológicos, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. 

Enquanto não se descobre uma vacina ou droga de eficácia comprovada contra o coronavírus, o isolamento social ainda será a melhor metodologia para evitar o contágio e disseminação do vírus.

Ao longo do Webinário Dr. Lessa e o Dr. Cristiano responderam algumas questões relevantes, levantamos abaixo alguns dos principais tópicos discutidos.

Como manter a saúde mental durante o isolamento? (14’59”)

Dr. Lessa explica que, considerando as pessoas que estão cumprindo o isolamento em casa, crianças, jovens, adultos e idosos. As crianças, o ideal é que mantenham as atividades seguindo sua rotina “normal”, não está indo para a escola, tudo bem, mas pode fazer as atividades online. “É interessante inclusive colocar a camiseta do uniforme da escola”, comenta Dr. Lessa, para não perder a essência da rotina. “A rotina de certa forma alivia nossa ansiedade, traz uma sensação de segurança”, complementa.

“É importante que as pessoas em casa conversem”, Dr. Lessa explica que quando você usa sua casa apenas para dormir, trabalhando o dia inteiro fora, é uma coisa. A realidade da convivência diária precisa ser trabalhada, gera estresse, é preciso determinar espaços e horários, dialogar, buscar saídas para tornar a convivência mais leve.

Fazer exercícios físicos é muito importante. Muitos podem ser feitos dentro de casa. Inclusive existem várias aulas disponíveis na internet. Se for fazer na rua, mantenha a distância de 3 a 5 metros de outras pessoas.

É importante que as pessoas tomem sol, na janela, no quintal, se puder fazer isso, ajuda muito a manter a saúde em dia. “É você tentar “driblar” o momento, claro, respeitando as determinações estabelecidas, para manter a sensação de bem-estar.”

Mantenha uma rotina de leituras, assista série, filmes, mas não veja tudo de uma vez, isso é uma tendência do isolamento. Também não exagere na alimentação, é um dos reflexos da ansiedade. O ser-humano tem uma tendência pela compulsividade, e nesse momento isso pode ser potencializado.

Qual o impacto desse cenário na vida dos médicos e profissionais de saúde? (24’05”)

Dr. Cristiano Fernandes comentou que essa situação é bastante próxima do Transtorno de estresse pós-traumático. Os profissionais da saúde estão lidando diretamente com um medo diário, todos os dias você tem conhecimento de um colega que testou positivo, o médico fica com um medo constante na sua cabeça: “quando é que esse raio vai acertar em mim?”, todos os dias você vai para o trabalho pensando: “hoje é o meu dia, hoje vou testar positivo.”

“Hoje você ter o IgG Positivo virou uma questão de status entre os médicos”, explica Dr. Cristiano, “o status estou curado, estou protegido”, e ainda não é nada garantido. A própria Organização Mundial da Saúde ainda não considera o IgG Positivo uma garantia de segurança, existem relatos em Literaturas de Infecção, são basicamente 2 Sorotipos para o Covid-19, ou SarsCov2: o Sorotipo L e o Sorotipo H. Ainda não existe certeza de que esse título protetor adquirido pode proteger contra os dois Sorotipos (L e H), e principalmente, se é uma proteção prolongada e definitiva.

“A experiência de estar na linha de frente com pacientes com Covid-19 é uma sensação que muitos médicos vivenciam de forma intensa, tem crise de pânico, crise de ansiedade, sudorese nas mãos, descontrole emocional, você percebe que o profissional fica mais agressivo. Acredito que quem está na linha de frente se comporte muito próximo ao Transtorno de estresse pós-traumático, e quem está em casa tenha mais ansiedade, depressão, de acordo com o quadro endógeno de cada um”, explica Dr. Cristiano.

“E isso tem tudo a ver com a Cannabis. Um dos nossos endocanabinóides principais é a Anandamida, responsável por essa sensação de bem-estar, o desequilíbrio dos endocanabinóides leva a uma piora do quadro emocional”, complementa Dr. Cristiano.

Quais os impactos desse cenário de reclusão na vida dos pacientes que sofrem com PTSD, ansiedade, stress? (35’00”)

Dr. Lessa diz que boa parte desses pacientes pioram nessas situações, “a gente vê claramente que o suicídio diminui bastante, por conta do sentimento de sobrevivência que a gente tem. Agora, a ansiedade, os transtornos, obsessões com sujeira, compulsão por organização, essas patologias aumentam muito nesse momento.”

Dr. Wilson Lessa também revelou que está recebendo em seu consultório pessoas que nunca tiveram quadros de ansiedade e que estão desenvolvendo essa condição recentemente, “porque deixaram de fazer coisas que eram atenuantes do stress diário”.

Pacientes que não tinham determinada patologia, passaram a ter por outros motivos. “Eu atendo um paciente, idoso, faz mais de 5 anos, o prazer dele é ficar com os netos, e agora ele não pode mais fazer isso, o paciente vem apresentando um quadro de depressão crescente. Muitas vezes vou na casa dos pacientes, para eles não precisarem sair, este paciente sempre faz questão de ir ao consultório, para não se sentir ainda mais isolado”.

“Crianças autistas que fazem atividades na escola, na fonoaudiologia, agora precisam ficar em casa. Isso aumenta o estresse das mães também, é uma cadeia de situações que agravam tudo que a gente está passando, e a gente pode aprender muito com tudo isso”, explica Dr. Lessa. O Brasil tem uma característica muito forte de solidariedade, pessoas que se prontificam a ajudar outras que estão passando necessidade, isso motiva a gente, finaliza.

“Com relação à ansiedade, depressão, a Cannabis pode ajudar muito. A gente sabe fisiologicamente que o THC, a molécula psicoativa mais conhecida, em doses muito baixas, abaixo de 2,5 mg, tem uma atividade ansiolítica importante, uma preferência em fazer uma diminuição do disparo de neurônios do glutamato, que é um neurônio excitatório.

Em doses baixas, o THC diminui o disparo do glutamato; porém em doses altas, a gente tem o sistema GABA, que é o sistema inibitório, e ele acaba inibindo a inibição. Quer dizer, em dosagens maiores, ele tem ação ansiogênica, aumenta a ansiedade.

O canabidiol, por sua vez, por ter uma ação indireta, por aumentar os endocanabinóides, tem uma ação antagonista do receptor 5-HT1A, que é o receptor da serotonina. Fazendo esse antagonismo, ele tem uma ação ansiolítica muito significativa. Ele reduz a ansiedade. Isso já tem modelos pré-clínicos e em seres humanos também. Para ansiedade, O CBD é uma das principais medicações. O THC tem usos em alguns casos, mas o CBD é o ideal”, explica Dr. Lessa.

Qual a relação e o impacto deste momento com a Medicina canabinoide? (43’54”)

Dr. Cristiano respondeu que existe uma questão sobre a imunologia e a Cannabis Medicinal, mas existe muita controversa e muita fantasia. “É muito difícil avaliar o sistema imunológico de um indivíduo, a gente possui muito poucas doenças que deprimem o sistema imunológico, a maioria delas são doenças herdadas, fora isso, as baixas do sistema imunológico são muito poucas, é difícil inclusive de mensurar.”

“O que a gente sabe é que existem algumas drogas que abaixam muito o sistema imunológico, é o caso dos corticoides. Hoje o paciente tem acesso ao corticoide sem receita médica na farmácia, ele não faz ideia do impacto do que ele está tomando, precisa ter acompanhamento médico, inclusive nesse momento de Covid-19 é muito discutido, entre os médicos cada caso, se vale realmente a pena você introduzir o corticoide no paciente”, complementa.

“O que eu quero dizer é que não existe nenhum trabalho científico que ateste que a Cannabis muda o sistema imunológico de um individuo ou não. A gente sabe que ele muda muito o humor, e isso já é muito importante nesse momento”, finaliza.

Dr. Lessa também explica que a ansiedade se manifesta nos momentos em que a gente sente sintomas psicológicos da doença, como falta de ar momentânea ou a sensação de nó na garganta. Nestes casos, é interessante procurar auxílio médico, e existem opções online de tratamento psicológico e medicamentoso.

Dr. Lessa afirma que está recebendo pessoas que nunca tiveram quadros de ansiedade e estão desenvolvendo, justamente porque deixaram de fazer coisas que funcionavam para aliviar o estresse diário. “Não é apenas a questão do isolamento, é deixar de fazer as coisas que te faziam bem, não pode”, finaliza. 

Estudos apontam que THC e CBD têm funcionado em casos de enxaqueca. E o melhor: com menos efeitos colaterais que os medicamentos alopáticos

 Aline Vessoni 

A humanidade recorre há milênios recorre ao uso da Cannabis a fim de minimizar dores – de uma maneira geral. E sabe-se, hoje em dia, através de evidências científicas, da eficácia de canabinoides no tratamento da dor, inclusive no que diz respeito a cefaleia e enxaqueca.

Pesquisas sobre a Cannabis sativa comprovam sua propriedades farmacológicas de ações sedativas, antipsicóticas, antioxidantes, ansiolíticas, anticonvulsionantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras. Justamente por isso, médicos testam também o uso de canabinoides no tratamento de doenças neurológicas, entre elas enxaquecas e cefaleia em salvas.

De acordo com um estudo apresentado em congresso da Academia Europeia de Neurologia, os canabinoides seriam mais eficazes em reduzir a frequência das dores de cabeça do que os medicamentos alopáticos.

Na primeira fase de testes, os 127 participantes da pesquisa foram medicados com um composto de THC e canabidiol (CBD). Entre eles, alguns sofriam de enxaqueca crônica e outros de cefaleia em salvas. Os pacientes receberam doses variadas da droga. Houve uma redução de 55% da dor em quem recebeu 200 mg da droga diariamente durante três meses.

Na segunda etapa, os pacientes receberam a droga de THC-CBD ou 25 mg de amitriptilina – antidepressivo comumente utilizado para esses tratamentos.

No que diz respeito à redução na frequência das crises, ambas as drogas tiveram resultados parecidos. Foram 40,4% contra 40,1% do antidepressivo. Em compensação, os canabinoides se mostraram mais eficazes no grau da dor, diminuindo-a em 43,5%.

Em outra pesquisa americana, esses pacientes também usaram Cannabis para tratar a doença. E 40% deles relataram uma diminuição na frequência. As crises caíram de 10 episódios para 4 por mês.

Menos efeitos colaterais

Segundo o estudo estudo europeu, os canabinoides ainda tiveram melhor desempenho que os medicamentos alopáticos. Esse grupo apresentou menos colite, dores musculares e estomacais do que os medicadas com antidepressivos. Ao usarem a Cannabis, no entanto, os participantes relataram mais sonolência.

Pesquisas para o futuro

Segundo o artigo “Canábis Medicinal na neurologia clínica: uma nuvem de incertezas”, os benefícios do uso da Cannabis em enxaquecas ainda estão longe de serem estabelecidos. De acordo com os autores, o mais provável é que algum dos mecanismos que desencadeiam a enxaqueca sejam inibidos com os canabinoides.

Quando existe um transtorno alimentar, seja para mais (compulsão) ou para menos (anorexia), ocorre uma biorregulação do sistema endocanabinoide para uma otimização do balanço energético”, explica o psiquiatra Wilson Lessa, especialista em transtornos alimentares.

 Juliana Bernardino 

Comer é muito prazeroso. Nosso cérebro evoluiu para produzir sentimentos de euforia quando comemos porque as refeições aumentam a probabilidade de sobrevivermos e transmitirmos nossos genes – o que, por sua vez, induz a próxima geração a gostar de comer também. No entanto, para algumas pessoas, comer pode levar a sentimentos de ansiedade e medo.

A comida, ou mesmo a expectativa de se alimentar, faz com que alguém com anorexia nervosa, por exemplo, se sinta terrivelmente desconfortável. A única coisa que pode reduzir essa ansiedade é evitar completamente a comida. Surpreendentemente, apesar de seus intensos esforços mentais para evitar os alimentos, eles costumam estar preocupados com pensamentos a respeito ou com a intenção de prepará-lo para os outros. O alimento nunca perde verdadeiramente sua influência sobre o cérebro!

Para aqueles que sofrem com transtornos alimentares, existem algumas evidências de que pode haver um desequilíbrio na química do cérebro relacionada ao sistema interno de neurotransmissores da maconha. É o já  conhecido sistema endocanabinoide, e sua interrupção pode ser responsável pelo desenvolvimento de diversas disfunções.

De alguma forma, a funcionalidade do sistema endocanabinoide é afetada ou prejudicada negativamente em pessoas com anorexia ou bulimia.

“O sistema endocanabinoide é o grande maestro de uma orquestra de vários sistemas fisiológicos interdependentes. Como disse certa vez o importante pesquisador italiano Vincenzo di Marzo, o sistema endocanabinoide é essencial para a vida e afeta como nós relaxamos, comemos, dormimos e nos protegemos. Quando existe um transtorno alimentar, quer seja para mais (compulsão) ou para menos (anorexia), ocorre uma biorregulação do sistema endocanabinoide para uma otimização do balanço energético”, explica o psiquiatra Wilson Lessa, especialista em transtornos alimentares.

Não é novidade que, de um modo geral, a utilização da Cannabis aumenta o apetite. O THC e seu estímulo do receptor CB1 são os responsáveis pela conhecida “larica”. Por outro lado, sabemos que o bloqueio desse mesmo receptor CB1 inibe o apetite.

O famoso medicamento Rimonabanto deixou isso bem evidente há pouco mais de uma década, sendo até uma excelente promessa para um anorexígeno, não fosse seus graves efeitos colaterais no que se refere à depressão. Por outro lado, O THCV é um fitocanabinoide com atividade anorexígena eficiente e segura. O próprio canabidiol, em sua ação no sistema serotoninérgico, também tem uma ação de diminuir a fome.

Existem estudos que provam que a Cannabis pode estimular o apetite. Isto é especialmente verdadeiro para pessoas que sofrem de doenças como câncer ou HIV e não sentem fome devido à medicação forte. Infelizmente, a pesquisa sobre transtornos alimentares é muito limitada, e os resultados são por vezes contraditórios.

Enquanto algumas pesquisas têm o efeito apetitivo de Cannabis a confirmar, o resultado é menos positivo em outras. Em alguns casos, o apetite dos pacientes é realmente estimulado, mas um aumento da ingestão de alimentos ou ganho de peso nem sempre pode ser observado.

“Um estudo interessante de 2013, intitulado “Cannabis and Delta9THC for weight loss?” de Bernard Le Foll, chegou à conclusão de que a prevalência de obesidade é paradoxalmente menor em usuários de Cannabis, quando comparado a não usuários e não relacionada ao uso do tabaco e outras variáveis como sexo e idade.” descreve o Dr. Wilson Lessa

Com essa característica de dualidade da planta Cannabis, um tanto quanto yin-yang, e percebendo que determinados fitocanabinoides são orexígenos (estimulam apetite) e outros anorexígenos (diminuem apetite) podemos pensar no tratamento de uma gama de transtornos alimentares. Lembrando que o canabidiol, por sua ação anti-inflamatória nos vasos sanguíneos, também diminui os efeitos ateroscleróticos induzidos pelo excesso de glicose. Ou seja, pode ser útil na causa e nas consequências dos distúrbios alimentares em muitos casos.

Já a nutricionista Andrea Menezes deixa claro que o uso da Cannabis sem uma alimentação adequada e um acompanhamento psicológico não faz milagre. Ela já trabalhou com uma paciente anoréxica e o uso de Cannabis foi uma parte importante do tratamento para estimular o apetite e diminuir a ansiedade, mas foi um tratamento em conjunto com muitos outros elementos.

Andrea também falou sobre como o sistema endocanabinoide do cérebro normalmente controla quanto prazer obtemos de experiências sensoriais; isso nos motiva a repetir a experiência repetidamente. Um interesse obsessivo em alimentos associado a uma resposta emocional inadequada é consistente com uma disfunção no sistema endocanabinoide do cérebro. Essas novas informações podem ajudar a identificar novos alvos para medicamentos que podem ajudar a reverter os sintomas de transtornos alimentares.

O médico Gilberto Kocerginsky, que atua com Cannabis medicinal desde 2014, tem tido um bom resultado no uso de CBD (com muito pouco THC) em pacientes obesos e no controle de suas ansiedades e compulsão alimentar.

A Cannabis medicinal e o sistema endocanabinoide atuam como modulador do sistema nervoso central, equilibrando a liberação de neurotransmissores na sinapse e isso faz com que os componentes de compulsão possam se beneficiar muito desse tratamento. Lembrando que os 3 principais neurotransmissores relacionados à compulsão seriam: serotonina, dopamina e os receptores opiáceos. Quando existe um desequilíbrio desses três sistemas, surge um transtorno de compulsão. Pode ser tanto transtorno alimentar como de jogos, alcoolismo e dependência química.

O sistema endocanabinoide ajuda na remodelação desses neurotransmissores. E com isso é possível restringir a compulsão alimentar ou atitudes prejudiciais como, por exemplo, em um paciente bulímico.

A Cannabis medicinal pode e deve ser usada como acessório e até mesmo como um tratamento inicial para transtornos alimentares. Tudo é um mecanismo de equilíbrio dos nossos neurotransmissores, e a Cannabis atua como um grande modulador desse sistema, equilibrando serotonina, dopamina, como o sistema opiáceo e endógeno.

Com a liberação de determinados hormônios, como grelina e leptina, facilita o processo de apoio a esses pacientes. Lembrando que cada caso merece um raciocínio clínico exclusivo, pois cada paciente e transtorno irá pedir um tipo de Cannabis e uma dose específica para ter um resultado terapêutico ideal.

Pesquisadores avaliaram os benefícios do dronabinol, um sintético de Cannabis, em três pacientes diagnosticados com Transtorno Obsessivo Compulsivo

Felipe Germano 

Crédito: Wikicommons / Howard Hughes, aviador e engenheiro aeronático que ganhou as telas de Hollywood, tinha Transtorno Obsessivo Compulsivo

Em 2005, o filme que fez a rapa nos Oscar, com 5 estatuetas, foi O Aviador. De Scorsese, a obra conta a história real de Howard Hughes: um americano criado em meio à, olhe só, uma quarentena (a de cólera que assolou Houston em 1912). Hughes cresceu e se tornou engenheiro, diretor e, claro, o tal do aviador do título – mas uma das cenas mais chocantes não envolve aviões. Interpretado por Dicaprio, Hughes lava as mãos incessantemente até elas sangrarem.

Isso porque, além de bem sucedido, ele tinha Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Agora, um novo estudo mostra que talvez isso não tivesse acontecido, se o protagonista passasse por tratamentos mais modernos: a pesquisa sugere que um sintético de THC pode ajudar no tratamento de TOC.

Para chegar à esta conclusão, o estudo, feito pela Universidade de Columbia, reuniu estudos que tentavam entender tanto como funcionava o cérebro de pessoas com TOC, quanto o efeito da maconha no sistema nervoso de todos nós. Foram selecionados 150 estudos que falavam ora sobre uma coisa, ora sobre outra – mas que quando cruzados podiam nos levar a algumas conclusões interessantes.

Os pesquisadores, então, detectaram as principais formas pelo qual o TOC se manifesta. Em geral, pacientes com o transtorno sentem uma quantidade anormal de ansiedade, medo e criam comportamentos repetitivos. O próximo passo foi entender como a Cannabis age frente a essas situações.

Medo e Ansiedade

Os pesquisadores encontraram coerência na combinação medo e/ou ansiedade + Cannabis: em geral, as pesquisas mostravam que derivados de maconha tendiam a acalmar seus usuários.

“A relação entre canabinoides, ansiedade e medo têm sido bem explorada nas pesquisas clínicas”, dizem os responsáveis pelo estudo. “E os resultados têm apontado que o canabinol e o dronabinol (sintético de Cannabis) atenuam os estímulos de medo recebidos por nosso cérebro”, completam.

Comportamentos compulsivos

O TOC, no entanto, não é conhecido pelo medo de seus portadores. O que costuma lhe caracterizar são as ações repetitivas de quem tem o transtorno. Mas elas não aparecem só entre os diagnosticados com essa condição específica. Foi justamente em portadores de outros transtornos que os pesquisadores conseguiram encontrar um maior número de estudos para serem analisados.

“Pesquisas com pacientes diagnosticados com Tourette têm indicado que fumar maconha pode reduzir tic motores e também a urgência de praticar comportamentos compulsivos”, afirmam os pesquisadores. A informação é extremamente relevante. Quem tem Tourette não consegue controlar impulsos como emitir sons ou movimentar o corpo de forma brusca repentinamente. Para os responsáveis pelo estudo, esses movimentos são causados pela mesma parte do cérebro que obriga portadores de TOC a criarem rituais de repetição. Uma solução para um talvez ajude os dois.

A descoberta é definidora?

Em partes. Os próprios cientistas envolvidos no relatório confessam: há pouquíssimas pesquisas que relacionam diretamente o efeito da cannabis em portadores do Transtorno. “Até hoje, apenas três estudos reportaram os efeitos de canabinoides em sintomas do TOC”, afirma o texto. Apesar de ser uma amostra muito pequena, os resultados foram bons.

A primeira das pesquisas girou em torna de uma mulher de 38 anos diagnosticada com depressão e TOC. Durante 10 dias, cientistas acrescentaram dronabinol ao seu antidepressivo. Ao fim do estudo, ela havia caído de 20 para 10 pontos na Escala de Yale-Brown (principal método para avaliar pacientes obsessivos compulsivos). Na prática, isso significa que ela passou de “moderada” para “amena”.

O segundo teste envolveu um homem de 36 anos com esquizofrenia e TOC. Por 12 dias também recebeu doses de dronabinol, um THC sintético. Caiu de 25 para 15 pontos na mesma escala.

O terceiro estudo avaliou o caso de um homem de 24 anos que desenvolveu TOC após um derrame. Por duas semanas tomou dronabinol e ao final dos testes tinha passado de 39 para 10 pontos.

E agora?

Os pesquisadores acreditam que novos estudos devem ser feitos, para que qualquer conclusão possa ser realmente feita. Mas se mostraram confiantes de que produtos a base de cannabis podem ter efeitos positivos entre pacientes.

“Os medicamentos canabinoides têm o potencial de produzir novas farmacoterapias muito esperadas por aqueles que sofrem os efeitos debilitantes do Toc. Mas apenas uma exploração mais aprofundada deste tópico determinará se os canabinoides passam o teste mais importante: ajudar mais pacientes com Toc a alcançar seu bem-estar.”, concluem.

Por seis anos, Maria buscou e testou todas as maneiras de reduzir as dores causadas pela doença. O alívio só veio mesmo com o uso dos óleos de Cannabis medicinal, associado à fisioterapia, exercício físico e autoconhecimento

Aline Vessoni 

Maria dos Santos* tinha apenas 16 anos quando as dores começaram. Primeiro nas costas, depois vieram para as mãos. “Eu tocava violoncelo e achava que a dor era normal, de fazer esforço. Não pensava que pudesse ser algo patológico”, relata. O quadro se agravou na faculdade de Artes Cênicas que possui uma grade curricular em que o trabalho físico é bastante intenso. “Eu precisava parar no meio das aulas tamanha a fadiga”, conta.

Com o agravamento dos sintomas, a peregrinação em consultórios médicos era frustante: o protocolo de exames e raios-X não acusava nada, os ortopedistas não fechavam diagnósticos. Maria, aos poucos, foi deixando de acompanhar as aulas, depois já não conseguia fazer exercícios físicos – até mesmo andar estava difícil.

Ela foi perdendo a esperança ao não encontrar alívio nas incontáveis sessões de fisioterapia, massagens. Nem mesmo nos medicamentos faziam efeito. No meio disso tudo, a depressão somou-se ao quadro e ela resolveu trancar o curso e voltar a morar com os pais.

“Ano passado, larguei tudo e passei por vários especialistas. Até que, finalmente, um reumatologista diagnosticou a fibromialgia e artrite reumatóide. Mas o remédio para tirar a dor não adiantava. Passei por terapia fotodinâmica [uma combinação entre ultrassom e laser], ozonioterapia [aplicações de oxigênio e ozônio], acupuntura, sem sucesso. Nada parecia resolver, eu não via alternativas. Foi então que os pensamentos suicidas se intensificaram”, revela.

A melhor alternativa

“Foi bem difícil vê-la passar por isso. Só a via deitada ou sentada, chorando boa parte da noite. Nós fizemos de tudo, mas chegou a um ponto [de dor] que ela falava que preferiria morrer”, relembra sua mãe, Joana*.

Na busca por novos tratamentos, Joana encontrou na internet relatos positivos sobre o canabidiol para casos de dor. Entrou em contato com associações, e, como mora no interior de São Paulo, comprou o óleo antes mesmo de encontrar um médico prescritor.

“O óleo foi um ‘achado’ maravilhoso. Era nossa última alternativa, já tínhamos tentado de tudo. Eu falo que essa planta é sagrada, pena que é tão recriminada”. Mas ressalta que é preciso ter paciência: “demorou um mês para Maria sentir os efeitos”.

Atualmente, Maria se trata com um óleo 6% THC associado ao CBD e outro 100% CBD – o primeiro atuante sobretudo na dor e o segundo para a depressão. Voltou para a fisioterapia, para o pilates e também para o divã. “O óleo não é milagroso, mas associado a atividades físicas, e terapia, minhas dores diminuíram muito”, finaliza Maria que com a diminuição dos sintomas conseguiu retomar a graduação, está trabalhando e também encontrou um amor para chamar de seu. 

* nomes fictícios foram usados para evitar que a família sofresse retaliações, já que a entrevistada não possui autorização da Anvisa para importar a Cannabis medicinal e faz uso de óleo considerado clandestino

Pesquisas mostram que a ação dos canabinoides pode controlar os sintomas destas destas cinco enfermidades: Alzheimer, autismo, epilepsia, fibromialgia e Parkinson. Saiba mais

A popularidade da maconha medicinal não é novidade. Desde de 2012, quando existiu o popular caso de Charlotte Figi, garotinha americana com 5 anos de idade, que teve suas crises convulsivas curadas com um óleo rico em CBD, a Cannabis para uso terapêutico deu um importante salto na área da saúde e em outros campos científicos. Hoje a maconha é usada também para o tratamento de outras doenças, com eficiência comprovada. Vamos falar delas?

Alzheimer

O Mal de Alzheimer é definido como uma doença neurodegenerativa com perda progressiva de memória e sintomas cognitivo-comportamentais. Na prática, a pessoa sofre perda de memória, agitação psicológica e motora, depressão, transtornos afetivos com isolamento social, falha no reconhecimento facial e até aumento de agressividade.

Pesquisas indicam que as propriedades do canabidiol tem tido eficiência em casos de Alzheimer. Em laboratório, a substância apresentou capacidade de neurogênese, ou seja, de formar novos neurônios no hipocampo (onde acredita-se que são armazenadas as memórias), no cérebro de ratos. E isso é muito positivo para o tratamento, pois tem potencial de parar a perda progressiva da memória e da cognição.

Uma revisão de estudos publicado em 2019 na Revista Brasileira de Neurologia também demonstrou que o uso de THC e CBD pode proporcionar aumento na diferenciação celular, na expressão de proteínas axonais e sinápticas, além de apresentar efeito neuro restaurador. Isso resulta em maior atividade cerebral no hipocampo, o que facilita com que as memórias não se degenerem na velocidade assustadora da doença. 

Autismo

Nos últimos anos, cientistas têm descoberto similaridades entre o autismo e a epilepsia. Na primeira, o sistema de auto-regulação se desfaz e os neurônios excitatórios se empolgam, gerando uma reação em cadeia que resulta em um fluxo caótico de atividade que pode se manifestar de diversas formas, como no movimento descontrolado dos músculos.

Cientistas acreditam que algo similar possa estar acontecendo na cabeça das pessoas diagnosticadas com autismo. De acordo com a Teoria do Mundo Intenso, do pesquisador Henry Markram, o excesso de ativação neuronal na mente dos autistas gera um ganho extremo de intensidade na percepção dos estímulos sensoriais.

E o sistema endocanabinoide trabalha exatamente nessa regulação da atividade neuronal. Em pacientes com epilepsia, quando a atividade neuronal excessiva ocorre, os endocanabinoides são produzidos em resposta, o que faz a atividade excessiva dos neurônios se tranquilizem, cessando o ataque.

Diante desses fatos e de como o uso de CBD no tratamento de pessoas com epilepsia tem sido um sucesso, o teste com os autistas é uma consequência lógica. Alterações na expressão de receptores canabinoides periféricos foram verificados em pacientes autistas, sugerindo possíveis deficiências na produção e regulação de canabinoides produzidos pelo corpo. Esta hipótese foi confirmada recentemente para a anandamida, um importante endocanabinoide, que é reduzido em pacientes com TEA.

Em um estudo brasileiro publicado na revista científica Fronties in Neuroscience, todos os pacientes que passaram a receber o tratamento com o extrato de CBD tiveram algum tipo de benefício observado pelo uso da Cannabis. Quatorze dos quinze pacientes tiveram 30% de melhora em pelo menos um dos sintomas, sendo que sete deles apresentaram essa melhora em quatro ou mais dos sintomas analisados

Epilepsia

Pesquisas com pacientes epilépticos que tenham feito tratamentos com CBD estão tendo ótimos resultados. Um deles, realizado por pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, envolveu 72 crianças e 60 adultos que não respondiam aos remédios tradicionais.

Eles passaram a tomar Epidiolex, um remédio à base de CBD liberado para controle de convulsões, por pelo menos 12 semanas, com doses progressivamente maiores ao longo das semanas. O resultado foi que a maioria reduziu drasticamente a severidade e a quantidade de convulsões.

Outro estudo mostrou crianças que registravam 70 convulsões a cada 14 dias – cerca de cinco episódios diários. Doze semanas após o início do tratamento com CBD, as crises caíram timidamente: passaram para 69. Porém, após 6 meses, esse número caiu para 43. E, dentro de um ano, as convulsões passaram para apenas 27 vezes a cada duas semanas.

Em 2015, foram avaliados 17 estudos com uso de CBD nesses pacientes e, mais uma vez, as convulsões diminuíram. Em 2018, outros pesquisadores avaliaram seis pesquisas de CBD em pacientes epilépticos. A conclusão: “recentes estudos que incluíram mais de 100 participantes mostraram que o uso de CBD resultou em uma significante redução na frequência de convulsões. 

Fibromialgia

“A experiência de Cannabis para dor talvez seja a melhor experiência médica em termos de eficácia, pelos relatos dos pacientes. É disparada a indicação mais frequente, seja na oncologia ou na esclerose múltipla, para tratar a dor gerada pela doença”, explica o ortopedista Ricardo Ferreira, especialista em coluna e dor.

Ainda que os pacientes relatem melhora com os medicamentos convencionais (analgésicos, opioides e antidepressivos), é a maconha que tem apresentado os melhores resultados em casos de fibromialgia.

Uma pesquisa israelense realizou estudos clínicos para comprovar essa eficácia. Para 50% dos envolvidos, houve um ganho na qualidade de vida e redução nas dores da fibromialgia, e as pacientes abandonaram os medicamentos convencionais. Outros 46% reduziram pela metade a dose desses remédios químicos.

Frases como “voltei a ser a mesma pessoa de antes”, “queria ter recebido esse tratamento quando fui diagnosticado”, e “esse tratamento é milagrosos” impressionaram os pesquisadores. 

Parkinson

A dopamina está relacionada àquela sensação boa de quando conseguimos algo que queremos. Acontece que, em algumas pessoas, principalmente com o passar da idade, esses neurônios começam a morrer. Não se sabe muito bem o que desencadeia essa reação, mas ela atinge cerca de 3,3% dos brasileiros com mais de 65 anos. Porém, de cada dez pacientes, um tem menos de 50 anos. Essa condição é conhecida como Parkinson.

Com limitada produção de dopamina, o cérebro não consegue se comunicar direito com os músculos, e assim começam os tremores, rigidez e lentidão dos movimentos. Por estarem relacionadas também ao chamado sistema de recompensa, causa depressão, irritabilidade e dificuldade para dormir.

Pesquisadores descobriram receptores canabinoides e compostos endocanabinoides em grandes concentrações em áreas cerebrais envolvidas no processamento e execução de movimentos corporais, como, por exemplo, nos gânglios da base, onde se encontra a substância negra. 

Pesquisas em animais e humanos demonstraram que o sistema endocanabinoide passa por alterações neuroquímicas, conforme a Doença de Parkinson evolui. Estudos pré-clínicos também sugerem que, dependendo da fase da doença, os canabinoides podem modular as complexas alterações neuroquímicas causada pela redução dos níveis de dopamina.

Essas mesmas pesquisas sugerem que os canabinoides podem ajudar a combater o Parkinson por suas propriedades antioxidantes, anti-excitotóxicas – que leva à morte dos neurônios e anti-inflamatórias. Os resultados sugerem que tanto a maconha in natura quanto os canabinoides isolados (sintéticos e naturais) são bem tolerados e possuem propriedades terapêuticas para o tratamento de sintomas motores (bradicinesia, rigidez muscular, tremores) e não-motores (sono, humor, ansiedade, psicose, qualidade de vida).

Dra. Ana Paula Terra, membro da Sociedade Brasileira de Estudo da Cannabis (SBEC), explica que, embora pacientes que usem CBD recebam reforço na imunidade, o uso adulto de maconha deve ser evitado neste período, principalmente o compartilhamento de cigarros e utensílios.

Denise Tamer 

Além de uma alteração na rotina das cidades ao redor do mundo, a Covid-19 também traz à tona mudanças e dúvidas em relação a hábitos pessoais, como o consumo de maconha. Fumar maconha pode deixar o usuário mais exposto ao coronavírus?

A convite do portal Cannabis & Saúde, a médica uruguaia Ana Paula Terra conecta em diferentes pontos a Covid-19, o uso do CBD como eficiente forma de prevenção e sugere evitar o consumo compartilhado de maconha neste momento em que é imprescindível manter um cuidado maior com as vias respiratórias.

O hábito de fumar maconha torna o usuário mais exposto ao coronavírus?

O que é importante nesta situação é que fumantes de maconha são pacientes de risco, pelo fator respiratório. Todos os pacientes fumantes, seja de tabaco, cigarros eletrônicos ou maconha são fatores de risco. Pois este fator leva ao fato de que estas pessoas são pacientes com enfermidades obstrutivas crônicas, ter uma bronquite ou patologias associadas às vias respiratórias.

Ou seja, o método de transmissão do novo coronavírus acontece principalmente através de espirros ou o contato, através de gotas de mucosas oral ou nasal. E também por contatos. O vírus se transmite de mão em mão. Então temos que evitar o contato próximo e as aglomerações.

Como está acontecendo esta dinâmica no Uruguai?

No Uruguai temos, por exemplo, lugares para o consumo, então há muita gente aglomerada. Agora estes lugares estão suspensos devido ao coronavírus.

Antes de mais nada, temos que evitar a aglomeração para diminuir os riscos e evitar que este vírus sofra mutações. Portanto o que se recomenda para pessoas que consomem maconha já que o coronavírus é contagioso por contato, e também pelo espirro, é não consumir maconha com outras pessoas.

Ou seja, se o consumo acontecer que seja só de uma pessoa. Nós aqui no Uruguai somos um país que temos a liberação do consumo legalizado da maconha, então temos como nos proteger e fazer o consumo individualizado. Estou falando apenas do uso recreativo. Pois esta seria uma forma de uso recreativo. Não são pacientes que estão protegidos, são pacientes que fazem de forma recreativa.

O que os fumantes de maconha podem fazer para evitar o risco do coronavírus?

Não existe uma receita mágica. Mas sim se pode dizer que é importante fumar sozinho, evitar o contato de saliva, ponteiras de cigarros, evitar passar de boca em boca os cigarros e os fluídos das pessoas. Se falamos em vaporizadores, é importante evitar o uso de pipas. E assim evitar também o contato da mucosa bucal. Importante dizer que qualquer objeto que se tenha em casa para fabricar o cigarro de maconha, também é um fator de risco, caso tenha contato com outras pessoas. O conselho é não compartilhar nada, o contágio acontece a partir de microgotas.

O que recomendo para todas as pessoas e consumidores de maconha: é lavar as mãos e superfícies onde outras pessoas tiveram contato, não levar as mãos ao rosto. Se há risco na região onde vivem e de nenhuma maneira se deve dividir o cigarro da maconha. Nem pipas, de nenhuma maneira.

E quanto aos usuários de Cannabis medicinal e a pandemia da Covid-19?

Antes de tudo, é fundamental esclarecer sobre os óleos de Cannabis: aqui no Uruguai, no Brasil e no mundo há muitas variedades de óleos.

Para uso medicinal, por exemplo, normalmente trabalhamos com o CBD. Não é que ele ataque o vírus. Não é que cure também o coronavírus. Ele não afeta diretamente o ingresso do vírus no organismo. O CBD, sim, melhora e aumenta muito a imunidade da pessoa que o utiliza.

Lembrando que o CBD é a parte que não contém efeitos psicotrópicos. O THC, que é o que contém psicotrópicos, utilizamos para determinadas patologias, como o câncer, na qual a célula precisa de um pouco de THC para realizar apoptose. Então nossos pacientes que utilizam CBD, as gotas de canabidiol, estão expostos ao coronavírus.

A questão é que a imunidade deles será muito mais alta, e o tempo de recuperação do organismo pode ser menor. Para falar um pouco sobre os tipos de óleos de Cannabis que se deve utilizar, ou qual recomendaríamos, sempre quando a fonte, o local onde o óleo do paciente é comprado seja de confiança e tenha os critérios necessários, quais médicos que prescreveram os óleos, informando as porcentagens de CBD e THC, ou apenas CBD.

No Uruguai, temos a venda em farmácias, mas existem outras fontes, que também vendem, com boa qualidade e que são recomendados. Inclusive, que apresentam melhores atividades clínicas. Ou seja, não é porque veio da Holanda, Estados Unidos ou Europa que temos um medicamento que seja melhor para a clínica. Pacientes podem se identificar com óleos que não necessariamente foram importados para o Uruguai.

Logo, para não dar nomes aos óleos de Cannabis e suas marcas. Mas falar sim do porque não expor e recomendar estes tipos de óleos de Cannabis? Então, quando o médico que prescreve coloca em suas receitas médicas o CBD, seja ao 30%, 15% ou 5% ou 2%, este paciente vai procurar o produto na farmácia ou com um assessor.

Eu participo do grupo SBEC, a da Sociedade Brasileira de Estudo da Cannabis, que é um informativo e um grupo sobre estudos da Cannabis medicinal. Fui a algumas reuniões sobre pacientes e mais que nada é uma orientação. Prescrevo muito Cannabis medicinal e tenho ótimos resultados. Principalmente pacientes com Parkinson, Alzheimer, artrite, artrose, síndrome do pânico e crianças com epilepsia.

É devido a resposta positiva do organismo dos pacientes que o uso do CBD está crescendo?

Sim. É justamente por isso que se vê que o uso do CBD tem aumentado muito. No Uruguai e no mundo. Devido ao fato de que os pacientes notaram um aumento na imunidade, entre outras coisas. Assim como também notaram melhorias em patologias e foi observado também uma resposta do organismo totalmente diferente.

Cheia de propriedades anti-inflamatórias, a Cannabis pode auxiliar no aumento da imunidade. Mas é falsa a informação que ela combate o Coronavírus e, para evitar a doença, as já conhecidas medidas de prevenção devem ser seguidas

Danilo Lacalle 

No cenário atual, onde a ciência corre contra o tempo para conseguir achar uma solução que pare a pandemia do Coronavírus, a população tem buscado a prevenção e o aumento de imunidade. E, para isso, não faltam alternativas. Fontes de vitamina C estão sendo as mais procuradas. Mas uma questão tem sido levantada: o CBD e a Cannabis medicinal podem afetar a contração ou a recuperação do Covid-19? Além disso, existe possibilidade de que anti-inflamatórios tenham efeito positivo no combate, lembrando que o CBD também é um anti-inflamatório?

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Nos hospitais, a recomendação médica tem sido manter o acetaminofeno para a febre. Evitando os Anti-Inflamatórios sem esteroides, como o Ibuprofeno. Mas a questão em relação à efetividade da cannabis no combate ao coronavírus se deu graças às redes sociais.

No Facebook, muitos defensores da CBD e da cannabis estão alegando que eles aumentaram sua imunidade com sucesso contra todos os vírus. Além disso, estão recomendando que outras pessoas façam o mesmo. Fato que deixa a comunidade médica preocupada quanto à veracidade de afirmações e a disseminação de fake news que ocorrem nestes períodos de notícias cruzadas. Isso porque a intenção é que as pessoas se informem ao máximo, protegendo a própria saúde e a dos demais entes queridos.

Hoje, temos evidências de que a Cannabis pode melhorar o sistema imunológico. Doenças como fibromialgiaepilepsia, e até mesmo dores causadas por inflamações podem se enquadrar em um tratamento medicinal com a planta. Existem, inclusive, alguns estudos sobre o uso de cannabis medicinal e uso de cannabis defumado com a progressão do HIV.  Porém, quanto ao CBD e à cannabis, não existem estudos mostrando sua efetividade perante ao coronavírus.

Mesmo aumentando o sistema imunológico, isso não signfica que quem usa a cannabis esteja imune à infeção. Mas também não significa que uma pessoa que contraia o vírus e tenha falta de ar, não possa se beneficiar do uso da medicação para aliviar os sintomas. Apesar que, ao apresentar sintomas mais graves, a pesosoa deve ser levada a um hospital, onde não deve ser administrado o uso de cannabis. A não ser, claro, que já faça uso regular do medicamento e os médicos concordem em manter esse tratamento. É o que explica a médica Ane Hounie, pós-doutora em Psiquiatria pela USP e que hoje é uma das principais especialistas em Cannabis medicinal no Brasil.

Quando as pessoas disseminam a notícia de uma “cura milagrosa”, é preciso ter em mente que este fato, mesmo que bem intencionado, pode prejudicar a indústria. Isso porque as pessoas podem passar a buscar o medicamento como uma solução 100% eficaz e, assim, estarem suscetíveis a golpes.

Esse efeito pode distanciar a medicina e os pesquisadores mais “convencionais, prejudicando o progresso que a medicina vegetal fez nos últimos anos. Estes, por meio de pesquisas e projetos acadêmicos, em parceria com grandes universidades.

A cannabis e o auxílio ao sistema imunológico

Como já se sabe, o grupo de risco dos infectados pelo Covid-19 é bem claro: pessoas maiores de 60 anos. Além disso, enquadram-se, também, os que têm doenças autoimunes, pulmonares, pacientes oncológicos e quem tem problemas com imunidade, em geral.

Primeiro, é importante que se evite o consumo de álcool, fator que influencia na queda da imunidade. Além disso, permanecer ativo enquanto ficamos em casa e adotar uma simples prática de relaxamento ou meditação, para diminuir o estresse, também é uma boa medida.

Comer uma dieta rica em micronutrientes como zinco, vitamina C, flavonóides como a quercetina (presentes nas maçãs e brócolis e…cannabis),  são coisas boas para começar agora, se você ainda não fez.

Além disso, é ideal que nossa melatonina esteja alta. Este é o hormônio do sono, produzido enquanto dormimos. Fundamental para a função imunológica saudável. As práticas de respiração profunda e o riso também podem ter um efeito positivo em nosso sistema imunológico. Assim, você pode se auto-ajudar na quarentena vendo um filme engraçado e dando uma boa gargalhada profunda, para fazer com que os pulmões funcionem enquanto você se isola.

Mesmo se você fizer tudo certo, ainda poderá contrair o coronavírus. Mas a “boa” notícia é que a maioria das pessoas que não pertencem a grupos de alto risco, terão um curso leve de doença e se recuperarão em casa. Algumas pessoas, inclusive, podem até não apresentar nenhum sintoma. Ou, até mesmo, saber que o tiveram. Razão pela qual o distanciamento social é tão importante, uma vez que se pensa que as taxas de transmissão assintomáticas são bastante altas com o Covid-19. A única maneira de se proteger contra o vírus, é o isolamento social. Mantendo-se fora de circulação. E que, quando sair, exerça as devidas precauções.