Estudo mostrou que a substância extraída da maconha aumenta níveis de peptídeo conhecido por reduzir inflamações no organismo.

Cientistas da Universidade Augusta, nos Estados Unidos, já haviam descoberto que o canabidiol (CBD), substância extraída da Cannabis, pode ajudar a reduzir os danos no pulmão causados pelo coronavírus. E em um novo estudo publicado na quinta-feira (15) pelo Journal of Cellular and Molecular Medicine, os pesquisadores explicam que a substância permite um aumento nos níveis de um peptídeo natural chamado apelina, que reduz inflamações. As informações são da revista Galileu.

A apelina é produzida por células de diversas partes do corpo: coração, cérebro, pulmão, sangue e tecido adiposo. É uma reguladora importante da pressão arterial e inflamação. Quando a pressão fica alta, os níveis de apelina aumentam, ajudando a baixá-la.

Conforme explicam os pesquisadores, o peptídeo supostamente faz o mesmo para ajudar a normalizar os aumentos significativos na inflamação nos pulmões e as dificuldades respiratórias associadas à síndrome de dificuldade respiratória do adulto (SDRA).

“Idealmente, com SDRA, (o nível de apelina) aumentaria em áreas dos pulmões onde é necessário melhorar o fluxo de sangue e oxigênio para compensar e proteger”, explicou Babak Baban, um dos estudiosos, em comunicado à imprensa.

No entanto, durante as observações realizadas pela equipe em roedores, isso não aconteceu: os animais receberem canabidiol.

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“O CBD quase trouxe (o nível do peptídeo) de volta ao normal”, relata Jack Yu, coautor da investigação.

Segundo os pesquisadores, a apelina tem muito em comum com a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), que tem papel crucial na infecção das células pelo novo coronavírus. Além de estarem presentes em muitos tipos de tecidos em comum, ambas trabalham juntas para controlar a pressão arterial.

O problema é que o Sars-CoV-2 diminui os níveis de ACE2, reduzindo assim a apelina no organismo. Os pesquisadores ainda não sabem bem como isso acontece, mas a descoberta ajudou a compreender melhor como o CBD produz os efeitos benéficos observados nos camundongos.

Agora, a equipe pretende continuar estudando o mecanismo em humanos para entender se o canabidiol realmente pode ser eficaz contra os estragos causados pelo novo coronavírus.

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Apesar de não prescrito no Brasil para casos de osteoporose, o fitoterápico já é utilizado em outras partes do mundo para esse fim. Um estudo da Universidade de Edinburgh, na Escócia,  mostra que o sistema endocanabinoide é importante na regulação do metabolismo ósseo.

Osteosporose tratada com Cannabis Medicinal

A osteoporose é uma doença que enfraquece gradualmente os ossos e cujo nome se traduz, literalmente, como “ossos porosos”. Afeta 200 milhões de pessoas no mundo e pode ser incapacitante.

A doença aparece quando a formação do osso não é adequada e há deficiência de cálcio e vitaminas ou quando os ossos sofrem um desgaste excessivo. 

Essa deterioração pode ocorrer por alguns fatores: diminuição de hormônios, uso contínuo de alguns tipos de medicamentos, tabagismo, consumo de álcool, existência de algumas doenças específicas, e, finalmente, o desgaste natural.

Osteoporose. O que é a doença

“O osso corresponde à maior porção de tecido conjuntivo do corpo. Contém células que fabricam e mantém a matriz extracelular. Ela está fisiologicamente mineralizada com microcristais de fosfato de cálcio, que possuem carbonato”, explica o Dr. Thiago Bitar Moraes Barros, reumatologista.

Ou seja: os ossos estão preenchidos de cálcio, que os mantém densos e fortes. 

“Durante toda a vida eles se encontram em regeneração constante, como consequência de um processo conhecido como remodelação óssea”, continua.

Quer dizer que o tecido ósseo antigo é continuamente destruído e um novo é formado em seu lugar. A remodelação permite que os tecidos já gastos ou que tenham sofrido lesões sejam trocados por novos e sadios.

Cada parte do corpo tem um tempo diferente de remodelação. Por exemplo: as partes extremas do fêmur são substituídas a cada 4 meses; já os ossos da mão são completamente modificados todo o tempo. Esse processo também permite que o osso sirva como reserva de cálcio para o corpo.

Mas a doença modifica essa ação: “Na osteoporose há uma alteração da sequência de remodelação óssea; a reabsorção óssea é maior que a formação, aumentando a perda de massa óssea e o risco de fratura”, esclarece Bitar.

Por esse motivo, pacientes que têm osteoporose demoram mais para se recuperar de fraturas.

A quem atinge

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois dos 50 anos de idade, cerca de 30% das mulheres e 10% dos homens apresentam osteoporose. Geralmente se descobre a doença a partir de uma exame de densitometria óssea, que mede a massa do osso. Muitas vezes o exame é feito após uma fratura.

A densidade óssea aumenta até os 30 anos de idade e posteriormente começa a cair. Entre os 30 e os 80 anos, o cálcio total diminui aproximadamente 20%, porém esta queda é maior nos ossos da coluna, podendo chegar a 60%.

A herança genética determina em 80% o nível máximo de massa óssea que um indivíduo alcança na vida, assim como a taxa de perda da mesma. Pessoas de etnia negra possuem maior densidade óssea, alcançam maior massa óssea e a taxa de perda é menor se comparada com pessoas brancas e asiáticas.

Fraturas e outros sintomas da Osteoporose

A osteoporose provoca 2,4 milhões de fraturas todos os anos no mundo e atinge 10 milhões de brasileiros.

As fraturas, ao mesmo tempo que são um dos piores sintomas, levam ao maior número de diagnósticos, pois geralmente é a partir de um acontecimento atípico como esse que se parte para um exame mais detalhado.

Consequentemente, devido a descalcificação progressiva, que é um dos indicativos da enfermidade, os ossos tornam-se mais frágeis, por isso são mais suscetíveis a quebras. O fato da doença ser mais comum em pessoas de idade avançada aumenta as chances desse tipo de acidente acontecer.

Geralmente, durante uma queda ocorre uma contratura muscular que faz com que a força do impacto seja distribuída por uma superfície maior, o que preserva a segurança dos ossos.

Entretanto, nos idosos, a força muscular e a velocidade de reação estão menores, o que provoca uma alteração neste mecanismo de proteção ao osso, deixando-o mais exposto e sujeito à quebras.

Tipos mais comuns de fraturas

A osteoporose afeta de maneira diferente homens e mulheres, além disso, há ossos com maiores índices de fratura:

  • As fraturas por compressão vertebral acometem 20% das mulheres pós-menopausa
  • As fraturas de bacia aumentam exponencialmente após os 50 anos nas mulheres e 60 nos homens
  • Um terço de todas as mulheres com mais de 80 anos já sofreram uma fratura de bacia
  • São comuns as fraturas das vértebras por compressão, o que leva a problemas de coluna e à diminuição da estatura
  • Os punhos também são facilmente focos de quebras, pois num reflexo, leva-se as mãos a frente do corpo durante a queda. A maior incidência é em mulheres na pós menopausa

Além das fraturas, a enfermidade pode causar dor nas articulações, encurvamento da coluna e diminuição da altura em até três centímetros.

Tratamentos para a Osteoporose

Para quase todos os casos de osteoporose, são indicados atividade física, fisioterapia, vitamina D e medicamentos específicos.

Mas segundo Bitar, “para o tratamento correto da osteoporose é necessário entender o processo de remodelação óssea”. Ele acrescenta que “idealmente a terapia deve diminuir a reabsorção de osso impedindo uma maior perda óssea e aumentar a formação óssea”.

Como não existe um tipo de tratamento que ao mesmo tempo iniba a reabsorção de osso e estimule a formação óssea, geralmente o paciente precisa tomar mais de um remédio.

Posso tratar osteoporose com CBD?

Apesar de não prescrito no Brasil para casos de osteoporose, o fitoterápico já é utilizado em outras partes do mundo para esse fim.

Um estudo de 2010 da Universidade de Edinburgh, na Escócia,  mostra que o sistema endocanabinoide é importante na regulação do metabolismo ósseo.

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Em testes feitos em camundongos com deficiência de CB1 e CB2, os principais receptores canabinoides ativados pela Cannabis medicinal, as cobaias apresentaram osteoporose relacionada com a idade como resultado de formação óssea prejudicada e renovação óssea em desequilíbrio.

Ainda não há comprovação científica de que a Cannabis medicinal possa realmente auxiliar os pacientes de osteoporose, mas acredita-se que, como o CBD estimula os receptores citados, consequentemente pode auxiliar no aumento da taxa de regeneração do novo tecido ósseo.

Outra hipótese é a de que o CBD pode auxiliar na prevenção da enfermidade, combatendo algumas de suas outras causas que não o desgaste natural. Por exemplo,  pode ser usado em alguns casos para desmame de corticoide e analgésicos, como auxiliar para abandono do tabagismo, do vicio no álcool, etc.

De qualquer maneira, se optar pelo uso do CBD para a doença, é importante ter um acompanhamento médico e seguir os demais protocolos de tratamento à risca.

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Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/cannabis-medicinal-no-tratamento-de-osteoporose/

Apaixonado pela Cannabis, Hélio Mororó ministrou aula para médicos sobre a planta, incluindo a história medicinal, funcionamento do sistema endocanabinoide, detalhes da farmacologia e aplicabilidade em diversas patologias.

Masterclass com Dr. Hélio Mororó. Tudo o que médicos precisam saber sobre Cannabis medicinal

No Masterclass da última quarta-feira, 14, o médico pernambucano Hélio Mororó Vieira de Mello apresentou a Cannabis medicinal ao público de médicos. Em rápida introdução, falou da história da planta, com sua “descoberta”, hostilização e renascimento. Falou dos principais fitocanabinoides, da farmacologia, aplicações clínicas e da importância da abordagem integrativa na medicina.

Mororó é médico pós-graduado em cardiologia, geriatria, nutrologia, saúde pública e medicina do trabalho. É doutorando em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), professor de Medicina da Universidade Católica de Pernambuco e mestre em Perícias Forenses. Médico há 26 anos, há cinco é estudioso e prescritor de terapia canabinoide. 

Entusiasta da Cannabis, Mororó busca em sua prática “levar conhecimento de qualidade, com embasamento científico e honesto, sem viés político”. Por isso, ele inicia a abrangente aula com a máxima: “Quanto mais estudo, mais me convenço que não sei de nada e que preciso saber mais”. 

História e contextualização

Logo no início, Mororó explicou que a Cannabis é a planta mais antiga de que se tem conhecimento. Os primeiros vestígios foram no Oriente Médio, de onde se espalhou pelo mundo, primeiro pelo leste da Europa e depois até a África, de onde partiu para as Américas.

Ele apresentou registros de pinturas rupestres de até 30 mil anos, indicando que a planta fazia parte de rituais e era usada como medicamento. Citou o exemplo importante da fitoterapia chinesa, o primeiro tratado de medicina feito pelo Imperador Shen Nung: para entrar neste tratado, uma planta precisava ser observada por pelo menos 400 anos, e a Cannabis já fazia parte dele.

Mororó lembrou que os ingleses tomaram conhecimento da Cannabis na Índia, e a rainha Victoria se beneficiou do tratamento para suas enxaquecas e cólicas menstruais. Lembrou ainda que a Cannabis já frequentou os livros de medicina ocidentais, em trabalhos científicos de mais de cem anos atrás, especialmente na América. No Primeiro Manual Merck de prática médica de 1899, aparecia a indicação de Cannabis para doenças neurológicas, digestivas e dor. 

Ruderalis e indica

Cannabis ruderalis e a indica são variações genéticas da Cannabis sativa, ambas muito importantes na história da humanidade. O cânhamo era usado para produzir cordas, roupas, as velas das naus eram de cânhamo. Mororó lembrou do primeiro livro de Johannes Gutenberg, o inventor da imprensa, impressa em papel de cânhamo.

E puxou uma fala de Sidarta Ribeiro: “a Cannabis é o cachorro das plantas”. Explicou que, assim como o cachorro veio da sucessão de cruzamentos a partir do lobo, a Cannabis é a planta com mais manuseio genético de que se tem notícia. Com finalidades específicas, todos os tipos de Cannabis nasceram do cruzamento genético espontâneo.

A grande “descoberta”

Apesar disso, a planta foi hostilizada, execrada e afastada do convívio dos meios médicos, só retornando na década de 60 com Raphael Mechoulan: “foi o renascimento do fitoterápico”.

Mororó falou da descoberta do sistema endocanabinoide, “o maior, mais importante, complexo e completo sistema de homeostase do corpo humano”. É algo ainda recente e pouco citado nos cursos de medicina, apesar do impacto no metabolismo, função imunológica, processos inflamatórios, percepção da dor, sistemas de recompensa, resposta ao estresse, ação motora, crescimento ósseo, alterações do humor, entre outras coisas. 

Mororó explicou as funções do sistema endocanabinoide. Ele facilita a comunicação intercelular entre diversos tipos de célula atuando como sua base, na forma de  impulsos elétricos ou reações bioquímicas. “Com a comunicação certa, o organismo entra em equilíbrio, que é a grande busca da medicina”. 

Apesar da extensa lista de aplicações, Mororó alertou que a Cannabis não é o remédio mágico que vai curar tudo. “É o sistema mágico de informação que, bem cuidado e alimentado, vai dar respostas maravilhosas, voltadas para o bem estar e saúde”.

Assista na íntegra a Masterclass: Sistema endocanabinoide e a Cannabis medicinal. O que todo médico deveria saber.

THC, CBD e os outros fitocanabinoides

Mororó explicou que os fitocanabinoides atuam principalmente junto aos receptores CB1 e CB2, presentes no corpo todo. Acoplados à proteína G, são abundantes em regiões diferentes, mas estão sempre presentes nessa dupla.

CB1

Os receptores CB1 atuam mais no Sistema Nervoso. A esse respeito, Mororó trouxe um número impressionante: são dez vezes mais abundantes no cérebro do que os receptores opioides  (responsáveis pelo efeito da morfina). Além disso, o CB1 tem poucos receptores na função cardiorrespiratória do tronco cerebral, o que faz do tratamento da Cannabis muito seguro, sem riscos de depressão respiratória ao contrário dos receptores opioides. 

O receptor CB1 aparece tanto em neurônios inibitórios quanto em neurônios excitatórios. De acordo com Mororó, sabendo trabalhar com a substância, é possível tratar tanto paciente super excitado (hiperatividade, autismo, transtorno de déficit de atenção, epilepsia), quanto o inibido (depressão, astenia, fadiga).

CB2

Os receptores CB2 têm grande presença no sistema imunológico e gastrointestinal. E tem uma relação importante entre si: as imunoglobulinas IgAs são produzidas praticamente 100% no sistema digestivo. “Se eu tenho barreira gastrointestinal íntegra, eu tenho menos inflamação, menos estímulo constante e desencadeio menos patologias”. 

Aplicações

Sem esconder seu encantamento com a Cannabis, Mororó resume a atuação da planta da seguinte maneira: moduladora de inflamações, dor, resposta imunológica. A Cannabis é um medicamento com ampla gama de possibilidades na economia metabólica. Atua no sistema cardiovascular, respiratório, ósseo, reprodutivo, no fígado, nos rins, nos olhos.

As aplicações são vastas: doenças autoimunes, infecções (como o coronavírus), mediação de patologias alérgica (asma, dermatite atópica, psoríase). E não para por aí.

A Cannabis modula expressão gênica, ou seja, mexe no DNA. Na oncologia, atua na modulação da informação genética de células oncológicas, sendo ferramenta para usar menos quimioterapia e radioterapia. O resultado, segundo Mororó, é que ela modula os efeitos colaterais e cria ambiente favorável para a economia metabólica e um ambiente desfavorável para a multiplicação de células cancerígenas.  

Mororó seguiu o raciocínio dizendo que a base de todas as patologias é a inflamação, ou péssimo desempenho das mitocôndrias (mitocondriopatias). O CBD, THC e os demais fitocanabinoides agem na função e arquitetura das mitocôndrias. 

Tratamentos do sistema nervoso

Mororó explicou que a Cannabis age na comunicação. Diferente de outros neurotransmissores endocanabinoides não há uma reserva de estoque. Precisam ser produzidos sob demanda. O uso de fitocanabinoides estimula este tipo de produção. Assim, consegue-se modular a informação que vai de neurônio a neurônio. “E tem neurônio no corpo todo. O paciente é todo um sistema, em que está tudo interligado”. 

Como professor, Mororó não deixa os alunos esquecerem de que as terapias integrativas têm importante papel: a microbiótica intestinal precisa ser avaliada, às vezes é preciso alterar a dieta.  Doenças neurológicas pedem um paciente hidratado, pelo menos um litro e meio de água por dia. 

Tratamentos do sistema imunológico 

A Cannabis atua com modulação, não com inibição. Isso faz diferença. É necessário um grau de inflamação para movimentar as células de defesa, para vasodilatação e aporte de nutrientes. Mas quando a inflamação vira patologia, precisa de controle para redução da da dor. Mororó explicou que gosta da substância amiloide, responsável por destruir neurônios velhos. Quando produzida em excesso, ou “sai destruindo tudo”, é nociva. E a Cannabis modula essa resposta. 

Confira também a masterclass com médico israelense o Jonathan Grunfeld, CMO da MGC Pharma, sobre Clinical Trials – THC & CBD Products. CLIQUE AQUI.

Farmacologia do sistema endocanabinoide

Uma vantagem fundamental da Cannabis é seu nível de toxicidade baixíssimo. Segundo o Drug Enforcement Administration (DEA) americano, é mais segura que Aspirina. 

Mororó destacou esse fato durante a aula, para em seguida apresentar os tipos básicos de extratos, que compõem uma medicina especializada para cada indivíduo: 

  • Full spectrum – com todos os canabinoides da planta, apresenta o efeito entourage por ser mais completo, mas pode ser menos específico;
  • Extrato isolado – com apenas um canabinóide. Mororó ensina que, se for só com CBD, qualquer pessoa pode tomar, e atua como analgésico e anti-inflamatório. Ele lembra que o extrato isolado de CBD é liberado pelas Ligas Americanas de Basquete e de Futebol;
  • Extrato de espectro controlado – na proporção para determinadas patologias. 

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Formas de administração

Respiratório

Embora seja um fato razoavelmente conhecido, Mororó fez questão de ressaltar que a Cannabis não é aspirada fumando, mas por meio de vaporização, uma espécie de nebulização. Essa forma é indicada para dor ou convulsão, em especial nas emergências, por seu efeito rápido.

  • Efeito imediato a 5 minutos;
  • Duração do efeito: de 45 min a 3h.

Oral 

  • Efeito de 1m a 15 min;
  • Duração do efeito: de 2 horas a 9 horas.

Do ponto de vista médico, Mororó classificou o modo oral como o mais fácil de administrar, porque permite ajustes na dosagem por de gotas. Ele apontou a possibilidade de, depois de ajustado o tratamento, usar em forma de cápsula por ter sabor mais neutro. Como a absorção se dá pelo trato gástrico, a biodisponibilidade é maior e com efeito mais duradouro. 

Supositório

Apesar do preconceito com esta forma de administração, Mororó argumentou que é uma excelente opção para pacientes com dificuldades de deglutição. Além disso,por ser uma área altamente vascularizada, permite absorção eficaz e rápida.

  • Efeito em 15 minutos;
  • Duração do efeito de até 12 horas.

Tópicos

  • Aplicações: pancadas, psoríase, dermatite atópica, câncer de pele;
  • Efeito imediato;
  • Duração do efeito: de 30 minutos a 3 horas;
  • Sem biodisponibilidade sistêmica.

Aplicabilidade da Cannabis

Mororó apresentou um quadro com o resumo dos tratamentos possíveis com Cannabis: 

  • efeitos colaterais de quimioterapia;
  • efeitos anti-oxidantes;
  • efeitos neuroprotetores;
  • efeitos anti-inflamatórios;
  • insônia;
  • ansiedade;
  • psicose;
  • epilepsia;
  • doença cardíaca;
  • diabetes

Toxicidade

Apesar da baixa toxicidade da Cannabis, Mororó explicou que costuma alertar seus alunos médicos sobre as interações medicamentosas. Com exemplos, ressaltou que essas interações precisam ser acompanhadas de perto. E podem resultar em desmame de medicamentos ou melhoria da performance.

É preciso também cuidado com a função homeostática da Cannabis. Ela costuma interagir com a forma de resposta do corpo aos medicamentos, especialmente os listados a seguir:

  • anticoagulantes /  antiagregantes plaquetários
  • barbitúricos e depressores do SNC
  • álcool, paracetamol, anestésicos, teofilina
  • lovastatina, claritromicina, ciclosporina, diltiazem, estrógenos, indinavir
  • cetoconazol, anti-H2, bloqueadores do canal de cálcio, digoxina, corticosteróides, fexofenadina, loperamida

Mensagem final

“No trilho, o trem tem horário certo de sair e de chegar, e você não pode se desviar daquela linha de pensamento”, explicou. Para o médico, a melhor maneira de pensar é como uma trilha: “Uma orientação com flexibilidade para alterar seu caminho. Ir mais rápido, mais devagar, ir para outro lado, fazer pausas”.

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Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/conteudo-indispensavel-medicos-prescritores-cannabis/

Pesquisadores do Hospital Sírio Libanês e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo publicaram artigo no periódico internacional Frontiers em Oncology revelando que a planta pode ajudar diversas condições clínicas em pacientes com a doença.

A principal função do uso da Cannabis no tratamento do paciente oncológico está em ajudar no manejo da dor, no controle de efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea e vômitos, e controlar a ansiedade e a depressão.

A pesquisa, porém, está em um contexto que estuda o efeito da Cannabis também em doenças neuro degenerativas, auto-imunes, no câncer, nas epilepsias e epilepsias refratárias, no autismo, nas doenças gastrointestinais, na ansiedade, nos distúrbios do sono, na depressão, na recuperação muscular em atletas, na cicatrização óssea relacionada à fraturas e osteoporose, e dores crônicas.

Trata-se de um estudo de caso em que dois pacientes que foram submetidos à quimiorradiação, seguido por um regime de múltiplas drogas (procarbazina, lomustina e vincristina) associado ao canabidiol (CBD).

CLIQUE AQUI e Leia também a matéria Cannabis traz qualidade de vida e economia ao paciente de câncer, destaca oncologista Cid Gusmão.

Ambos os pacientes apresentaram respostas clínicas e de imagem satisfatórias em avaliações periódicas, com aspectos não comumente observados em pacientes tratados apenas com modalidades convencionais.

Um dos pacientes apresentou um quadro exacerbado de pseudoprogressão precoce (PSD), avaliada por ressonância magnética (RM), que foi resolvido em um curto período. O outro apresentou uma acentuada
remissão de áreas alteradas em comparação com os exames pós-operatórios avaliados por ressonância magnética.

Essa observação pode realçar o efeito potencial do CBD em melhorar as respostas à quimiorradiação que afetam a sobrevida. Os pesquisadores, no entanto, alertam que novas pesquisas com mais pacientes e análises moleculares críticas devem ser realizadas.

Os autores do estudo são Paula B. Dall’Stella, Marcos F. L. Docema, Marcos V. C. Maldaun e  Olavo Feher, do Departamento de Neuro Oncologia do Hospital Sírio Libanês e Carmen L. P. Lancellotti, do Departamento de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Para os cientistas, a relação do câncer na melhora do quadro dos pacientes está relacionada ao sistema endocanabinoide, que possui um papel importante em diversas reações bioquímicas do corpo humano. Ele está intimamente relacionado ao nosso processo de homeostase, ou seja, nosso equilíbrio interno. O sistema endocanabinoide é constituído pelos receptores canabinoides, chamados CB1 e CB2, os seus ligantes endógenos, os endocanabinoides e as proteínas envolvidas na sua síntese e degradação.

É como se esse sistema fosse uma comunicação entre o cérebro e o corpo humano. Está envolvido em vários processos fisiológicos, como a modulação de todos os eixos endócrinos, da dor, a regulação da atividade motora, o controle de processos cognitivos, a modulação da resposta inflamatória e imunológica. Além disso, promove ação anti-proliferativa em células tumorais, controle do sistema cardiovascular, entre outros.

Também desempenha também um papel extremamente importante da modulação do apetite, ingestão alimentar e balanço energético, e em órgãos periféricos como o tecido adiposo, fígado, músculo esquelético e trato gastrointestinal.

Fonte:
http://www.fcmsantacasasp.edu.br/wp-content/uploads/2019/02/CASE-REPORT-CLINICAL-OUTCOME-AND-IMAGE-RESPONSE-OF-TWO-PATIENTS-WITH-SECONDARY-HIGH-GRADE-GLIOMA-TREATED-WITH-CHEMORADIATION-PCV-AND-CANNABIDIOL.pdf

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No Dia das Crianças um pool de empresas se reuniram para beneficiar meninos e meninas sem condições econômicas para realizarem o tratamento canabinoide.

Para inaugurar o setor infantil, nesta segunda-feira, 12 de outubro, a unidade paulista do CEC (Centro de Excelência Canabinoide), abre a clínica, batizada de 4Kids, com uma ação especial gratuita.

Ao todo serão beneficiadas dez crianças carentes e que possuem doenças como epilepsia refratária, paralisia cerebral, autismo, TDAH (hiperatividade e déficit de atenção) e Síndrome de West (espasmos infantis).

Leia também: Medicamentos com alto grau de THC chegam com exclusividade ao Brasil

São patologias estas que reagem muito bem com o uso do CBD (Canabidiol), por ser um produto com ação anticonvulsivante. As crianças foram previamente selecionadas e muito em breve passarão pelos primeiros atendimentos, feitos diretamente pelo diretor técnico da Clínica, Dr. Pedro Pierro, neurologista e precursor no tratamento com Cannabis medicinal no Brasil.

O processo abrange ainda acesso ao SAC 24 horas para suporte pós-consulta. Além disso, receberão tratamento gratuito durante seis meses, incluindo acompanhamento clínico e os medicamentos. As famílias também contarão com suporte jurídico para buscar acesso continuado ao canabidiol.

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Ao todo seis empresas doaram o tratamento completo para as crianças, são elas: Central Pharma, Terra Cannabis, Korasana, Carmen´s Medical, CanTeraMed uma empresa do grupo OnixCann, The Human´s Secret´s e do Pacto Global das Organizações das Nações Unidas.

Leia matéria à respeito na Folha de São Paulo. CLIQUE AQUI.

Produtos MGC Pharma | Exclusivos no Brasil

Chegaram ao Brasil, na semana passada, os primeiros medicamentos de padrão farmacêutico com alto grau de tetrahidrocanabinol (THC). O catálogo com 6 produtos de diferentes concentrações de Cannabis é produzido pela empresa australiana MGC Pharma, e foi lançado com exclusividade no Brasil pela OnixCann, healthtech brasileira de Cannabis medicinal.

O THC é o canabinoide responsável pela psicoatividade da Cannabis, mas possui importantes propriedades medicinais e, em dosagens terapêuticas, não causa os efeitos da maconha.

Até hoje no Brasil, o único acesso de pacientes ao THC era via artesanal por associações de pacientes ou por um único medicamento disponível nas farmácias, o Mevatyl, que tem concentração próxima de 1:1 (CBD e THC), mas que custa cerca de R$ 2,9 mil.

Os medicamentos da MGC Pharma que chegaram ao Brasil possuem concentrações que vão desde apenas CBD, passando por 1:1, até maiores concentrações de THC, como 7:1 e 15:1. Há também um remédio com apenas THC, com concentração de 25 mg/ml. Os preços variam de R$ 898 a R$ 1.872.

CMO da MGC Pharma, Jonathan Grunfeld é médico israelense especializado em neuro-oncologia com ênfase no uso de Cannabis no tratamento oncológico. 

Durante um seminário online promovido pela OnixCann na semana passada, ele lembrou que o THC é o canabinoide que teve mais dificuldades para o avanço dos estudos por todo o mundo, e que o maior obstáculo foi mais cultural e legal do que médico.

No evento, o oncologista explicou que para as condições que ele tratou, a grande concentração de THC era fundamental nos pacientes que não respondiam tão bem com o CBD isolado.

Grunfeld apontou algumas indicações para uso com alto THC como estenose espinhal cervical, psoríase, artrite e artrose, além de casos que são desafios médico, como vício em benzodiazepínicos e efeitos colaterais de esteroides.

O que dizem os médicos sobre os novos produtos THC

Para a psiquiatra Dra. Ana Gabriela Hounie, prescritora pioneira e pesquisadora da Cannabis medicinal no Brasil, a chegada de “produtos com mais THC do que os 0,3% habituais é muito bem vinda”. Desta forma, segundo a médica, “ampliamos muito nosso repertório de produtos de Cannabis para poder tratar dos casos que precisam de mais THC”. 

“A indicação primordial, de acordo com o FDA (agência de saúde dos EUA) seria espasticidade da esclerose múltipla, mas pode ser útil em transtornos graves do movimento, como Parkinson ou Tourette refratários.

Cada ml tem aproximadamente 25 mg, de modo que 10 gotas ao dia podem ser mais que suficientes para algumas patologias. Em Alzheimer por exemplo, os estudos chegam a 10mg de THC por dia”, explicou a médica em uma publicação.

A médica, no entanto, alerta para os cuidados necessários com a medicação: é um remédio para ser usado somente com prescrição médica e deve ser evitado em crianças e adolescentes.

“É um produto bastante potente, deve ser evitado por quem tem arritmia cardíaca e psicose, conforme está explicitado na bula. Aliás, grata surpresa de ver uma bula acompanhando o produto, é a primeira vez que vejo”, afirmou a psiquiatra. 

Agora o Brasil tem opções de produtos com THC que seguem rígidos padrões na Europa

Marcelo Galvão, CEO da OnixCann, destaca que a chegada desses produtos completa a linha da empresa, que já oferecia medicamentos com concentrações variadas apenas de CBD, da marca inglesa Provacan.

“Agora o Brasil tem opções de produtos com THC que seguem rígidos padrões na Europa. A OnixCann é a única empresa oferecendo produtos com THC, pois conseguiu autorizações especiais para seu fornecedor. O mercado de Cannabis medicinal avança rapidamente”, comemorou o empresário.

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Assista o seminário com o CMO da MGC Pharma, Jonathan Grunfeld sobre os produtos THC

>>>> Procurando por um médico prescritor de cannabis medicinal? Temos grandes nomes da medicina canabinoide para indicar.

Errata: foi informado inicialmente que cada gota teria 25 ml, porém 1 ml possui 33 gotas.

Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/medicamentos-com-alto-grau-de-thc-chegam-ao-brasil/

Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/obstaculo-thc-cultural-legal-grunfeld/

No encontro da última terça-feira, 29, do Clinical Trials – THC & CBD Products, Jaime Ozi apresentou os produtos e a estrutura da OnixCann, bem como o convidado da noite: Jonathan Grunfeld, CMO da MGC Pharma. Desde 2010, o médico israelense especializado em neuro-oncologia pela Anderson Cancer Center dá ênfase ao uso de Cannabis no tratamento oncológico. Ele fez uma extensa explicação da importância do THC e outros canabinoides e terpenos nos tratamentos, suas aplicações, dificuldades e ainda deu dicas práticas para médicos prescritores.

Durante a conversa, Grunfeld respondeu a perguntas do Dr. Cid Gusmão, CMO do CanTeraMed que fundou o Centro de Combate ao Câncer, contribuiu para criação da plataforma Cantera de Tratamento de Cannabis, Big Data e Analytics e é membro da Academia de Medicina de São Paulo, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, da American Society of Clinical Oncology, entre outras.

Dificuldades com o THC

Grunfeld iniciou sua fala lembrando que o THC é o canabinoide que teve mais dificuldades para o avanço dos estudos por todo o mundo, e que o maior obstáculo foi mais cultural e legal do que médico.

Ele lamenta que os estudos sobre Cannabis não caminharam na mesma velocidade que os demais produtos da indústria farmacêutica. Seu exemplo é um artigo de 130 anos atrás, escrito por Russell Reynolds, médico da rainha da Inglaterra, no qual este relatava os benefícios da Cannabis. Apesar de mais de um século ter se passado, “não progredimos muito mais que isso”, ele arremata.

O israelense acumulou extensa experiência com Cannabis como neuro-oncologista e cuidados paliativos. Nela os pacientes neurológicos provaram responder bem ao tratamento com canabinoides de uma forma que não dá para conseguir com outros tratamentos. 

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Para as condições que tratava, a grande concentração de THC era fundamental nos pacientes que não respondiam tão bem com o CBD isolado. 

Grunfeld apontou algumas indicações para uso com alto THC como estenose espinhal cervical, uso tópico para psoríase, artrite e artrose. Ainda em casos que são desafios médicos por não terem resposta a tratamentos tradicionais como estresse, prurido, insônia refratária, vício em benzodiazepínicos, efeitos colaterais de esteróides, intimidade.

Falando sobre medicamentos com concentração fixa de canabinoides isolados, Grunfeld apontou vantagens e desvantagens:

Vantagens

– Mais consistentes, facilitando a prescrição e posologia;

– Qualquer outro médico vai entender o tratamento feito;

– Mais fácil de estudar o avanço do paciente por ser mais consistente;

– Facilidade para pesquisas clínicas.

Desvantagens

– Efeito entourage reduzido;

– Concorrência de boas formulações reguladas industrialmente;

– Ideologia natural versus fabricado, onde o efeito entourage é mais presente.

Dicas práticas a médicos prescritores:

– Confiança vem da experiência, mas há tranquilidade porque tem poucos e leves efeitos;

– Comunicação essencial – porque ainda há poucas pesquisas. É crítico ter um follow up intenso com o paciente, que facilita ajustes;

– Flexibilidade – Os resultados são sempre imprevisíveis, pois o paciente toma outros medicamentos, o que potencializa o efeito; 

– Persistência – É possível substituir doses, tipos, marcas, formulações. Não se deve desistir do tratamento;

– Antecipação – Em geral, a tolerância é boa. Mesmo que o paciente tenha efeitos ruins, estes tendem a diminuir. Há também o nocebo – quando os pacientes não estão confortáveis por usar Cannabis pelo estigma de droga, têm uma expectativa desfavorável e por isso podem vivenciar efeitos negativos;

– Evitar erros de dosagem – pacientes que não seguem a posologia recomendada: Grunfeld recomenda colocar a gota no dedo e esfregar o óleo na parte interior das bochechas, evitando a ingestão;

– Adaptar dosagem à rotina da pessoa: mais THC para a noite porque ajuda a dormir.

Uma advertência especial que foi dada é o cuidado no tratamento concomitante com antidepressivos. Para Grunfeld, é importante ficar atento ao paciente, observando os efeitos colaterais. Por exemplo, ele pode ficar mais agitado ou os idosos podem ter alucinações. A solução é simples: diminuir a dose do antidepressivo. 

Entrevista com Grunfeld:

Dr Cid Gusmão: Qual o futuro da pesquisa em Cannabis?

Johnathan Grunfeld: Usar mais de dois canabinoides já é um avanço. Mas o controle deve existir para análise racional e o mundo está caminhando nessa direção. A MGC já começou um estudo clínico em demência e existem planos concretos para muitos outros estudos clínicos. Alguns destes começarão a sair na literatura científica. Não é só encontrar a combinação certa, de dois, três ou mais canabinóides. Há também a forma de administrar. Nano formulações serão mais consistentes e precisas para a posologia. 

CG: Nos dê mais dicas práticas sobre as diferenças de tratamento de pessoa para pessoa. Alguns usam mais de um óleo para facilitar a titulação [método usado para determinar a concentração de uma solução], o que o senhor acha disso?

JG: Em Israel  fazemos produtos para o dia e para a noite. A fisiologia de cada indivíduo é diferente para períodos diferentes do dia. Há doenças que mudam de dia e de noite. Depende da indicação, do indivíduo, período do trabalho, hábitos. Nem sempre é fácil entender o que o paciente reporta e a forma da entrega também pode afetar o tratamento. 

CG: Como é feita a coleta de informações em Israel?

JG: Por muito tempo havia oito diferentes empresas com extratos com variantes diferentes, onde a titulação e adaptação era pessoal. Por causa da grande variedade e dificuldade de informação dos pacientes, os dados foram perdidos. Agora há produtos com concentração precisa, o que será mais fácil de coletar e produzir uma framework. Assim se terá uma posologia inicial mais precisa para ajustes posteriores. 

Pergunta do público: Comente sobre o tratamento de diabetes e vício.

JG: Os resultados são consistentes. O Full spectrum teve impacto nos níveis de glucose de muitos pacientes, chegando a reduzir 1%, 1,5%. Alguns pacientes até deixaram o remédio para diabetes. Não resolve para todos e precisa de atenção no começo do tratamento: pode haver tontura. Nesses casos, oferecer abacaxi, manga ou cítricos, que têm terpenos, costuma resolver. Para vício, temos ótimas experiências com benzodiazepínicos com altas doses de Cannabis. Para opioides também se percebe o total desmame ou diminuição expressiva de consumo. O que se ganha é que a Cannabis não tem os efeitos colaterais como constipação e depressão. 

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Pergunta do público: Comente o papel de outros canabinóides e terpenos nos tratamentos.

JG: É impossível ser preciso. Uma coisa é óbvia, do ponto de vista prático: é como o paciente se sente. Às vezes não se sente bem com alguns efeitos do THC. Alguns terpenos o fazem se sentir melhor. 

CG: Qual o futuro da Cannabis na medicina?

JG: Duas formas: o uso da erva de forma mais rústica, sempre haverá. E também os produtos farmacêuticos, nanotecnologia, formas de administração e dosagem cuidadosa com os demais elementos. São grandes as chances de sucesso. 

Produtos com THC

Marcelo Galvão, sócio-fundador e CEO OnixCann, lembrou também da importância do THC para potencializar o CBD e demais canabinoides. A empresa trouxe os primeiros produtos com THC puro, que permite uma dosagem menor, e outros com proporção de THC superior a de CBD, ao Brasil.

Assista a live na íntegra:

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Antes de começar a prescrever, profissional deve buscar livros, associações e colegas da área que ajudem a entender as possibilidades dos medicamentos

Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde, leia artigo original em https://www.cannabisesaude.com.br/como-virar-um-medico-prescritor-de-cannabis/

O sul-mato-grossense Wilson Lessa levou um ano para tomar coragem e prescrever canabidiol (CBD) pela primeira vez. Descobriu em 2017, quando já havia se mudado para Roraima, mas só em 2018 receitou para o primeiro paciente. Um dos motivos para a demora é que falta informação. “Não há no Brasil boa oferta de cursos especializados ou pós-graduação, está começando agora”, diz o psiquiatra Lessa, formado na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “Para se aprimorar, ainda tem que achar conhecimento por conta própria.”

Em geral, isso significa ler artigos e livros, boa parte disponível somente em outros idiomas, principalmente o inglês. Entre as opções publicadas em português no Brasil, Lessa indica o livro do médico formado em Harvard Gregory Smith. É o “Desvendando o Sistema Endocanabinóide através do CBD”, que explica como funciona o CBD e como usá-lo no tratamento de diversas enfermidades. 

O aprendizado não precisa ser solitário. O médico pode procurar eventos de associações médicas diversas, além das especializadas como a Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis (SBEC). Nessas ocasiões, é possível encontrar informação e grupos – existentes ou que podem ser criados – com colegas que trocam informação virtualmente. “Tem que procurar fazer parte disso para não ficar isolado”, diz Lessa. 

O carioca Eduardo Faveret seguiu caminho semelhante na busca por informação e hoje orienta que o médico interessado no CBD como medicamento procure ter tanto um embasamento geral como um mais específico. Ou seja, busque cursos e informações gerais sobre o canabinóide, mas também se aprofunde no efeito na doença específica que será tratada, seja epilepsia, doença crônica ou outra. Além disso, sugere que se procure um consultor, alguém que já tenha feito esse caminho e que possa passar dicas mais práticas. Faveret está preparando um guia para os médicos que estão começando e espera lançar ainda este ano. Ele é neuropediatra formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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Para quais doenças prescrever?

A preparação específica do médico varia de acordo com a enfermidade. “Cada um tem uma experiência diferente”, diz Faveret, que costuma receber pacientes encaminhados de outros médicos que ainda têm receio de prescrever e preferem encaminhar para quem tem mais experiência. Nesse cenário, o mais comum é que o paciente já chegue predisposto a aceitar o medicamento e perguntando a opinião do médico sobre aquele tipo de tratamento específico. “Precisamos ficar atentos e sensíveis ao que se ouve no consultório”, diz o carioca.

Diante da demanda, os médicos costumam prescrever o CBD para diversas patologias, como autismo, epilepsia, esquizofrenia, ansiedade, parkinson, alzheimer e dores crônicas em geral. No caso de Lessa, baseado em Boa Vista (RR), as prescrições mais comuns são para casos de autismo e fibromialgia com dores crônicas. 

Por enquanto, as prescrições devem ser sempre compassivas. Ou seja, sem registro na Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa), o medicamento pode ser prescrito para pacientes sem alternativa terapêutica satisfatória com produtos registrados no país. Para isso, é preciso uma autorização para que o paciente possa comprar o medicamento. Se o CBD for registrado na Anvisa, o processo será mais simples e o paciente poderá comprar diretamente na farmácia. 

Tanto Faveret como Lessa prescrevem diariamente o CBD. No caso do carioca, chega a ser três ou quatro vezes por dia, um número que era maior antes da pandemia do coronavírus. Para boa parte dos pacientes o medicamento chega mesmo a ter uma aura positiva e especial, 

pois seria um “produto natural, por isso muito potente”. De acordo com Faveret, essa visão pode até reforçar o efeito. Existe também a percepção de que o CBD terá menos efeitos adversos do que alternativas para aquela doença ou sintoma. 

De acordo com os médicos, os pacientes resistentes são raros. Por exemplo, religiosos. Ou pais, quando o paciente é criança, e acabam respondendo que preferem tentar outras coisas antes. Dizem que não são totalmente contra, mas que vão estudar e acompanhar melhor o assunto.

Nessas horas, Lessa ainda se surpreende que tanta gente tome medicamentos fortes como Rivotril, sem refletir tanto sobre dependência ou efeitos colaterais.  “Parte da desmistificação do canabidiol passa por mostrar o outro lado dessas medicações que são prejudiciais e mesmo assim são tratadas com banalidade.”

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Dr. Grunfeld passou os últimos 20 anos estudando neuro-oncologia, com ênfase no uso de Cannabis para tratamento oncológico; ele esteve envolvido no cuidado de mais de 3 mil pacientes de Cannabis medicinal em Israel.

A Tranformação Digital e a OnixCann realizam nesta terça-feira, dia 29, o webinar gratuito Clinical Trials – THC e CBD Products. O seminário online vai discutir o desenvolvimento da medicina canabinoide no Brasil, com a presença do médico israelense Dr. Jonathan Grunfeld, CMO da farmacêutica de Cannabis MGC Pharma.

O evento é voltado para médicos e também terá a presença do oncologista Dr. Cid Gusmão, CMO da Canteramed. Para participar do evento, é só clicar aqui e se inscrever.

Durante o Clinical Trials, os membros da comunidade médica poderão conhecer os mais recentes lançamentos, as novas tecnologias e as evidências clínicas que respaldam o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal.

Dr. Grunfeld é especializado em neuro-oncologia pela Anderson Cancer Center. Ele passou os últimos 20 anos estudando neuro-oncologia, com ênfase, desde 2010, no uso de Cannabis no tratamento oncológico. Esteve diretamente envolvido no cuidado de mais de 3 mil pacientes de Cannabis medicinal em Israel.
Já o Dr. Cid Gusmão fundou o Centro de Combate ao Câncer. Ele também liderou o desenvolvimento de plataforma de gestão de tratamento, que contribuiu para criação da plataforma Cantera de Tratamento de Cannabis, Big Data e Analytics. É membro da Academia de Medicina de São Paulo, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, da American Society of Clinical Oncology, entre outras.

Setor empresarial vê grande potencial de negócios a partir da permissão do cultivo e beneficiamento da Cannabis para fins industriais, com a criação de indústria totalmente nova, com vários players

Matéria previamente publicada no site Sechat https://sechat.com.br/cannabis-medicinal-e-canhamo-poderao-gerar-us-3-bi-em-investimentos/

Jaime Ozi, da OnixCann, e Werner Buff, da Verdemed, estão otimistas com os resultados que a aprovação do PL 399/2015 deverá gerar.
Jaime Ozi, da OnixCann, e Werner Buff, da Verdemed, estão otimistas com os resultados que a aprovação do PL 399/2015 deverá gerar

Os desdobramentos que podem surgir a partir da aprovação e sanção do projeto de lei que irá regulamentar o cultivo, processamento, pesquisa, produção e comercialização de produtos à base de Cannabis para fins medicinais e industriais são diversos, e em vários setores. O principal deles, obviamente, é na área da saúde. Os pacientes que utilizam o CBD para tratamentos terão o acesso facilitado aos produtos. Além disso, deverá haver melhorias na diversificação da produção e na redução nos custos, já que o cultivo e o beneficiamento poderão ser feitos no Brasil. 

Em segundo lugar, mas não menos relevante, até pela difícil situação econômica que o país enfrenta, está o desenvolvimento de novos negócios e a atração de investimentos externos. Se aprovado o projeto, o Brasil estará se inserindo num novo e promissor mercado mundial, tendo condições de se destacar como um dos principais expoentes, tendo competência e capacidade para desenvolver a Cannabis medicinal e as operações industriais a partir do cânhamo. 

A expectativa é que apenas nos três primeiros anos, os negócios propiciados pelo segmento possam atrair investimentos de pelo menos 3 bilhões de dólares. “O Brasil é um forte candidato para captar esses recursos, principalmente pelas condições de plantio que se tem aqui”, aponta Jaime Ozi, sócio e vice-presidente de Negócios da OnixCann, empresa voltada à produção de Cannabis medicinal. “Em nosso país, não temos problema com calor ou frio, há uma exposição solar bastante interessante ao longo do ano, e as restrições de terreno são pequenas. Temos abundância de água e um know-how agrícola invejável, com instituições como a Embrapa. Então, o Brasil tem, em todos os aspectos, condições de liderar esse processo.”

Ozi destaca que o principal avanço que traz o PL 399/2015 é no regramento para o cultivo e suas variantes, algo que ficou fora da norma RDC 327 da Anvisa, que criou a categoria especial de produtos para o Cannabis medicinal. “Isso traz ao Brasil a possibilidade de ter uma nova economia por meio do plantio da Cannabis, não só da planta mas também do cânhamo”, diz. “O estudo liderado pelos deputados (Luciano) Ducci e (Paulo) Teixeira foi a fundo na questão. Eles visitaram países como Colômbia, Uruguai e Canadá e levantaram na prática quais são as principais questões ligadas ao produto.”

Ele considera que haverá um grande desenvolvimento do setor medicinal, mas outras áreas como a da indústria cosmética e da alimentícia também serão altamente beneficiadas, uma vez que os setores passarão a ter acesso, por meio da semente da Cannabis, a uma proteína de altíssima qualidade, rica em ômegas 3 e 6. Assim, haverá produtos disponíveis em áreas que não existem atualmente pelo fato de o cultivo ser proibido. “O pouco que existe hoje (no mercado) é importado. Agora teremos a possibilidade de ter uma indústria local se desenvolvendo.” 

Jaime Ozi, da OnixCann, diz que Brasil terá a possibilidade de ter uma nova economia, com produtos de qualidade e alto valor agregado (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Ele prevê que se o processo de liberação e plantio da Cannabis medicinal e do cânhamo for bem desenvolvido, possibilitará o desenvolvimento de uma agricultura familiar com alto valor agregado. Isso deverá gerar de um lado emprego, e de outro impostos para o governo. “Haverá um forte impacto social na geração de emprego e na maior fixação dos trabalhadores no campo”, destaca ele, lembrando que atualmente há um problema de baixa capacidade de valor agregado na produção agrícola em culturas de larga escala como soja e milho. Isso será diferente no caso da Cannabis. “Com pequenas áreas na agricultura familiar, vamos produzir um produto de alta qualidade e de valor agregado.”

Já para Werner Buff, advogado especialista em direito empresarial e chefe de assuntos legais da Verdemed, a aprovação e sanção do PL 399/2015 irá mudar não só o consumo e modo de acesso a produtos de saúde por parte dos pacientes que necessitam desses tratamentos, mas também no modo como a indústria se comporta. “Será criada uma indústria totalmente nova, com vários players”, projeta. 

Para Werner Buff, da Verdemed, haverá mudanças no consumo, no modo de acesso a produtos de saúde e também na forma como a indústria se comporta (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Na união europeia o cultivo da Cannabis já é regulamentado. Os EUA têm uma regulamentação por estado e caminham para uma regulação federal. Todos os países da América Latina têm regulamentações, onde já há uma indústria relativamente madura acontecendo. “Estaremos inseridos num mercado que já é global, que existe em diversos lugares, em diferentes níveis de maturidade. Isso permitirá que o Brasil possa fazer negócios com outros países, seja exportando matéria prima, seja exportando ou importando produtos semiacabados ou acabados, entrando nessa cadeia global da Cannabis medicinal.”

Buff elogiou a condução dos deputados Luciano Ducci (PSB/RS) e Paulo Teixeira (PT/SP) na formulação do substitutivo ao projeto 399/2015, respectivamente relator e presidente da Comissão Especial sobre Medicamentos Formulados com Cannabis, por terem ouvido todos os atores envolvidos no tema, como a indústria de modo geral –  incluindo a farmacêutica e a industrial -, os pacientes e os consumidores. “É um projeto muito centrado e equilibrado. Acho que para o momento que vivemos, é um projeto bastante redondo para as necessidades do Brasil e dos pacientes que consomem esses produtos. O presidente e o relator fizeram um trabalho espetacular.”

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