Eduardo Faveret
Neurologista Eduardo Faveret discute casos clínicos de pacientes em tratamento com produtos com maior concentração de THC.

Um dos principais nomes da medicina canabinoide do Brasil, o neurologista Eduardo Faveret ainda vê muita desinformação sobre o assunto em sua experiência clínica. “A pessoa está tomando um óleo full spectrum que predomina THC e fala que está tomando canabidiol.”

Apesar da ciência já ter demonstrado os benefícios da atuação conjunta dos fitocanabinoides e terpenos, parte dos médicos ainda insistem em uma visão reducionista da Cannabis. Como se apenas o CBD possuísse propriedades medicinais. Resta ao delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), responsável pelo efeito psicotrópico da planta, o papel de vilão.

“O THC é um produto com algumas potencialidades terapêuticas bem importantes, mas encontra resistência por parte dos pacientes, preconceito por parte dos médicos”, afirma Faveret. “É o que encontra mais efeito adverso também, em determinado grupo de pessoas, que são mais sensíveis.”

Quebrando o tabu

Para o neurologista, é preciso estabelecer uma discussão livre de ideologias, baseada em evidências científicas e experiência clínica, para discutir o papel do THC. É com esse objetivo que ministra a masterclass “Aspectos práticos na prescrição de produtos com maior teor de THC”. Evento gratuito e online organizado pela plataforma CanteraMed, no dia 25 de fevereiro, às 20h. 

“Vou falar sobre a relação entre o canabidiol e o THC. Como eles combinados podem aumentar a eficácia e melhorar a tolerabilidade do tratamento”, explica. “Vamos aprofundar sobre o uso clínico na atualidade. Casos de câncer, dor crônica, insônia, epilepsia, entre outros. De forma bem prática, vamos falar de associações com outros remédios, doses, prescrição. Falar sobre efeito colaterais, como reconhecê-los e evitá-los.”

Como uma prévia sobre o tema, Faveret afirma que só prescreve produtos sem THC em situações específicas, em que o paciente demonstra alguma intolerância. “Os óleos de CDB full Spectrum (que contém todos os componentes da planta) é mais potente em efeito contra dor, anti-inflamatório, anti convulsivo, anti câncer, ansiolítico, para insônia”, conta.

“Para todas as indicações, o full spectrum é mais potente. Sendo mais potente, você tem o potencial de reduzir custos. O preço é o mesmo, mas um você vai precisar de metade da dose. Além do fato de que vai atender melhor a necessidade da pessoa.”

Como fazer o tratamento com THC

O médico, porém, faz um alerta. Como ainda são escassos os exames diagnósticos para avaliar a situação do sistema endocanabinoide do paciente, e sua velocidade de metabolização, o ideal é introduzir lentamente o THC no tratamento do paciente.

“Vai depender da farmacocinética e farmacodinâmica do paciente. A velocidade de metabolização dele no fígado, e como é a parte do alvo receptores  na neuroquímica da pessoa”, diz Faveret. 

“Se o paciente já experimentou THC e teve taquicardia, passou mal, ai começo com CBD isolado. Depois, dependendo da necessidade, vai associando um full spectrum”, explica. “Assim tem uma elevada proporção de CBD para THC. Digo que o paciente já forrou a cama, pois o canabidiol protege contra as reações adversas do THC. Anula efeito psicoativo, evita paranoia, transtorno cognitivo, evita o aumento exagerado do apetite.”

O neurologista conclui: “Se os médicos já têm dificuldades de prescrever canabidiol, imagina o THC. Algumas áreas têm alguns médicos que prescrevem, principalmente em casos oncológicos, mas essencialmente a comunidade médica ainda tem bastante receio de prescrever produtos com THC.”

Serviço

Masterclass “Aspectos práticos na prescrição de produtos com maior teor de THC”
Quando: Quinta-feira, 11 de março, às 20h
Inscrições gratuitas em https://onixcann.canteramed.com/masterclass-dr-eduardo-faveret

Médico hematologista, Dr. Cristiano Fernandes compartilha sua experiência no uso de THC em pacientes oncológicos

Em seu trabalho como hematologista oncológico, o doutor Cristiano Fernandes lida diariamente com todas as complicações que os pacientes com câncer podem ter. Dor, ansiedade, perda de apetite, náusea e vômito. Consequência da própria doença e do tratamento com quimioterapia. Nesses casos, a experiência lhe mostrou os benefícios da Cannabis.

Mas não só o CBD, o canabidiol, cada vez mais popular entre na medicina. Boa parte do seus resultados é devido ao uso do famigerado THC. “Isso precisa ser desmitificado. Muita gente acha que é só CBD, mas o THC pode ser útil sim”, afirma o médico hematologista do Centro de Combate ao Câncer SP e da Unidade de Terapia Intensiva Onco/Hematológica Hospital Nove de Julho.

Fernandes vai compartilhar seu conhecimento e experiência, gratuitamente e online, com médicos de todo Brasil, na Masterclass “O papel do THC no tratamento com a Cannabis Medicinal”, oferecida pela CanTeraMed, no dia 3 de fevereiro, às 20h.

“A maioria do trabalhos com Cannabis no mundo é com THC. Só recentemente o CBD tomou a importância, pois não tem o componente euforizante”, conta Cristiano Fernandes. “O THC é o canabinoide é o menos usual pela dificuldade de você ter para prescrever para os pacientes. A gente vai falar sobre os riscos, segurança, trabalhos atuais, conhecimento atual do THC, indicações. Ou seja, onde ele pode ser útil na medicina.”

Segundo o médico, que também é diretor da OnixCann e co-responsável pela compilação dos protocolos institucionais envolvendo canabinoides da Plataforma CanTera, se bem utilizado, o THC pode fazer o que nenhum outro remédio faz por seus pacientes. 

“Dentro do contexto geral, é uma medicação bastante segura do ponto de vista clínico. A gente prescreve com tranquilidade opioides para dor. Morfina, oxicodona, que podem levar ao óbito se mal usadas. Uma overdose de opioide pode ser fatal, enquanto não tem relato nenhum de overdose fatal de THC, garante Fernandes. 

“Ele não tem nenhum papel oncológico. Não reduz tumor, mas ajuda o paciente naquilo que não tem medicação. Não existe medicação para o bem estar. A Cannabis entra nesse cenário”, complementa o hematologista. “Um conjunto de drogas que auxilia na qualidade de vida do paciente. Hoje a gente não tem nenhuma medicação que sozinha ou em combinação que faça isso tão bem quanto o THC e CBD.” 

Interessados podem fazer a inscrição para participar na Masterclass: “O papel do THC no tratamento com a Cannabis Medicinal”, com o Dr. Cristiano Fernandes. A palestra acontece na quarta-feira, 3 de fevereiro, às 20h. 

Matéria veiculada em 20 janeiro de 2021 no Portal Cannabis & Saúde https://www.cannabisesaude.com.br/masterclass-papel-thc-cannabis-medicinal/

Na Masterclass do dia 25 de novembro, o neurocirurgião Dr. Pedro Pierro deu dicas práticas para médicos prescreverem Cannabis com segurança, inclusive explicando como calcular as doses.

Um dos prescritores mais experientes do Brasil, o neurocirurgião funcional Pedro Pierro Neto ministrou no último 25 de novembro, quarta-feira, a aula online “Aspectos clínicos da medicina canabinoide. Uma visão prática para o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal”.

Na vídeo-aula, que teve a apresentação de Jaime Ozi, Pierro transmitiu o conhecimento adquirido em estudos, pesquisas e prática clínica de cinco anos com o medicamento. Foi uma aula gratuita, destinada aos colegas da área de saúde. 

O objetivo da iniciativa é ampliar a oferta de informação e estimular o crescimento do número de médicos prescritores. Hoje, pouco mais de mil médicos prescrevem em um universo de 500 mil profissionais brasileiros. 

Um dos médicos pioneiros no tema, Pedro Pierro descobriu os benefícios da planta graças à insistência dos pais de uma criança com epilepsia e já teve sua história contada aqui no Cannabis & Saúde. Hoje, ele é um dos principais pesquisadores e divulgadores da Medicina Canabinoide.

Confira a seguir alguns pontos da aula.

Introdução – Cannabis

  • Uma das primeiras plantas a serem domesticadas pela humanidade, conhecida há 12 mil anos;
  • Uma das cinco plantas sagradas da China;
  • Sistema endocanabinoide – controla a comunicação da célula pré-sináptica, que avisa a célula pós-sináptica do que precisa ser feito. É o sistema que permite que uma mesma dose de medicamento seja usada para doenças diferentes.

Três tipos de extratos

  • Full spectrum – extrato completo com todos os canabinoides da planta, que precisam manter um padrão e têm efeito entourage (onde todos os canabinóides agem em conjunto);
  • Espectros isolados – apenas com um canabinoide, geralmente o CBD. Muito aplicável para pessoas que têm sensibilidade ao THC, ou com profissões como atletas e motoristas;
  • Espectro ampliado (broad spectrum) – com dois ou mais canabinoides, e não todos. 

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Vias de administração

Forma mais comum de administração, é geralmente a absorção sublingual para ação mais rápida.

  • Oral – tinturas, spray, gotas sublinguais
  • Efeito entre 1 a 15 minutos;
  • Duração de 2 a 9 horas;
  • Biodisponibilidade: 1 a 13% 

Tópicos – cremes, balms, pomadas

Indicados para dor em geral, dores articulares e muito usados nas práticas esportivas como atletismo, UFC e golfe.

  • Efeito imediato a poucos minutos;
  • Duração 30 minutos a 3 horas;
  • Biodisponibilidade – não aplicável, não entra na corrente sanguínea.

Supositórios

Indicados para doenças inflamatórias intestinais, crohn, síndrome do intestino irritável, câncer de útero e tudo o que se refira a doenças pélvicas.

  • Efeito 15 minutos ou menos;
  • Duração de até 12 horas;
  • Biodisponibilidade: de 13 a 67%.

Inalatórios

Indicado para momentos de resgate para dores e crises convulsivas, se difere de fumar Cannabis por não envolver a combustão.

  • Efeito – imediato a 5 minutos;
  • Duração – 45 minutos a 3 horas;
  • Biodisponibilidade de 10 a 25%.

Comestíveis

Normalmente feitos só com CBD, para evitar intoxicação.

  • Efeito – de 1,5h a 2 horas;
  • Duração 6 a 9 horas;
  • Biodisponibilidade de 5 a 20%.

Por que óleos são a forma mais comum?

Por vários motivos: canabinoides são lipossolúveis; mais econômicos; doses são fáceis de ajustar; permite diferentes proporções de canabinoides; têm bom prazo de validade; e podem ser misturados a outros produtos.

Dose

Doses máximas:

  • CBD: até 20mg/kg/dia entre duas a três tomadas, mas não se chega a essa quantidade, porque só se prescreve o que o paciente precisa;
  • THC – devido ao efeito psicoativo, deve ser usado com moderação – quanto mais CBD, menos efeito psicoativo do THC.
  • Doses são individualizadas;
  • Curva de U invertido ou efeito sino – nem sempre nosso melhor efeito terapêutico está na maior dosagem. Depois de atingir o ápice, ou o melhor resultado, aumentar a dose significará a perda da ação. Quando isso acontece, pode-se voltar à dosagem anterior. 

Esse eixo caminha ao longo do tempo como com qualquer medicamento, pedindo aumento de dosagem. “Não é quanto vou dar, mas o quanto o paciente precisa”, diz Pierro. 

Exemplos práticos do Dr. Pedro Pierro

Quando prescrever gotas é importante saber quanto vale um mililitro (ml), e, portanto, quanto vale a sua gota:

  • Provacan 600 em 10ml são 60ml por ml, portanto, 3 mg por gota;
  • Provacan 1200 em 10ml são 120mg por ml, portanto, 6mg por gota.

Na linha MP da MGC, com THC: 

No exemplo, o óleo 1:1 (proporção igual de CBD e THC) de 25mg/ml: 1ml tem 0,75mg de CBD e THC por gota.

Pierro alerta que, mesmo ciente da quantidade de canabinoides que o paciente ingere por gota, e começando com pequenas doses, os resultados podem não ser os esperados. Por isso, em alguns casos como aplicação de doses maiores de THC em crianças ou idosos, ele prefere usar os testes genéticos. Tanto condições como epilepsia infantil como Alzheimer têm sintomas cognitivos e comportamentais, e é importante saber manipular CBD e THC para não causar psicose nos pacientes. 

Os testes disponíveis no Brasil são o californiano Strain e o brasileiro MyCanabis Code. 

Pierro mostrou em detalhe os dois testes, e como fazer a leitura das informações.

Também reforçou que a dose é sempre individualizada, por isso o ideal é começar com doses baixas e subir progressivamente. O período de avaliação também varia, e é de 3 a 14 dias, com subidas de 10 a 30%.

>>> Procurando por um médico prescritor de Cannabis medicinal? Temos grandes nomes da medicina canabinoide para indicar.

Dr. Pedro Pierro

O neurocirurgião funcional Dr. Pedro Pierro Neto é um dos médicos pioneiros em estudar e prescrever a Cannabis medicinal no Brasil. 

A história dele já foi contada no Portal Cannabis & Saúde: ele descobriu os benefícios da planta graças à insistência dos pais de uma criança com epilepsia. Hoje, é um dos principais pesquisadores e divulgadores da Medicina Canabinoide.

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Um dos maiores desafios para a Cannabis chegar a mais pacientes no Brasil é que cresça o número de médicos prescritores: até hoje pouco mais de mil médicos prescrevem em mais de 500 mil profissionais.

Por isso, na próxima quarta-feira (25/11) às 20h, Dr. Pierro irá ministrar uma masterclass sobre o assunto voltada justamente aos médicos – e totalmente gratuita. A aula se chamará “Aspectos clínicos da medicina canabinoide. Uma visão prática para o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal”.

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Sobre o Dr. Pedro Pierro Neto

Dr. Pedro Pierro é especialista em dor, transtornos de movimentos, epilepsia, cirurgia psiquiatra. Formado pela Universidade Iguaçu do Rio de Janeiro, com especialidade em Neurocirurgia e subespecialidade em funcional e dor.

Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – SBN, da Sociedade Brasileira para Estudo de Dor – SBED e da Sociedade Interamericana de Cirurgia Minimamente Invasiva de Coluna Vertebral. Coautor do livro Tratador de Dor volume 1 e 2.

Atualmente o Dr. Pedro Pierro, é um dos principais estudiosos sobre o tratamento com Cannabis para fins Medicinais, prescritor há mais de 6 anos e participante de congressos e cursos no Brasil e no mundo como educador.

DATA E HORA
25 de novembro | 20h00

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IMPORTANTE: Somente inscritos poderão participar. O link para assistir a masterclass será encaminhado para o e-mail cadastrado assim que realizada a inscrição.

Apesar de não prescrito no Brasil para casos de osteoporose, o fitoterápico já é utilizado em outras partes do mundo para esse fim. Um estudo da Universidade de Edinburgh, na Escócia,  mostra que o sistema endocanabinoide é importante na regulação do metabolismo ósseo.

Osteosporose tratada com Cannabis Medicinal

A osteoporose é uma doença que enfraquece gradualmente os ossos e cujo nome se traduz, literalmente, como “ossos porosos”. Afeta 200 milhões de pessoas no mundo e pode ser incapacitante.

A doença aparece quando a formação do osso não é adequada e há deficiência de cálcio e vitaminas ou quando os ossos sofrem um desgaste excessivo. 

Essa deterioração pode ocorrer por alguns fatores: diminuição de hormônios, uso contínuo de alguns tipos de medicamentos, tabagismo, consumo de álcool, existência de algumas doenças específicas, e, finalmente, o desgaste natural.

Osteoporose. O que é a doença

“O osso corresponde à maior porção de tecido conjuntivo do corpo. Contém células que fabricam e mantém a matriz extracelular. Ela está fisiologicamente mineralizada com microcristais de fosfato de cálcio, que possuem carbonato”, explica o Dr. Thiago Bitar Moraes Barros, reumatologista.

Ou seja: os ossos estão preenchidos de cálcio, que os mantém densos e fortes. 

“Durante toda a vida eles se encontram em regeneração constante, como consequência de um processo conhecido como remodelação óssea”, continua.

Quer dizer que o tecido ósseo antigo é continuamente destruído e um novo é formado em seu lugar. A remodelação permite que os tecidos já gastos ou que tenham sofrido lesões sejam trocados por novos e sadios.

Cada parte do corpo tem um tempo diferente de remodelação. Por exemplo: as partes extremas do fêmur são substituídas a cada 4 meses; já os ossos da mão são completamente modificados todo o tempo. Esse processo também permite que o osso sirva como reserva de cálcio para o corpo.

Mas a doença modifica essa ação: “Na osteoporose há uma alteração da sequência de remodelação óssea; a reabsorção óssea é maior que a formação, aumentando a perda de massa óssea e o risco de fratura”, esclarece Bitar.

Por esse motivo, pacientes que têm osteoporose demoram mais para se recuperar de fraturas.

A quem atinge

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois dos 50 anos de idade, cerca de 30% das mulheres e 10% dos homens apresentam osteoporose. Geralmente se descobre a doença a partir de uma exame de densitometria óssea, que mede a massa do osso. Muitas vezes o exame é feito após uma fratura.

A densidade óssea aumenta até os 30 anos de idade e posteriormente começa a cair. Entre os 30 e os 80 anos, o cálcio total diminui aproximadamente 20%, porém esta queda é maior nos ossos da coluna, podendo chegar a 60%.

A herança genética determina em 80% o nível máximo de massa óssea que um indivíduo alcança na vida, assim como a taxa de perda da mesma. Pessoas de etnia negra possuem maior densidade óssea, alcançam maior massa óssea e a taxa de perda é menor se comparada com pessoas brancas e asiáticas.

Fraturas e outros sintomas da Osteoporose

A osteoporose provoca 2,4 milhões de fraturas todos os anos no mundo e atinge 10 milhões de brasileiros.

As fraturas, ao mesmo tempo que são um dos piores sintomas, levam ao maior número de diagnósticos, pois geralmente é a partir de um acontecimento atípico como esse que se parte para um exame mais detalhado.

Consequentemente, devido a descalcificação progressiva, que é um dos indicativos da enfermidade, os ossos tornam-se mais frágeis, por isso são mais suscetíveis a quebras. O fato da doença ser mais comum em pessoas de idade avançada aumenta as chances desse tipo de acidente acontecer.

Geralmente, durante uma queda ocorre uma contratura muscular que faz com que a força do impacto seja distribuída por uma superfície maior, o que preserva a segurança dos ossos.

Entretanto, nos idosos, a força muscular e a velocidade de reação estão menores, o que provoca uma alteração neste mecanismo de proteção ao osso, deixando-o mais exposto e sujeito à quebras.

Tipos mais comuns de fraturas

A osteoporose afeta de maneira diferente homens e mulheres, além disso, há ossos com maiores índices de fratura:

  • As fraturas por compressão vertebral acometem 20% das mulheres pós-menopausa
  • As fraturas de bacia aumentam exponencialmente após os 50 anos nas mulheres e 60 nos homens
  • Um terço de todas as mulheres com mais de 80 anos já sofreram uma fratura de bacia
  • São comuns as fraturas das vértebras por compressão, o que leva a problemas de coluna e à diminuição da estatura
  • Os punhos também são facilmente focos de quebras, pois num reflexo, leva-se as mãos a frente do corpo durante a queda. A maior incidência é em mulheres na pós menopausa

Além das fraturas, a enfermidade pode causar dor nas articulações, encurvamento da coluna e diminuição da altura em até três centímetros.

Tratamentos para a Osteoporose

Para quase todos os casos de osteoporose, são indicados atividade física, fisioterapia, vitamina D e medicamentos específicos.

Mas segundo Bitar, “para o tratamento correto da osteoporose é necessário entender o processo de remodelação óssea”. Ele acrescenta que “idealmente a terapia deve diminuir a reabsorção de osso impedindo uma maior perda óssea e aumentar a formação óssea”.

Como não existe um tipo de tratamento que ao mesmo tempo iniba a reabsorção de osso e estimule a formação óssea, geralmente o paciente precisa tomar mais de um remédio.

Posso tratar osteoporose com CBD?

Apesar de não prescrito no Brasil para casos de osteoporose, o fitoterápico já é utilizado em outras partes do mundo para esse fim.

Um estudo de 2010 da Universidade de Edinburgh, na Escócia,  mostra que o sistema endocanabinoide é importante na regulação do metabolismo ósseo.

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Em testes feitos em camundongos com deficiência de CB1 e CB2, os principais receptores canabinoides ativados pela Cannabis medicinal, as cobaias apresentaram osteoporose relacionada com a idade como resultado de formação óssea prejudicada e renovação óssea em desequilíbrio.

Ainda não há comprovação científica de que a Cannabis medicinal possa realmente auxiliar os pacientes de osteoporose, mas acredita-se que, como o CBD estimula os receptores citados, consequentemente pode auxiliar no aumento da taxa de regeneração do novo tecido ósseo.

Outra hipótese é a de que o CBD pode auxiliar na prevenção da enfermidade, combatendo algumas de suas outras causas que não o desgaste natural. Por exemplo,  pode ser usado em alguns casos para desmame de corticoide e analgésicos, como auxiliar para abandono do tabagismo, do vicio no álcool, etc.

De qualquer maneira, se optar pelo uso do CBD para a doença, é importante ter um acompanhamento médico e seguir os demais protocolos de tratamento à risca.

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Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/cannabis-medicinal-no-tratamento-de-osteoporose/

Apaixonado pela Cannabis, Hélio Mororó ministrou aula para médicos sobre a planta, incluindo a história medicinal, funcionamento do sistema endocanabinoide, detalhes da farmacologia e aplicabilidade em diversas patologias.

Masterclass com Dr. Hélio Mororó. Tudo o que médicos precisam saber sobre Cannabis medicinal

No Masterclass da última quarta-feira, 14, o médico pernambucano Hélio Mororó Vieira de Mello apresentou a Cannabis medicinal ao público de médicos. Em rápida introdução, falou da história da planta, com sua “descoberta”, hostilização e renascimento. Falou dos principais fitocanabinoides, da farmacologia, aplicações clínicas e da importância da abordagem integrativa na medicina.

Mororó é médico pós-graduado em cardiologia, geriatria, nutrologia, saúde pública e medicina do trabalho. É doutorando em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), professor de Medicina da Universidade Católica de Pernambuco e mestre em Perícias Forenses. Médico há 26 anos, há cinco é estudioso e prescritor de terapia canabinoide. 

Entusiasta da Cannabis, Mororó busca em sua prática “levar conhecimento de qualidade, com embasamento científico e honesto, sem viés político”. Por isso, ele inicia a abrangente aula com a máxima: “Quanto mais estudo, mais me convenço que não sei de nada e que preciso saber mais”. 

História e contextualização

Logo no início, Mororó explicou que a Cannabis é a planta mais antiga de que se tem conhecimento. Os primeiros vestígios foram no Oriente Médio, de onde se espalhou pelo mundo, primeiro pelo leste da Europa e depois até a África, de onde partiu para as Américas.

Ele apresentou registros de pinturas rupestres de até 30 mil anos, indicando que a planta fazia parte de rituais e era usada como medicamento. Citou o exemplo importante da fitoterapia chinesa, o primeiro tratado de medicina feito pelo Imperador Shen Nung: para entrar neste tratado, uma planta precisava ser observada por pelo menos 400 anos, e a Cannabis já fazia parte dele.

Mororó lembrou que os ingleses tomaram conhecimento da Cannabis na Índia, e a rainha Victoria se beneficiou do tratamento para suas enxaquecas e cólicas menstruais. Lembrou ainda que a Cannabis já frequentou os livros de medicina ocidentais, em trabalhos científicos de mais de cem anos atrás, especialmente na América. No Primeiro Manual Merck de prática médica de 1899, aparecia a indicação de Cannabis para doenças neurológicas, digestivas e dor. 

Ruderalis e indica

Cannabis ruderalis e a indica são variações genéticas da Cannabis sativa, ambas muito importantes na história da humanidade. O cânhamo era usado para produzir cordas, roupas, as velas das naus eram de cânhamo. Mororó lembrou do primeiro livro de Johannes Gutenberg, o inventor da imprensa, impressa em papel de cânhamo.

E puxou uma fala de Sidarta Ribeiro: “a Cannabis é o cachorro das plantas”. Explicou que, assim como o cachorro veio da sucessão de cruzamentos a partir do lobo, a Cannabis é a planta com mais manuseio genético de que se tem notícia. Com finalidades específicas, todos os tipos de Cannabis nasceram do cruzamento genético espontâneo.

A grande “descoberta”

Apesar disso, a planta foi hostilizada, execrada e afastada do convívio dos meios médicos, só retornando na década de 60 com Raphael Mechoulan: “foi o renascimento do fitoterápico”.

Mororó falou da descoberta do sistema endocanabinoide, “o maior, mais importante, complexo e completo sistema de homeostase do corpo humano”. É algo ainda recente e pouco citado nos cursos de medicina, apesar do impacto no metabolismo, função imunológica, processos inflamatórios, percepção da dor, sistemas de recompensa, resposta ao estresse, ação motora, crescimento ósseo, alterações do humor, entre outras coisas. 

Mororó explicou as funções do sistema endocanabinoide. Ele facilita a comunicação intercelular entre diversos tipos de célula atuando como sua base, na forma de  impulsos elétricos ou reações bioquímicas. “Com a comunicação certa, o organismo entra em equilíbrio, que é a grande busca da medicina”. 

Apesar da extensa lista de aplicações, Mororó alertou que a Cannabis não é o remédio mágico que vai curar tudo. “É o sistema mágico de informação que, bem cuidado e alimentado, vai dar respostas maravilhosas, voltadas para o bem estar e saúde”.

Assista na íntegra a Masterclass: Sistema endocanabinoide e a Cannabis medicinal. O que todo médico deveria saber.

THC, CBD e os outros fitocanabinoides

Mororó explicou que os fitocanabinoides atuam principalmente junto aos receptores CB1 e CB2, presentes no corpo todo. Acoplados à proteína G, são abundantes em regiões diferentes, mas estão sempre presentes nessa dupla.

CB1

Os receptores CB1 atuam mais no Sistema Nervoso. A esse respeito, Mororó trouxe um número impressionante: são dez vezes mais abundantes no cérebro do que os receptores opioides  (responsáveis pelo efeito da morfina). Além disso, o CB1 tem poucos receptores na função cardiorrespiratória do tronco cerebral, o que faz do tratamento da Cannabis muito seguro, sem riscos de depressão respiratória ao contrário dos receptores opioides. 

O receptor CB1 aparece tanto em neurônios inibitórios quanto em neurônios excitatórios. De acordo com Mororó, sabendo trabalhar com a substância, é possível tratar tanto paciente super excitado (hiperatividade, autismo, transtorno de déficit de atenção, epilepsia), quanto o inibido (depressão, astenia, fadiga).

CB2

Os receptores CB2 têm grande presença no sistema imunológico e gastrointestinal. E tem uma relação importante entre si: as imunoglobulinas IgAs são produzidas praticamente 100% no sistema digestivo. “Se eu tenho barreira gastrointestinal íntegra, eu tenho menos inflamação, menos estímulo constante e desencadeio menos patologias”. 

Aplicações

Sem esconder seu encantamento com a Cannabis, Mororó resume a atuação da planta da seguinte maneira: moduladora de inflamações, dor, resposta imunológica. A Cannabis é um medicamento com ampla gama de possibilidades na economia metabólica. Atua no sistema cardiovascular, respiratório, ósseo, reprodutivo, no fígado, nos rins, nos olhos.

As aplicações são vastas: doenças autoimunes, infecções (como o coronavírus), mediação de patologias alérgica (asma, dermatite atópica, psoríase). E não para por aí.

A Cannabis modula expressão gênica, ou seja, mexe no DNA. Na oncologia, atua na modulação da informação genética de células oncológicas, sendo ferramenta para usar menos quimioterapia e radioterapia. O resultado, segundo Mororó, é que ela modula os efeitos colaterais e cria ambiente favorável para a economia metabólica e um ambiente desfavorável para a multiplicação de células cancerígenas.  

Mororó seguiu o raciocínio dizendo que a base de todas as patologias é a inflamação, ou péssimo desempenho das mitocôndrias (mitocondriopatias). O CBD, THC e os demais fitocanabinoides agem na função e arquitetura das mitocôndrias. 

Tratamentos do sistema nervoso

Mororó explicou que a Cannabis age na comunicação. Diferente de outros neurotransmissores endocanabinoides não há uma reserva de estoque. Precisam ser produzidos sob demanda. O uso de fitocanabinoides estimula este tipo de produção. Assim, consegue-se modular a informação que vai de neurônio a neurônio. “E tem neurônio no corpo todo. O paciente é todo um sistema, em que está tudo interligado”. 

Como professor, Mororó não deixa os alunos esquecerem de que as terapias integrativas têm importante papel: a microbiótica intestinal precisa ser avaliada, às vezes é preciso alterar a dieta.  Doenças neurológicas pedem um paciente hidratado, pelo menos um litro e meio de água por dia. 

Tratamentos do sistema imunológico 

A Cannabis atua com modulação, não com inibição. Isso faz diferença. É necessário um grau de inflamação para movimentar as células de defesa, para vasodilatação e aporte de nutrientes. Mas quando a inflamação vira patologia, precisa de controle para redução da da dor. Mororó explicou que gosta da substância amiloide, responsável por destruir neurônios velhos. Quando produzida em excesso, ou “sai destruindo tudo”, é nociva. E a Cannabis modula essa resposta. 

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Farmacologia do sistema endocanabinoide

Uma vantagem fundamental da Cannabis é seu nível de toxicidade baixíssimo. Segundo o Drug Enforcement Administration (DEA) americano, é mais segura que Aspirina. 

Mororó destacou esse fato durante a aula, para em seguida apresentar os tipos básicos de extratos, que compõem uma medicina especializada para cada indivíduo: 

  • Full spectrum – com todos os canabinoides da planta, apresenta o efeito entourage por ser mais completo, mas pode ser menos específico;
  • Extrato isolado – com apenas um canabinóide. Mororó ensina que, se for só com CBD, qualquer pessoa pode tomar, e atua como analgésico e anti-inflamatório. Ele lembra que o extrato isolado de CBD é liberado pelas Ligas Americanas de Basquete e de Futebol;
  • Extrato de espectro controlado – na proporção para determinadas patologias. 

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Formas de administração

Respiratório

Embora seja um fato razoavelmente conhecido, Mororó fez questão de ressaltar que a Cannabis não é aspirada fumando, mas por meio de vaporização, uma espécie de nebulização. Essa forma é indicada para dor ou convulsão, em especial nas emergências, por seu efeito rápido.

  • Efeito imediato a 5 minutos;
  • Duração do efeito: de 45 min a 3h.

Oral 

  • Efeito de 1m a 15 min;
  • Duração do efeito: de 2 horas a 9 horas.

Do ponto de vista médico, Mororó classificou o modo oral como o mais fácil de administrar, porque permite ajustes na dosagem por de gotas. Ele apontou a possibilidade de, depois de ajustado o tratamento, usar em forma de cápsula por ter sabor mais neutro. Como a absorção se dá pelo trato gástrico, a biodisponibilidade é maior e com efeito mais duradouro. 

Supositório

Apesar do preconceito com esta forma de administração, Mororó argumentou que é uma excelente opção para pacientes com dificuldades de deglutição. Além disso,por ser uma área altamente vascularizada, permite absorção eficaz e rápida.

  • Efeito em 15 minutos;
  • Duração do efeito de até 12 horas.

Tópicos

  • Aplicações: pancadas, psoríase, dermatite atópica, câncer de pele;
  • Efeito imediato;
  • Duração do efeito: de 30 minutos a 3 horas;
  • Sem biodisponibilidade sistêmica.

Aplicabilidade da Cannabis

Mororó apresentou um quadro com o resumo dos tratamentos possíveis com Cannabis: 

  • efeitos colaterais de quimioterapia;
  • efeitos anti-oxidantes;
  • efeitos neuroprotetores;
  • efeitos anti-inflamatórios;
  • insônia;
  • ansiedade;
  • psicose;
  • epilepsia;
  • doença cardíaca;
  • diabetes

Toxicidade

Apesar da baixa toxicidade da Cannabis, Mororó explicou que costuma alertar seus alunos médicos sobre as interações medicamentosas. Com exemplos, ressaltou que essas interações precisam ser acompanhadas de perto. E podem resultar em desmame de medicamentos ou melhoria da performance.

É preciso também cuidado com a função homeostática da Cannabis. Ela costuma interagir com a forma de resposta do corpo aos medicamentos, especialmente os listados a seguir:

  • anticoagulantes /  antiagregantes plaquetários
  • barbitúricos e depressores do SNC
  • álcool, paracetamol, anestésicos, teofilina
  • lovastatina, claritromicina, ciclosporina, diltiazem, estrógenos, indinavir
  • cetoconazol, anti-H2, bloqueadores do canal de cálcio, digoxina, corticosteróides, fexofenadina, loperamida

Mensagem final

“No trilho, o trem tem horário certo de sair e de chegar, e você não pode se desviar daquela linha de pensamento”, explicou. Para o médico, a melhor maneira de pensar é como uma trilha: “Uma orientação com flexibilidade para alterar seu caminho. Ir mais rápido, mais devagar, ir para outro lado, fazer pausas”.

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Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/conteudo-indispensavel-medicos-prescritores-cannabis/

Pesquisadores do Hospital Sírio Libanês e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo publicaram artigo no periódico internacional Frontiers em Oncology revelando que a planta pode ajudar diversas condições clínicas em pacientes com a doença.

A principal função do uso da Cannabis no tratamento do paciente oncológico está em ajudar no manejo da dor, no controle de efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea e vômitos, e controlar a ansiedade e a depressão.

A pesquisa, porém, está em um contexto que estuda o efeito da Cannabis também em doenças neuro degenerativas, auto-imunes, no câncer, nas epilepsias e epilepsias refratárias, no autismo, nas doenças gastrointestinais, na ansiedade, nos distúrbios do sono, na depressão, na recuperação muscular em atletas, na cicatrização óssea relacionada à fraturas e osteoporose, e dores crônicas.

Trata-se de um estudo de caso em que dois pacientes que foram submetidos à quimiorradiação, seguido por um regime de múltiplas drogas (procarbazina, lomustina e vincristina) associado ao canabidiol (CBD).

CLIQUE AQUI e Leia também a matéria Cannabis traz qualidade de vida e economia ao paciente de câncer, destaca oncologista Cid Gusmão.

Ambos os pacientes apresentaram respostas clínicas e de imagem satisfatórias em avaliações periódicas, com aspectos não comumente observados em pacientes tratados apenas com modalidades convencionais.

Um dos pacientes apresentou um quadro exacerbado de pseudoprogressão precoce (PSD), avaliada por ressonância magnética (RM), que foi resolvido em um curto período. O outro apresentou uma acentuada
remissão de áreas alteradas em comparação com os exames pós-operatórios avaliados por ressonância magnética.

Essa observação pode realçar o efeito potencial do CBD em melhorar as respostas à quimiorradiação que afetam a sobrevida. Os pesquisadores, no entanto, alertam que novas pesquisas com mais pacientes e análises moleculares críticas devem ser realizadas.

Os autores do estudo são Paula B. Dall’Stella, Marcos F. L. Docema, Marcos V. C. Maldaun e  Olavo Feher, do Departamento de Neuro Oncologia do Hospital Sírio Libanês e Carmen L. P. Lancellotti, do Departamento de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Para os cientistas, a relação do câncer na melhora do quadro dos pacientes está relacionada ao sistema endocanabinoide, que possui um papel importante em diversas reações bioquímicas do corpo humano. Ele está intimamente relacionado ao nosso processo de homeostase, ou seja, nosso equilíbrio interno. O sistema endocanabinoide é constituído pelos receptores canabinoides, chamados CB1 e CB2, os seus ligantes endógenos, os endocanabinoides e as proteínas envolvidas na sua síntese e degradação.

É como se esse sistema fosse uma comunicação entre o cérebro e o corpo humano. Está envolvido em vários processos fisiológicos, como a modulação de todos os eixos endócrinos, da dor, a regulação da atividade motora, o controle de processos cognitivos, a modulação da resposta inflamatória e imunológica. Além disso, promove ação anti-proliferativa em células tumorais, controle do sistema cardiovascular, entre outros.

Também desempenha também um papel extremamente importante da modulação do apetite, ingestão alimentar e balanço energético, e em órgãos periféricos como o tecido adiposo, fígado, músculo esquelético e trato gastrointestinal.

Fonte:
http://www.fcmsantacasasp.edu.br/wp-content/uploads/2019/02/CASE-REPORT-CLINICAL-OUTCOME-AND-IMAGE-RESPONSE-OF-TWO-PATIENTS-WITH-SECONDARY-HIGH-GRADE-GLIOMA-TREATED-WITH-CHEMORADIATION-PCV-AND-CANNABIDIOL.pdf

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No Dia das Crianças um pool de empresas se reuniram para beneficiar meninos e meninas sem condições econômicas para realizarem o tratamento canabinoide.

Para inaugurar o setor infantil, nesta segunda-feira, 12 de outubro, a unidade paulista do CEC (Centro de Excelência Canabinoide), abre a clínica, batizada de 4Kids, com uma ação especial gratuita.

Ao todo serão beneficiadas dez crianças carentes e que possuem doenças como epilepsia refratária, paralisia cerebral, autismo, TDAH (hiperatividade e déficit de atenção) e Síndrome de West (espasmos infantis).

Leia também: Medicamentos com alto grau de THC chegam com exclusividade ao Brasil

São patologias estas que reagem muito bem com o uso do CBD (Canabidiol), por ser um produto com ação anticonvulsivante. As crianças foram previamente selecionadas e muito em breve passarão pelos primeiros atendimentos, feitos diretamente pelo diretor técnico da Clínica, Dr. Pedro Pierro, neurologista e precursor no tratamento com Cannabis medicinal no Brasil.

O processo abrange ainda acesso ao SAC 24 horas para suporte pós-consulta. Além disso, receberão tratamento gratuito durante seis meses, incluindo acompanhamento clínico e os medicamentos. As famílias também contarão com suporte jurídico para buscar acesso continuado ao canabidiol.

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Ao todo seis empresas doaram o tratamento completo para as crianças, são elas: Central Pharma, Terra Cannabis, Korasana, Carmen´s Medical, CanTeraMed uma empresa do grupo OnixCann, The Human´s Secret´s e do Pacto Global das Organizações das Nações Unidas.

Leia matéria à respeito na Folha de São Paulo. CLIQUE AQUI.

Dr. Grunfeld passou os últimos 20 anos estudando neuro-oncologia, com ênfase no uso de Cannabis para tratamento oncológico; ele esteve envolvido no cuidado de mais de 3 mil pacientes de Cannabis medicinal em Israel.

A Tranformação Digital e a OnixCann realizam nesta terça-feira, dia 29, o webinar gratuito Clinical Trials – THC e CBD Products. O seminário online vai discutir o desenvolvimento da medicina canabinoide no Brasil, com a presença do médico israelense Dr. Jonathan Grunfeld, CMO da farmacêutica de Cannabis MGC Pharma.

O evento é voltado para médicos e também terá a presença do oncologista Dr. Cid Gusmão, CMO da Canteramed. Para participar do evento, é só clicar aqui e se inscrever.

Durante o Clinical Trials, os membros da comunidade médica poderão conhecer os mais recentes lançamentos, as novas tecnologias e as evidências clínicas que respaldam o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal.

Dr. Grunfeld é especializado em neuro-oncologia pela Anderson Cancer Center. Ele passou os últimos 20 anos estudando neuro-oncologia, com ênfase, desde 2010, no uso de Cannabis no tratamento oncológico. Esteve diretamente envolvido no cuidado de mais de 3 mil pacientes de Cannabis medicinal em Israel.
Já o Dr. Cid Gusmão fundou o Centro de Combate ao Câncer. Ele também liderou o desenvolvimento de plataforma de gestão de tratamento, que contribuiu para criação da plataforma Cantera de Tratamento de Cannabis, Big Data e Analytics. É membro da Academia de Medicina de São Paulo, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, da American Society of Clinical Oncology, entre outras.

Setor empresarial vê grande potencial de negócios a partir da permissão do cultivo e beneficiamento da Cannabis para fins industriais, com a criação de indústria totalmente nova, com vários players

Matéria previamente publicada no site Sechat https://sechat.com.br/cannabis-medicinal-e-canhamo-poderao-gerar-us-3-bi-em-investimentos/

Jaime Ozi, da OnixCann, e Werner Buff, da Verdemed, estão otimistas com os resultados que a aprovação do PL 399/2015 deverá gerar.
Jaime Ozi, da OnixCann, e Werner Buff, da Verdemed, estão otimistas com os resultados que a aprovação do PL 399/2015 deverá gerar

Os desdobramentos que podem surgir a partir da aprovação e sanção do projeto de lei que irá regulamentar o cultivo, processamento, pesquisa, produção e comercialização de produtos à base de Cannabis para fins medicinais e industriais são diversos, e em vários setores. O principal deles, obviamente, é na área da saúde. Os pacientes que utilizam o CBD para tratamentos terão o acesso facilitado aos produtos. Além disso, deverá haver melhorias na diversificação da produção e na redução nos custos, já que o cultivo e o beneficiamento poderão ser feitos no Brasil. 

Em segundo lugar, mas não menos relevante, até pela difícil situação econômica que o país enfrenta, está o desenvolvimento de novos negócios e a atração de investimentos externos. Se aprovado o projeto, o Brasil estará se inserindo num novo e promissor mercado mundial, tendo condições de se destacar como um dos principais expoentes, tendo competência e capacidade para desenvolver a Cannabis medicinal e as operações industriais a partir do cânhamo. 

A expectativa é que apenas nos três primeiros anos, os negócios propiciados pelo segmento possam atrair investimentos de pelo menos 3 bilhões de dólares. “O Brasil é um forte candidato para captar esses recursos, principalmente pelas condições de plantio que se tem aqui”, aponta Jaime Ozi, sócio e vice-presidente de Negócios da OnixCann, empresa voltada à produção de Cannabis medicinal. “Em nosso país, não temos problema com calor ou frio, há uma exposição solar bastante interessante ao longo do ano, e as restrições de terreno são pequenas. Temos abundância de água e um know-how agrícola invejável, com instituições como a Embrapa. Então, o Brasil tem, em todos os aspectos, condições de liderar esse processo.”

Ozi destaca que o principal avanço que traz o PL 399/2015 é no regramento para o cultivo e suas variantes, algo que ficou fora da norma RDC 327 da Anvisa, que criou a categoria especial de produtos para o Cannabis medicinal. “Isso traz ao Brasil a possibilidade de ter uma nova economia por meio do plantio da Cannabis, não só da planta mas também do cânhamo”, diz. “O estudo liderado pelos deputados (Luciano) Ducci e (Paulo) Teixeira foi a fundo na questão. Eles visitaram países como Colômbia, Uruguai e Canadá e levantaram na prática quais são as principais questões ligadas ao produto.”

Ele considera que haverá um grande desenvolvimento do setor medicinal, mas outras áreas como a da indústria cosmética e da alimentícia também serão altamente beneficiadas, uma vez que os setores passarão a ter acesso, por meio da semente da Cannabis, a uma proteína de altíssima qualidade, rica em ômegas 3 e 6. Assim, haverá produtos disponíveis em áreas que não existem atualmente pelo fato de o cultivo ser proibido. “O pouco que existe hoje (no mercado) é importado. Agora teremos a possibilidade de ter uma indústria local se desenvolvendo.” 

Jaime Ozi, da OnixCann, diz que Brasil terá a possibilidade de ter uma nova economia, com produtos de qualidade e alto valor agregado (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Ele prevê que se o processo de liberação e plantio da Cannabis medicinal e do cânhamo for bem desenvolvido, possibilitará o desenvolvimento de uma agricultura familiar com alto valor agregado. Isso deverá gerar de um lado emprego, e de outro impostos para o governo. “Haverá um forte impacto social na geração de emprego e na maior fixação dos trabalhadores no campo”, destaca ele, lembrando que atualmente há um problema de baixa capacidade de valor agregado na produção agrícola em culturas de larga escala como soja e milho. Isso será diferente no caso da Cannabis. “Com pequenas áreas na agricultura familiar, vamos produzir um produto de alta qualidade e de valor agregado.”

Já para Werner Buff, advogado especialista em direito empresarial e chefe de assuntos legais da Verdemed, a aprovação e sanção do PL 399/2015 irá mudar não só o consumo e modo de acesso a produtos de saúde por parte dos pacientes que necessitam desses tratamentos, mas também no modo como a indústria se comporta. “Será criada uma indústria totalmente nova, com vários players”, projeta. 

Para Werner Buff, da Verdemed, haverá mudanças no consumo, no modo de acesso a produtos de saúde e também na forma como a indústria se comporta (Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)

Na união europeia o cultivo da Cannabis já é regulamentado. Os EUA têm uma regulamentação por estado e caminham para uma regulação federal. Todos os países da América Latina têm regulamentações, onde já há uma indústria relativamente madura acontecendo. “Estaremos inseridos num mercado que já é global, que existe em diversos lugares, em diferentes níveis de maturidade. Isso permitirá que o Brasil possa fazer negócios com outros países, seja exportando matéria prima, seja exportando ou importando produtos semiacabados ou acabados, entrando nessa cadeia global da Cannabis medicinal.”

Buff elogiou a condução dos deputados Luciano Ducci (PSB/RS) e Paulo Teixeira (PT/SP) na formulação do substitutivo ao projeto 399/2015, respectivamente relator e presidente da Comissão Especial sobre Medicamentos Formulados com Cannabis, por terem ouvido todos os atores envolvidos no tema, como a indústria de modo geral –  incluindo a farmacêutica e a industrial -, os pacientes e os consumidores. “É um projeto muito centrado e equilibrado. Acho que para o momento que vivemos, é um projeto bastante redondo para as necessidades do Brasil e dos pacientes que consomem esses produtos. O presidente e o relator fizeram um trabalho espetacular.”

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