Eduardo Faveret
Neurologista Eduardo Faveret discute casos clínicos de pacientes em tratamento com produtos com maior concentração de THC.

Um dos principais nomes da medicina canabinoide do Brasil, o neurologista Eduardo Faveret ainda vê muita desinformação sobre o assunto em sua experiência clínica. “A pessoa está tomando um óleo full spectrum que predomina THC e fala que está tomando canabidiol.”

Apesar da ciência já ter demonstrado os benefícios da atuação conjunta dos fitocanabinoides e terpenos, parte dos médicos ainda insistem em uma visão reducionista da Cannabis. Como se apenas o CBD possuísse propriedades medicinais. Resta ao delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), responsável pelo efeito psicotrópico da planta, o papel de vilão.

“O THC é um produto com algumas potencialidades terapêuticas bem importantes, mas encontra resistência por parte dos pacientes, preconceito por parte dos médicos”, afirma Faveret. “É o que encontra mais efeito adverso também, em determinado grupo de pessoas, que são mais sensíveis.”

Quebrando o tabu

Para o neurologista, é preciso estabelecer uma discussão livre de ideologias, baseada em evidências científicas e experiência clínica, para discutir o papel do THC. É com esse objetivo que ministra a masterclass “Aspectos práticos na prescrição de produtos com maior teor de THC”. Evento gratuito e online organizado pela plataforma CanteraMed, no dia 25 de fevereiro, às 20h. 

“Vou falar sobre a relação entre o canabidiol e o THC. Como eles combinados podem aumentar a eficácia e melhorar a tolerabilidade do tratamento”, explica. “Vamos aprofundar sobre o uso clínico na atualidade. Casos de câncer, dor crônica, insônia, epilepsia, entre outros. De forma bem prática, vamos falar de associações com outros remédios, doses, prescrição. Falar sobre efeito colaterais, como reconhecê-los e evitá-los.”

Como uma prévia sobre o tema, Faveret afirma que só prescreve produtos sem THC em situações específicas, em que o paciente demonstra alguma intolerância. “Os óleos de CDB full Spectrum (que contém todos os componentes da planta) é mais potente em efeito contra dor, anti-inflamatório, anti convulsivo, anti câncer, ansiolítico, para insônia”, conta.

“Para todas as indicações, o full spectrum é mais potente. Sendo mais potente, você tem o potencial de reduzir custos. O preço é o mesmo, mas um você vai precisar de metade da dose. Além do fato de que vai atender melhor a necessidade da pessoa.”

Como fazer o tratamento com THC

O médico, porém, faz um alerta. Como ainda são escassos os exames diagnósticos para avaliar a situação do sistema endocanabinoide do paciente, e sua velocidade de metabolização, o ideal é introduzir lentamente o THC no tratamento do paciente.

“Vai depender da farmacocinética e farmacodinâmica do paciente. A velocidade de metabolização dele no fígado, e como é a parte do alvo receptores  na neuroquímica da pessoa”, diz Faveret. 

“Se o paciente já experimentou THC e teve taquicardia, passou mal, ai começo com CBD isolado. Depois, dependendo da necessidade, vai associando um full spectrum”, explica. “Assim tem uma elevada proporção de CBD para THC. Digo que o paciente já forrou a cama, pois o canabidiol protege contra as reações adversas do THC. Anula efeito psicoativo, evita paranoia, transtorno cognitivo, evita o aumento exagerado do apetite.”

O neurologista conclui: “Se os médicos já têm dificuldades de prescrever canabidiol, imagina o THC. Algumas áreas têm alguns médicos que prescrevem, principalmente em casos oncológicos, mas essencialmente a comunidade médica ainda tem bastante receio de prescrever produtos com THC.”

Serviço

Masterclass “Aspectos práticos na prescrição de produtos com maior teor de THC”
Quando: Quinta-feira, 11 de março, às 20h
Inscrições gratuitas em https://onixcann.canteramed.com/masterclass-dr-eduardo-faveret

Médico hematologista, Dr. Cristiano Fernandes compartilha sua experiência no uso de THC em pacientes oncológicos

Em seu trabalho como hematologista oncológico, o doutor Cristiano Fernandes lida diariamente com todas as complicações que os pacientes com câncer podem ter. Dor, ansiedade, perda de apetite, náusea e vômito. Consequência da própria doença e do tratamento com quimioterapia. Nesses casos, a experiência lhe mostrou os benefícios da Cannabis.

Mas não só o CBD, o canabidiol, cada vez mais popular entre na medicina. Boa parte do seus resultados é devido ao uso do famigerado THC. “Isso precisa ser desmitificado. Muita gente acha que é só CBD, mas o THC pode ser útil sim”, afirma o médico hematologista do Centro de Combate ao Câncer SP e da Unidade de Terapia Intensiva Onco/Hematológica Hospital Nove de Julho.

Fernandes vai compartilhar seu conhecimento e experiência, gratuitamente e online, com médicos de todo Brasil, na Masterclass “O papel do THC no tratamento com a Cannabis Medicinal”, oferecida pela CanTeraMed, no dia 3 de fevereiro, às 20h.

“A maioria do trabalhos com Cannabis no mundo é com THC. Só recentemente o CBD tomou a importância, pois não tem o componente euforizante”, conta Cristiano Fernandes. “O THC é o canabinoide é o menos usual pela dificuldade de você ter para prescrever para os pacientes. A gente vai falar sobre os riscos, segurança, trabalhos atuais, conhecimento atual do THC, indicações. Ou seja, onde ele pode ser útil na medicina.”

Segundo o médico, que também é diretor da OnixCann e co-responsável pela compilação dos protocolos institucionais envolvendo canabinoides da Plataforma CanTera, se bem utilizado, o THC pode fazer o que nenhum outro remédio faz por seus pacientes. 

“Dentro do contexto geral, é uma medicação bastante segura do ponto de vista clínico. A gente prescreve com tranquilidade opioides para dor. Morfina, oxicodona, que podem levar ao óbito se mal usadas. Uma overdose de opioide pode ser fatal, enquanto não tem relato nenhum de overdose fatal de THC, garante Fernandes. 

“Ele não tem nenhum papel oncológico. Não reduz tumor, mas ajuda o paciente naquilo que não tem medicação. Não existe medicação para o bem estar. A Cannabis entra nesse cenário”, complementa o hematologista. “Um conjunto de drogas que auxilia na qualidade de vida do paciente. Hoje a gente não tem nenhuma medicação que sozinha ou em combinação que faça isso tão bem quanto o THC e CBD.” 

Interessados podem fazer a inscrição para participar na Masterclass: “O papel do THC no tratamento com a Cannabis Medicinal”, com o Dr. Cristiano Fernandes. A palestra acontece na quarta-feira, 3 de fevereiro, às 20h. 

Matéria veiculada em 20 janeiro de 2021 no Portal Cannabis & Saúde https://www.cannabisesaude.com.br/masterclass-papel-thc-cannabis-medicinal/

Na Masterclass do dia 25 de novembro, o neurocirurgião Dr. Pedro Pierro deu dicas práticas para médicos prescreverem Cannabis com segurança, inclusive explicando como calcular as doses.

Um dos prescritores mais experientes do Brasil, o neurocirurgião funcional Pedro Pierro Neto ministrou no último 25 de novembro, quarta-feira, a aula online “Aspectos clínicos da medicina canabinoide. Uma visão prática para o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal”.

Na vídeo-aula, que teve a apresentação de Jaime Ozi, Pierro transmitiu o conhecimento adquirido em estudos, pesquisas e prática clínica de cinco anos com o medicamento. Foi uma aula gratuita, destinada aos colegas da área de saúde. 

O objetivo da iniciativa é ampliar a oferta de informação e estimular o crescimento do número de médicos prescritores. Hoje, pouco mais de mil médicos prescrevem em um universo de 500 mil profissionais brasileiros. 

Um dos médicos pioneiros no tema, Pedro Pierro descobriu os benefícios da planta graças à insistência dos pais de uma criança com epilepsia e já teve sua história contada aqui no Cannabis & Saúde. Hoje, ele é um dos principais pesquisadores e divulgadores da Medicina Canabinoide.

Confira a seguir alguns pontos da aula.

Introdução – Cannabis

  • Uma das primeiras plantas a serem domesticadas pela humanidade, conhecida há 12 mil anos;
  • Uma das cinco plantas sagradas da China;
  • Sistema endocanabinoide – controla a comunicação da célula pré-sináptica, que avisa a célula pós-sináptica do que precisa ser feito. É o sistema que permite que uma mesma dose de medicamento seja usada para doenças diferentes.

Três tipos de extratos

  • Full spectrum – extrato completo com todos os canabinoides da planta, que precisam manter um padrão e têm efeito entourage (onde todos os canabinóides agem em conjunto);
  • Espectros isolados – apenas com um canabinoide, geralmente o CBD. Muito aplicável para pessoas que têm sensibilidade ao THC, ou com profissões como atletas e motoristas;
  • Espectro ampliado (broad spectrum) – com dois ou mais canabinoides, e não todos. 

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Vias de administração

Forma mais comum de administração, é geralmente a absorção sublingual para ação mais rápida.

  • Oral – tinturas, spray, gotas sublinguais
  • Efeito entre 1 a 15 minutos;
  • Duração de 2 a 9 horas;
  • Biodisponibilidade: 1 a 13% 

Tópicos – cremes, balms, pomadas

Indicados para dor em geral, dores articulares e muito usados nas práticas esportivas como atletismo, UFC e golfe.

  • Efeito imediato a poucos minutos;
  • Duração 30 minutos a 3 horas;
  • Biodisponibilidade – não aplicável, não entra na corrente sanguínea.

Supositórios

Indicados para doenças inflamatórias intestinais, crohn, síndrome do intestino irritável, câncer de útero e tudo o que se refira a doenças pélvicas.

  • Efeito 15 minutos ou menos;
  • Duração de até 12 horas;
  • Biodisponibilidade: de 13 a 67%.

Inalatórios

Indicado para momentos de resgate para dores e crises convulsivas, se difere de fumar Cannabis por não envolver a combustão.

  • Efeito – imediato a 5 minutos;
  • Duração – 45 minutos a 3 horas;
  • Biodisponibilidade de 10 a 25%.

Comestíveis

Normalmente feitos só com CBD, para evitar intoxicação.

  • Efeito – de 1,5h a 2 horas;
  • Duração 6 a 9 horas;
  • Biodisponibilidade de 5 a 20%.

Por que óleos são a forma mais comum?

Por vários motivos: canabinoides são lipossolúveis; mais econômicos; doses são fáceis de ajustar; permite diferentes proporções de canabinoides; têm bom prazo de validade; e podem ser misturados a outros produtos.

Dose

Doses máximas:

  • CBD: até 20mg/kg/dia entre duas a três tomadas, mas não se chega a essa quantidade, porque só se prescreve o que o paciente precisa;
  • THC – devido ao efeito psicoativo, deve ser usado com moderação – quanto mais CBD, menos efeito psicoativo do THC.
  • Doses são individualizadas;
  • Curva de U invertido ou efeito sino – nem sempre nosso melhor efeito terapêutico está na maior dosagem. Depois de atingir o ápice, ou o melhor resultado, aumentar a dose significará a perda da ação. Quando isso acontece, pode-se voltar à dosagem anterior. 

Esse eixo caminha ao longo do tempo como com qualquer medicamento, pedindo aumento de dosagem. “Não é quanto vou dar, mas o quanto o paciente precisa”, diz Pierro. 

Exemplos práticos do Dr. Pedro Pierro

Quando prescrever gotas é importante saber quanto vale um mililitro (ml), e, portanto, quanto vale a sua gota:

  • Provacan 600 em 10ml são 60ml por ml, portanto, 3 mg por gota;
  • Provacan 1200 em 10ml são 120mg por ml, portanto, 6mg por gota.

Na linha MP da MGC, com THC: 

No exemplo, o óleo 1:1 (proporção igual de CBD e THC) de 25mg/ml: 1ml tem 0,75mg de CBD e THC por gota.

Pierro alerta que, mesmo ciente da quantidade de canabinoides que o paciente ingere por gota, e começando com pequenas doses, os resultados podem não ser os esperados. Por isso, em alguns casos como aplicação de doses maiores de THC em crianças ou idosos, ele prefere usar os testes genéticos. Tanto condições como epilepsia infantil como Alzheimer têm sintomas cognitivos e comportamentais, e é importante saber manipular CBD e THC para não causar psicose nos pacientes. 

Os testes disponíveis no Brasil são o californiano Strain e o brasileiro MyCanabis Code. 

Pierro mostrou em detalhe os dois testes, e como fazer a leitura das informações.

Também reforçou que a dose é sempre individualizada, por isso o ideal é começar com doses baixas e subir progressivamente. O período de avaliação também varia, e é de 3 a 14 dias, com subidas de 10 a 30%.

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Em diversos derivados de CBD, você vai encontrar um selo escrito “testado por laboratório independente”. O que isso quer dizer? Que existe um controle de qualidade comprovado para esse fitoterápico, através de uma análise imparcial do produto. Saiba por que os testes de laboratórios são importantes.

Cada vez mais comuns, os testes de terceiros, feitos de forma imparcial, impulsionam marcas a garantir a qualidade de seus produtos e oferecem mais segurança ao usuário.

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Não existe uma lei que obrigue as marcas hoje disponíveis no mercado passarem por testes de laboratórios que atestam a qualidade, mas a verificação do produto por um outro laboratório gera mais confiança no usuário. É a certeza de que o produto está dentro de especificações que geram segurança no seu uso.

Qualidade alterada

Como não há regulamentação do mercado de produtos de CBD e nem obrigatoriedade de testes, podem haver descuidos na plantação, extração e no processamento que alteram a qualidade do produto final, tais como o cultivo da planta num solo contaminado, a presença de produtos químicos contaminantes, maior quantidade de THC do que o descrito no rótulo e, o mais comum, menos CBD do que o prometido.

Num estudo de 2017, de 84 produtos testados, 70% deles tinha uma quantidade de CBD diferente da descrita no rótulo. Isso significa que o paciente pode não estar recebendo o tratamento correto para o sue problema.

O que precisa ser avaliado nos testes de laboratórios

Existem atributos indispensáveis que devem ser analisados numa amostra:

Perfil canabinoide | É o principal teste de pureza e potência. Ele mede os canabinoides ativos nessa amostra. Os dois principais canabinoides preocupantes são o CBD e o THC. Com o cânhamo industrial, esses níveis precisam estar abaixo de 0,2%, segundo resolução da Anvisa. Além disso, se os níveis de THC forem muito altos, o produto pode se tornar psicoativo.

Terpenos | Criados pelos tricomas das plantas, os terpenos são compostos pequenos e voláteis e fornecem aroma à planta, além de ajudarem na absorção dos canabinoides pelo organismo e terem efeitos terapêuticos auxiliares (relaxantes musculares, sedativos, estimulantes e muitos outros).

Solventes residuais | São utilizados quando os compostos ácidos e os canabinoides são extraídos do material vegetal. O protocolo e um método que assegurem qualidade na extração garantem um produto limpo, sem contaminação.

Hoje em dia, muitos fabricantes usam novas tecnologias que descartam o uso de solvente.

Contaminantes biológicos | Este teste mostra se o vegetal é puro ou contaminado por fungos, parasitas ou bactérias. Se o produto final estiver contagiado, pode desencadear alergias e outros danos no usuário.

Análise de metais pesados | O vegetal faz o processo de biorremediação – qualquer coisa que estiver na terra será absorvida pelas raízes da planta e depois concentrada em seu caule e folhas, tanto nutrientes, quanto metais pesados que podem existir em solos contaminados.

Os quatro grandes contaminantes são arsênico, cádmio, chumbo e mercúrio.

A importância de usar produtos testados

Os testes de laboratório são essenciais, pois não só demonstram integridade e transparência da marca, mas também podem apontar problemas que devem ser resolvidos antes do produto chegar ao consumidor.

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Com a nova resolução de 2019, espera-se uma série de possibilidades de exploração econômica de produtos derivados da Cannabis, como a importação, fabricação e venda. Teremos um aquecimento muito rápido no mercado de canabinoides no país muito em breve, o que por um lado é positivo, mas por outro, sem um controle sobre a qualidade dos produtos, os usuários podem ficar expostos a todo tipo de mercadoria.

Com a aprovação de um laboratório imparcial, que não pertence à marca e que não teria nenhum motivo para camuflar os resultados, o usuário fica menos exposto a produtos de qualidade inferior, contaminados ou que possam causar reações adversas. Portanto, leia sempre o rótulo e compre produtos testados.

Os tipos de testes de laboratórios 

Existem alguns métodos para testar as qualidades descritas anteriormente:

A Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) é uma técnica analítica que pode revelar informações estruturais sobre moléculas orgânicas e inorgânicas. Os núcleos magnéticos de isótopos específicos são alinhados por um forte ímã externo e então perturbados por uma onda de rádio. Essa energia externa aplicada à molécula é absorvida, e o núcleo perturbado é dito “em ressonância”.

A freqüência de ressonância é observada como energia reemitida e está relacionada às relações de identidade, quantidade, posição e relações intra-moleculares, identificando assim a composição da amostra e quantidades de cada um dos compostos.

espectrometria de massa ou teste de MS (Mass Spectometry) é uma técnica analítica na qual moléculas em uma amostra são convertidas em íons em fase gasosa, que são, na sequência, separados no espectrômetro de massas de acordo com sua razão massa (m) sobre a carga (z), m/z. O espectro de massa é um gráfico que mostra a abundância (intensidade) relativa de cada íon que aparece como picos com m/z definidos, assim intensificando os compostos individuais na amostra.

reação em cadeia da polimerase (PCR) é uma técnica rotineira e com custo baixo de laboratório usada para fazer muitas cópias (milhões ou bilhões) de uma região específica do DNA. Ele cruza dados do DNA encontrado na prova com outros padrões conhecidos, para encontrar, por exemplo, bactérias e fungos.

O teste mais utilizado, entretanto, é o CLEA (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência) ou HPLC (High performance liquid chromatography)

A primeira parte deste método é a tecnologia de separação. A segunda parte é a tecnologia de detecção, onde é utilizada luz ultravioleta. Nesse tipo de teste, separam-se moléculas por meio de uma técnica chamada cromatografia.

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Numa primeira fase, a amostra é dissolvida em uma solução solvente (geralmente, etanol). Na segunda fase, chamada de fase estacionária, utiliza-se pressão para separar as moléculas.

Elas saem do tubo de ensaio por um minúsculo orifício. As menores e mais pesadas movem-se primeiro. São analisadas de acordo com seu tamanho e densidade. Conforme saem, passam por um detector de luz UV e também são avaliadas por sua capacidade de absorção da luz. São então comparadas com padrões já computados de canabinoides para determinar a quantidade de cada composto.

Dr. Pedro Pierro

O neurocirurgião funcional Dr. Pedro Pierro Neto é um dos médicos pioneiros em estudar e prescrever a Cannabis medicinal no Brasil. 

A história dele já foi contada no Portal Cannabis & Saúde: ele descobriu os benefícios da planta graças à insistência dos pais de uma criança com epilepsia. Hoje, é um dos principais pesquisadores e divulgadores da Medicina Canabinoide.

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Um dos maiores desafios para a Cannabis chegar a mais pacientes no Brasil é que cresça o número de médicos prescritores: até hoje pouco mais de mil médicos prescrevem em mais de 500 mil profissionais.

Por isso, na próxima quarta-feira (25/11) às 20h, Dr. Pierro irá ministrar uma masterclass sobre o assunto voltada justamente aos médicos – e totalmente gratuita. A aula se chamará “Aspectos clínicos da medicina canabinoide. Uma visão prática para o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal”.

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Sobre o Dr. Pedro Pierro Neto

Dr. Pedro Pierro é especialista em dor, transtornos de movimentos, epilepsia, cirurgia psiquiatra. Formado pela Universidade Iguaçu do Rio de Janeiro, com especialidade em Neurocirurgia e subespecialidade em funcional e dor.

Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – SBN, da Sociedade Brasileira para Estudo de Dor – SBED e da Sociedade Interamericana de Cirurgia Minimamente Invasiva de Coluna Vertebral. Coautor do livro Tratador de Dor volume 1 e 2.

Atualmente o Dr. Pedro Pierro, é um dos principais estudiosos sobre o tratamento com Cannabis para fins Medicinais, prescritor há mais de 6 anos e participante de congressos e cursos no Brasil e no mundo como educador.

DATA E HORA
25 de novembro | 20h00

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IMPORTANTE: Somente inscritos poderão participar. O link para assistir a masterclass será encaminhado para o e-mail cadastrado assim que realizada a inscrição.

Estudo mostrou que a substância extraída da maconha aumenta níveis de peptídeo conhecido por reduzir inflamações no organismo.

Cientistas da Universidade Augusta, nos Estados Unidos, já haviam descoberto que o canabidiol (CBD), substância extraída da Cannabis, pode ajudar a reduzir os danos no pulmão causados pelo coronavírus. E em um novo estudo publicado na quinta-feira (15) pelo Journal of Cellular and Molecular Medicine, os pesquisadores explicam que a substância permite um aumento nos níveis de um peptídeo natural chamado apelina, que reduz inflamações. As informações são da revista Galileu.

A apelina é produzida por células de diversas partes do corpo: coração, cérebro, pulmão, sangue e tecido adiposo. É uma reguladora importante da pressão arterial e inflamação. Quando a pressão fica alta, os níveis de apelina aumentam, ajudando a baixá-la.

Conforme explicam os pesquisadores, o peptídeo supostamente faz o mesmo para ajudar a normalizar os aumentos significativos na inflamação nos pulmões e as dificuldades respiratórias associadas à síndrome de dificuldade respiratória do adulto (SDRA).

“Idealmente, com SDRA, (o nível de apelina) aumentaria em áreas dos pulmões onde é necessário melhorar o fluxo de sangue e oxigênio para compensar e proteger”, explicou Babak Baban, um dos estudiosos, em comunicado à imprensa.

No entanto, durante as observações realizadas pela equipe em roedores, isso não aconteceu: os animais receberem canabidiol.

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“O CBD quase trouxe (o nível do peptídeo) de volta ao normal”, relata Jack Yu, coautor da investigação.

Segundo os pesquisadores, a apelina tem muito em comum com a enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), que tem papel crucial na infecção das células pelo novo coronavírus. Além de estarem presentes em muitos tipos de tecidos em comum, ambas trabalham juntas para controlar a pressão arterial.

O problema é que o Sars-CoV-2 diminui os níveis de ACE2, reduzindo assim a apelina no organismo. Os pesquisadores ainda não sabem bem como isso acontece, mas a descoberta ajudou a compreender melhor como o CBD produz os efeitos benéficos observados nos camundongos.

Agora, a equipe pretende continuar estudando o mecanismo em humanos para entender se o canabidiol realmente pode ser eficaz contra os estragos causados pelo novo coronavírus.

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Apesar de não prescrito no Brasil para casos de osteoporose, o fitoterápico já é utilizado em outras partes do mundo para esse fim. Um estudo da Universidade de Edinburgh, na Escócia,  mostra que o sistema endocanabinoide é importante na regulação do metabolismo ósseo.

Osteosporose tratada com Cannabis Medicinal

A osteoporose é uma doença que enfraquece gradualmente os ossos e cujo nome se traduz, literalmente, como “ossos porosos”. Afeta 200 milhões de pessoas no mundo e pode ser incapacitante.

A doença aparece quando a formação do osso não é adequada e há deficiência de cálcio e vitaminas ou quando os ossos sofrem um desgaste excessivo. 

Essa deterioração pode ocorrer por alguns fatores: diminuição de hormônios, uso contínuo de alguns tipos de medicamentos, tabagismo, consumo de álcool, existência de algumas doenças específicas, e, finalmente, o desgaste natural.

Osteoporose. O que é a doença

“O osso corresponde à maior porção de tecido conjuntivo do corpo. Contém células que fabricam e mantém a matriz extracelular. Ela está fisiologicamente mineralizada com microcristais de fosfato de cálcio, que possuem carbonato”, explica o Dr. Thiago Bitar Moraes Barros, reumatologista.

Ou seja: os ossos estão preenchidos de cálcio, que os mantém densos e fortes. 

“Durante toda a vida eles se encontram em regeneração constante, como consequência de um processo conhecido como remodelação óssea”, continua.

Quer dizer que o tecido ósseo antigo é continuamente destruído e um novo é formado em seu lugar. A remodelação permite que os tecidos já gastos ou que tenham sofrido lesões sejam trocados por novos e sadios.

Cada parte do corpo tem um tempo diferente de remodelação. Por exemplo: as partes extremas do fêmur são substituídas a cada 4 meses; já os ossos da mão são completamente modificados todo o tempo. Esse processo também permite que o osso sirva como reserva de cálcio para o corpo.

Mas a doença modifica essa ação: “Na osteoporose há uma alteração da sequência de remodelação óssea; a reabsorção óssea é maior que a formação, aumentando a perda de massa óssea e o risco de fratura”, esclarece Bitar.

Por esse motivo, pacientes que têm osteoporose demoram mais para se recuperar de fraturas.

A quem atinge

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), depois dos 50 anos de idade, cerca de 30% das mulheres e 10% dos homens apresentam osteoporose. Geralmente se descobre a doença a partir de uma exame de densitometria óssea, que mede a massa do osso. Muitas vezes o exame é feito após uma fratura.

A densidade óssea aumenta até os 30 anos de idade e posteriormente começa a cair. Entre os 30 e os 80 anos, o cálcio total diminui aproximadamente 20%, porém esta queda é maior nos ossos da coluna, podendo chegar a 60%.

A herança genética determina em 80% o nível máximo de massa óssea que um indivíduo alcança na vida, assim como a taxa de perda da mesma. Pessoas de etnia negra possuem maior densidade óssea, alcançam maior massa óssea e a taxa de perda é menor se comparada com pessoas brancas e asiáticas.

Fraturas e outros sintomas da Osteoporose

A osteoporose provoca 2,4 milhões de fraturas todos os anos no mundo e atinge 10 milhões de brasileiros.

As fraturas, ao mesmo tempo que são um dos piores sintomas, levam ao maior número de diagnósticos, pois geralmente é a partir de um acontecimento atípico como esse que se parte para um exame mais detalhado.

Consequentemente, devido a descalcificação progressiva, que é um dos indicativos da enfermidade, os ossos tornam-se mais frágeis, por isso são mais suscetíveis a quebras. O fato da doença ser mais comum em pessoas de idade avançada aumenta as chances desse tipo de acidente acontecer.

Geralmente, durante uma queda ocorre uma contratura muscular que faz com que a força do impacto seja distribuída por uma superfície maior, o que preserva a segurança dos ossos.

Entretanto, nos idosos, a força muscular e a velocidade de reação estão menores, o que provoca uma alteração neste mecanismo de proteção ao osso, deixando-o mais exposto e sujeito à quebras.

Tipos mais comuns de fraturas

A osteoporose afeta de maneira diferente homens e mulheres, além disso, há ossos com maiores índices de fratura:

  • As fraturas por compressão vertebral acometem 20% das mulheres pós-menopausa
  • As fraturas de bacia aumentam exponencialmente após os 50 anos nas mulheres e 60 nos homens
  • Um terço de todas as mulheres com mais de 80 anos já sofreram uma fratura de bacia
  • São comuns as fraturas das vértebras por compressão, o que leva a problemas de coluna e à diminuição da estatura
  • Os punhos também são facilmente focos de quebras, pois num reflexo, leva-se as mãos a frente do corpo durante a queda. A maior incidência é em mulheres na pós menopausa

Além das fraturas, a enfermidade pode causar dor nas articulações, encurvamento da coluna e diminuição da altura em até três centímetros.

Tratamentos para a Osteoporose

Para quase todos os casos de osteoporose, são indicados atividade física, fisioterapia, vitamina D e medicamentos específicos.

Mas segundo Bitar, “para o tratamento correto da osteoporose é necessário entender o processo de remodelação óssea”. Ele acrescenta que “idealmente a terapia deve diminuir a reabsorção de osso impedindo uma maior perda óssea e aumentar a formação óssea”.

Como não existe um tipo de tratamento que ao mesmo tempo iniba a reabsorção de osso e estimule a formação óssea, geralmente o paciente precisa tomar mais de um remédio.

Posso tratar osteoporose com CBD?

Apesar de não prescrito no Brasil para casos de osteoporose, o fitoterápico já é utilizado em outras partes do mundo para esse fim.

Um estudo de 2010 da Universidade de Edinburgh, na Escócia,  mostra que o sistema endocanabinoide é importante na regulação do metabolismo ósseo.

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Em testes feitos em camundongos com deficiência de CB1 e CB2, os principais receptores canabinoides ativados pela Cannabis medicinal, as cobaias apresentaram osteoporose relacionada com a idade como resultado de formação óssea prejudicada e renovação óssea em desequilíbrio.

Ainda não há comprovação científica de que a Cannabis medicinal possa realmente auxiliar os pacientes de osteoporose, mas acredita-se que, como o CBD estimula os receptores citados, consequentemente pode auxiliar no aumento da taxa de regeneração do novo tecido ósseo.

Outra hipótese é a de que o CBD pode auxiliar na prevenção da enfermidade, combatendo algumas de suas outras causas que não o desgaste natural. Por exemplo,  pode ser usado em alguns casos para desmame de corticoide e analgésicos, como auxiliar para abandono do tabagismo, do vicio no álcool, etc.

De qualquer maneira, se optar pelo uso do CBD para a doença, é importante ter um acompanhamento médico e seguir os demais protocolos de tratamento à risca.

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Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/cannabis-medicinal-no-tratamento-de-osteoporose/

Apaixonado pela Cannabis, Hélio Mororó ministrou aula para médicos sobre a planta, incluindo a história medicinal, funcionamento do sistema endocanabinoide, detalhes da farmacologia e aplicabilidade em diversas patologias.

Masterclass com Dr. Hélio Mororó. Tudo o que médicos precisam saber sobre Cannabis medicinal

No Masterclass da última quarta-feira, 14, o médico pernambucano Hélio Mororó Vieira de Mello apresentou a Cannabis medicinal ao público de médicos. Em rápida introdução, falou da história da planta, com sua “descoberta”, hostilização e renascimento. Falou dos principais fitocanabinoides, da farmacologia, aplicações clínicas e da importância da abordagem integrativa na medicina.

Mororó é médico pós-graduado em cardiologia, geriatria, nutrologia, saúde pública e medicina do trabalho. É doutorando em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), professor de Medicina da Universidade Católica de Pernambuco e mestre em Perícias Forenses. Médico há 26 anos, há cinco é estudioso e prescritor de terapia canabinoide. 

Entusiasta da Cannabis, Mororó busca em sua prática “levar conhecimento de qualidade, com embasamento científico e honesto, sem viés político”. Por isso, ele inicia a abrangente aula com a máxima: “Quanto mais estudo, mais me convenço que não sei de nada e que preciso saber mais”. 

História e contextualização

Logo no início, Mororó explicou que a Cannabis é a planta mais antiga de que se tem conhecimento. Os primeiros vestígios foram no Oriente Médio, de onde se espalhou pelo mundo, primeiro pelo leste da Europa e depois até a África, de onde partiu para as Américas.

Ele apresentou registros de pinturas rupestres de até 30 mil anos, indicando que a planta fazia parte de rituais e era usada como medicamento. Citou o exemplo importante da fitoterapia chinesa, o primeiro tratado de medicina feito pelo Imperador Shen Nung: para entrar neste tratado, uma planta precisava ser observada por pelo menos 400 anos, e a Cannabis já fazia parte dele.

Mororó lembrou que os ingleses tomaram conhecimento da Cannabis na Índia, e a rainha Victoria se beneficiou do tratamento para suas enxaquecas e cólicas menstruais. Lembrou ainda que a Cannabis já frequentou os livros de medicina ocidentais, em trabalhos científicos de mais de cem anos atrás, especialmente na América. No Primeiro Manual Merck de prática médica de 1899, aparecia a indicação de Cannabis para doenças neurológicas, digestivas e dor. 

Ruderalis e indica

Cannabis ruderalis e a indica são variações genéticas da Cannabis sativa, ambas muito importantes na história da humanidade. O cânhamo era usado para produzir cordas, roupas, as velas das naus eram de cânhamo. Mororó lembrou do primeiro livro de Johannes Gutenberg, o inventor da imprensa, impressa em papel de cânhamo.

E puxou uma fala de Sidarta Ribeiro: “a Cannabis é o cachorro das plantas”. Explicou que, assim como o cachorro veio da sucessão de cruzamentos a partir do lobo, a Cannabis é a planta com mais manuseio genético de que se tem notícia. Com finalidades específicas, todos os tipos de Cannabis nasceram do cruzamento genético espontâneo.

A grande “descoberta”

Apesar disso, a planta foi hostilizada, execrada e afastada do convívio dos meios médicos, só retornando na década de 60 com Raphael Mechoulan: “foi o renascimento do fitoterápico”.

Mororó falou da descoberta do sistema endocanabinoide, “o maior, mais importante, complexo e completo sistema de homeostase do corpo humano”. É algo ainda recente e pouco citado nos cursos de medicina, apesar do impacto no metabolismo, função imunológica, processos inflamatórios, percepção da dor, sistemas de recompensa, resposta ao estresse, ação motora, crescimento ósseo, alterações do humor, entre outras coisas. 

Mororó explicou as funções do sistema endocanabinoide. Ele facilita a comunicação intercelular entre diversos tipos de célula atuando como sua base, na forma de  impulsos elétricos ou reações bioquímicas. “Com a comunicação certa, o organismo entra em equilíbrio, que é a grande busca da medicina”. 

Apesar da extensa lista de aplicações, Mororó alertou que a Cannabis não é o remédio mágico que vai curar tudo. “É o sistema mágico de informação que, bem cuidado e alimentado, vai dar respostas maravilhosas, voltadas para o bem estar e saúde”.

Assista na íntegra a Masterclass: Sistema endocanabinoide e a Cannabis medicinal. O que todo médico deveria saber.

THC, CBD e os outros fitocanabinoides

Mororó explicou que os fitocanabinoides atuam principalmente junto aos receptores CB1 e CB2, presentes no corpo todo. Acoplados à proteína G, são abundantes em regiões diferentes, mas estão sempre presentes nessa dupla.

CB1

Os receptores CB1 atuam mais no Sistema Nervoso. A esse respeito, Mororó trouxe um número impressionante: são dez vezes mais abundantes no cérebro do que os receptores opioides  (responsáveis pelo efeito da morfina). Além disso, o CB1 tem poucos receptores na função cardiorrespiratória do tronco cerebral, o que faz do tratamento da Cannabis muito seguro, sem riscos de depressão respiratória ao contrário dos receptores opioides. 

O receptor CB1 aparece tanto em neurônios inibitórios quanto em neurônios excitatórios. De acordo com Mororó, sabendo trabalhar com a substância, é possível tratar tanto paciente super excitado (hiperatividade, autismo, transtorno de déficit de atenção, epilepsia), quanto o inibido (depressão, astenia, fadiga).

CB2

Os receptores CB2 têm grande presença no sistema imunológico e gastrointestinal. E tem uma relação importante entre si: as imunoglobulinas IgAs são produzidas praticamente 100% no sistema digestivo. “Se eu tenho barreira gastrointestinal íntegra, eu tenho menos inflamação, menos estímulo constante e desencadeio menos patologias”. 

Aplicações

Sem esconder seu encantamento com a Cannabis, Mororó resume a atuação da planta da seguinte maneira: moduladora de inflamações, dor, resposta imunológica. A Cannabis é um medicamento com ampla gama de possibilidades na economia metabólica. Atua no sistema cardiovascular, respiratório, ósseo, reprodutivo, no fígado, nos rins, nos olhos.

As aplicações são vastas: doenças autoimunes, infecções (como o coronavírus), mediação de patologias alérgica (asma, dermatite atópica, psoríase). E não para por aí.

A Cannabis modula expressão gênica, ou seja, mexe no DNA. Na oncologia, atua na modulação da informação genética de células oncológicas, sendo ferramenta para usar menos quimioterapia e radioterapia. O resultado, segundo Mororó, é que ela modula os efeitos colaterais e cria ambiente favorável para a economia metabólica e um ambiente desfavorável para a multiplicação de células cancerígenas.  

Mororó seguiu o raciocínio dizendo que a base de todas as patologias é a inflamação, ou péssimo desempenho das mitocôndrias (mitocondriopatias). O CBD, THC e os demais fitocanabinoides agem na função e arquitetura das mitocôndrias. 

Tratamentos do sistema nervoso

Mororó explicou que a Cannabis age na comunicação. Diferente de outros neurotransmissores endocanabinoides não há uma reserva de estoque. Precisam ser produzidos sob demanda. O uso de fitocanabinoides estimula este tipo de produção. Assim, consegue-se modular a informação que vai de neurônio a neurônio. “E tem neurônio no corpo todo. O paciente é todo um sistema, em que está tudo interligado”. 

Como professor, Mororó não deixa os alunos esquecerem de que as terapias integrativas têm importante papel: a microbiótica intestinal precisa ser avaliada, às vezes é preciso alterar a dieta.  Doenças neurológicas pedem um paciente hidratado, pelo menos um litro e meio de água por dia. 

Tratamentos do sistema imunológico 

A Cannabis atua com modulação, não com inibição. Isso faz diferença. É necessário um grau de inflamação para movimentar as células de defesa, para vasodilatação e aporte de nutrientes. Mas quando a inflamação vira patologia, precisa de controle para redução da da dor. Mororó explicou que gosta da substância amiloide, responsável por destruir neurônios velhos. Quando produzida em excesso, ou “sai destruindo tudo”, é nociva. E a Cannabis modula essa resposta. 

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Farmacologia do sistema endocanabinoide

Uma vantagem fundamental da Cannabis é seu nível de toxicidade baixíssimo. Segundo o Drug Enforcement Administration (DEA) americano, é mais segura que Aspirina. 

Mororó destacou esse fato durante a aula, para em seguida apresentar os tipos básicos de extratos, que compõem uma medicina especializada para cada indivíduo: 

  • Full spectrum – com todos os canabinoides da planta, apresenta o efeito entourage por ser mais completo, mas pode ser menos específico;
  • Extrato isolado – com apenas um canabinóide. Mororó ensina que, se for só com CBD, qualquer pessoa pode tomar, e atua como analgésico e anti-inflamatório. Ele lembra que o extrato isolado de CBD é liberado pelas Ligas Americanas de Basquete e de Futebol;
  • Extrato de espectro controlado – na proporção para determinadas patologias. 

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Formas de administração

Respiratório

Embora seja um fato razoavelmente conhecido, Mororó fez questão de ressaltar que a Cannabis não é aspirada fumando, mas por meio de vaporização, uma espécie de nebulização. Essa forma é indicada para dor ou convulsão, em especial nas emergências, por seu efeito rápido.

  • Efeito imediato a 5 minutos;
  • Duração do efeito: de 45 min a 3h.

Oral 

  • Efeito de 1m a 15 min;
  • Duração do efeito: de 2 horas a 9 horas.

Do ponto de vista médico, Mororó classificou o modo oral como o mais fácil de administrar, porque permite ajustes na dosagem por de gotas. Ele apontou a possibilidade de, depois de ajustado o tratamento, usar em forma de cápsula por ter sabor mais neutro. Como a absorção se dá pelo trato gástrico, a biodisponibilidade é maior e com efeito mais duradouro. 

Supositório

Apesar do preconceito com esta forma de administração, Mororó argumentou que é uma excelente opção para pacientes com dificuldades de deglutição. Além disso,por ser uma área altamente vascularizada, permite absorção eficaz e rápida.

  • Efeito em 15 minutos;
  • Duração do efeito de até 12 horas.

Tópicos

  • Aplicações: pancadas, psoríase, dermatite atópica, câncer de pele;
  • Efeito imediato;
  • Duração do efeito: de 30 minutos a 3 horas;
  • Sem biodisponibilidade sistêmica.

Aplicabilidade da Cannabis

Mororó apresentou um quadro com o resumo dos tratamentos possíveis com Cannabis: 

  • efeitos colaterais de quimioterapia;
  • efeitos anti-oxidantes;
  • efeitos neuroprotetores;
  • efeitos anti-inflamatórios;
  • insônia;
  • ansiedade;
  • psicose;
  • epilepsia;
  • doença cardíaca;
  • diabetes

Toxicidade

Apesar da baixa toxicidade da Cannabis, Mororó explicou que costuma alertar seus alunos médicos sobre as interações medicamentosas. Com exemplos, ressaltou que essas interações precisam ser acompanhadas de perto. E podem resultar em desmame de medicamentos ou melhoria da performance.

É preciso também cuidado com a função homeostática da Cannabis. Ela costuma interagir com a forma de resposta do corpo aos medicamentos, especialmente os listados a seguir:

  • anticoagulantes /  antiagregantes plaquetários
  • barbitúricos e depressores do SNC
  • álcool, paracetamol, anestésicos, teofilina
  • lovastatina, claritromicina, ciclosporina, diltiazem, estrógenos, indinavir
  • cetoconazol, anti-H2, bloqueadores do canal de cálcio, digoxina, corticosteróides, fexofenadina, loperamida

Mensagem final

“No trilho, o trem tem horário certo de sair e de chegar, e você não pode se desviar daquela linha de pensamento”, explicou. Para o médico, a melhor maneira de pensar é como uma trilha: “Uma orientação com flexibilidade para alterar seu caminho. Ir mais rápido, mais devagar, ir para outro lado, fazer pausas”.

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Matéria previamente publicada no Portal Cannabis & Saúde no link: https://www.cannabisesaude.com.br/conteudo-indispensavel-medicos-prescritores-cannabis/

Pesquisadores do Hospital Sírio Libanês e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo publicaram artigo no periódico internacional Frontiers em Oncology revelando que a planta pode ajudar diversas condições clínicas em pacientes com a doença.

A principal função do uso da Cannabis no tratamento do paciente oncológico está em ajudar no manejo da dor, no controle de efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea e vômitos, e controlar a ansiedade e a depressão.

A pesquisa, porém, está em um contexto que estuda o efeito da Cannabis também em doenças neuro degenerativas, auto-imunes, no câncer, nas epilepsias e epilepsias refratárias, no autismo, nas doenças gastrointestinais, na ansiedade, nos distúrbios do sono, na depressão, na recuperação muscular em atletas, na cicatrização óssea relacionada à fraturas e osteoporose, e dores crônicas.

Trata-se de um estudo de caso em que dois pacientes que foram submetidos à quimiorradiação, seguido por um regime de múltiplas drogas (procarbazina, lomustina e vincristina) associado ao canabidiol (CBD).

CLIQUE AQUI e Leia também a matéria Cannabis traz qualidade de vida e economia ao paciente de câncer, destaca oncologista Cid Gusmão.

Ambos os pacientes apresentaram respostas clínicas e de imagem satisfatórias em avaliações periódicas, com aspectos não comumente observados em pacientes tratados apenas com modalidades convencionais.

Um dos pacientes apresentou um quadro exacerbado de pseudoprogressão precoce (PSD), avaliada por ressonância magnética (RM), que foi resolvido em um curto período. O outro apresentou uma acentuada
remissão de áreas alteradas em comparação com os exames pós-operatórios avaliados por ressonância magnética.

Essa observação pode realçar o efeito potencial do CBD em melhorar as respostas à quimiorradiação que afetam a sobrevida. Os pesquisadores, no entanto, alertam que novas pesquisas com mais pacientes e análises moleculares críticas devem ser realizadas.

Os autores do estudo são Paula B. Dall’Stella, Marcos F. L. Docema, Marcos V. C. Maldaun e  Olavo Feher, do Departamento de Neuro Oncologia do Hospital Sírio Libanês e Carmen L. P. Lancellotti, do Departamento de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Para os cientistas, a relação do câncer na melhora do quadro dos pacientes está relacionada ao sistema endocanabinoide, que possui um papel importante em diversas reações bioquímicas do corpo humano. Ele está intimamente relacionado ao nosso processo de homeostase, ou seja, nosso equilíbrio interno. O sistema endocanabinoide é constituído pelos receptores canabinoides, chamados CB1 e CB2, os seus ligantes endógenos, os endocanabinoides e as proteínas envolvidas na sua síntese e degradação.

É como se esse sistema fosse uma comunicação entre o cérebro e o corpo humano. Está envolvido em vários processos fisiológicos, como a modulação de todos os eixos endócrinos, da dor, a regulação da atividade motora, o controle de processos cognitivos, a modulação da resposta inflamatória e imunológica. Além disso, promove ação anti-proliferativa em células tumorais, controle do sistema cardiovascular, entre outros.

Também desempenha também um papel extremamente importante da modulação do apetite, ingestão alimentar e balanço energético, e em órgãos periféricos como o tecido adiposo, fígado, músculo esquelético e trato gastrointestinal.

Fonte:
http://www.fcmsantacasasp.edu.br/wp-content/uploads/2019/02/CASE-REPORT-CLINICAL-OUTCOME-AND-IMAGE-RESPONSE-OF-TWO-PATIENTS-WITH-SECONDARY-HIGH-GRADE-GLIOMA-TREATED-WITH-CHEMORADIATION-PCV-AND-CANNABIDIOL.pdf

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No Dia das Crianças um pool de empresas se reuniram para beneficiar meninos e meninas sem condições econômicas para realizarem o tratamento canabinoide.

Para inaugurar o setor infantil, nesta segunda-feira, 12 de outubro, a unidade paulista do CEC (Centro de Excelência Canabinoide), abre a clínica, batizada de 4Kids, com uma ação especial gratuita.

Ao todo serão beneficiadas dez crianças carentes e que possuem doenças como epilepsia refratária, paralisia cerebral, autismo, TDAH (hiperatividade e déficit de atenção) e Síndrome de West (espasmos infantis).

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São patologias estas que reagem muito bem com o uso do CBD (Canabidiol), por ser um produto com ação anticonvulsivante. As crianças foram previamente selecionadas e muito em breve passarão pelos primeiros atendimentos, feitos diretamente pelo diretor técnico da Clínica, Dr. Pedro Pierro, neurologista e precursor no tratamento com Cannabis medicinal no Brasil.

O processo abrange ainda acesso ao SAC 24 horas para suporte pós-consulta. Além disso, receberão tratamento gratuito durante seis meses, incluindo acompanhamento clínico e os medicamentos. As famílias também contarão com suporte jurídico para buscar acesso continuado ao canabidiol.

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Ao todo seis empresas doaram o tratamento completo para as crianças, são elas: Central Pharma, Terra Cannabis, Korasana, Carmen´s Medical, CanTeraMed uma empresa do grupo OnixCann, The Human´s Secret´s e do Pacto Global das Organizações das Nações Unidas.

Leia matéria à respeito na Folha de São Paulo. CLIQUE AQUI.