Na Masterclass do dia 25 de novembro, o neurocirurgião Dr. Pedro Pierro deu dicas práticas para médicos prescreverem Cannabis com segurança, inclusive explicando como calcular as doses.

Um dos prescritores mais experientes do Brasil, o neurocirurgião funcional Pedro Pierro Neto ministrou no último 25 de novembro, quarta-feira, a aula online “Aspectos clínicos da medicina canabinoide. Uma visão prática para o tratamento de pacientes com Cannabis medicinal”.

Na vídeo-aula, que teve a apresentação de Jaime Ozi, Pierro transmitiu o conhecimento adquirido em estudos, pesquisas e prática clínica de cinco anos com o medicamento. Foi uma aula gratuita, destinada aos colegas da área de saúde. 

O objetivo da iniciativa é ampliar a oferta de informação e estimular o crescimento do número de médicos prescritores. Hoje, pouco mais de mil médicos prescrevem em um universo de 500 mil profissionais brasileiros. 

Um dos médicos pioneiros no tema, Pedro Pierro descobriu os benefícios da planta graças à insistência dos pais de uma criança com epilepsia e já teve sua história contada aqui no Cannabis & Saúde. Hoje, ele é um dos principais pesquisadores e divulgadores da Medicina Canabinoide.

Confira a seguir alguns pontos da aula.

Introdução – Cannabis

  • Uma das primeiras plantas a serem domesticadas pela humanidade, conhecida há 12 mil anos;
  • Uma das cinco plantas sagradas da China;
  • Sistema endocanabinoide – controla a comunicação da célula pré-sináptica, que avisa a célula pós-sináptica do que precisa ser feito. É o sistema que permite que uma mesma dose de medicamento seja usada para doenças diferentes.

Três tipos de extratos

  • Full spectrum – extrato completo com todos os canabinoides da planta, que precisam manter um padrão e têm efeito entourage (onde todos os canabinóides agem em conjunto);
  • Espectros isolados – apenas com um canabinoide, geralmente o CBD. Muito aplicável para pessoas que têm sensibilidade ao THC, ou com profissões como atletas e motoristas;
  • Espectro ampliado (broad spectrum) – com dois ou mais canabinoides, e não todos. 

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Vias de administração

Forma mais comum de administração, é geralmente a absorção sublingual para ação mais rápida.

  • Oral – tinturas, spray, gotas sublinguais
  • Efeito entre 1 a 15 minutos;
  • Duração de 2 a 9 horas;
  • Biodisponibilidade: 1 a 13% 

Tópicos – cremes, balms, pomadas

Indicados para dor em geral, dores articulares e muito usados nas práticas esportivas como atletismo, UFC e golfe.

  • Efeito imediato a poucos minutos;
  • Duração 30 minutos a 3 horas;
  • Biodisponibilidade – não aplicável, não entra na corrente sanguínea.

Supositórios

Indicados para doenças inflamatórias intestinais, crohn, síndrome do intestino irritável, câncer de útero e tudo o que se refira a doenças pélvicas.

  • Efeito 15 minutos ou menos;
  • Duração de até 12 horas;
  • Biodisponibilidade: de 13 a 67%.

Inalatórios

Indicado para momentos de resgate para dores e crises convulsivas, se difere de fumar Cannabis por não envolver a combustão.

  • Efeito – imediato a 5 minutos;
  • Duração – 45 minutos a 3 horas;
  • Biodisponibilidade de 10 a 25%.

Comestíveis

Normalmente feitos só com CBD, para evitar intoxicação.

  • Efeito – de 1,5h a 2 horas;
  • Duração 6 a 9 horas;
  • Biodisponibilidade de 5 a 20%.

Por que óleos são a forma mais comum?

Por vários motivos: canabinoides são lipossolúveis; mais econômicos; doses são fáceis de ajustar; permite diferentes proporções de canabinoides; têm bom prazo de validade; e podem ser misturados a outros produtos.

Dose

Doses máximas:

  • CBD: até 20mg/kg/dia entre duas a três tomadas, mas não se chega a essa quantidade, porque só se prescreve o que o paciente precisa;
  • THC – devido ao efeito psicoativo, deve ser usado com moderação – quanto mais CBD, menos efeito psicoativo do THC.
  • Doses são individualizadas;
  • Curva de U invertido ou efeito sino – nem sempre nosso melhor efeito terapêutico está na maior dosagem. Depois de atingir o ápice, ou o melhor resultado, aumentar a dose significará a perda da ação. Quando isso acontece, pode-se voltar à dosagem anterior. 

Esse eixo caminha ao longo do tempo como com qualquer medicamento, pedindo aumento de dosagem. “Não é quanto vou dar, mas o quanto o paciente precisa”, diz Pierro. 

Exemplos práticos do Dr. Pedro Pierro

Quando prescrever gotas é importante saber quanto vale um mililitro (ml), e, portanto, quanto vale a sua gota:

  • Provacan 600 em 10ml são 60ml por ml, portanto, 3 mg por gota;
  • Provacan 1200 em 10ml são 120mg por ml, portanto, 6mg por gota.

Na linha MP da MGC, com THC: 

No exemplo, o óleo 1:1 (proporção igual de CBD e THC) de 25mg/ml: 1ml tem 0,75mg de CBD e THC por gota.

Pierro alerta que, mesmo ciente da quantidade de canabinoides que o paciente ingere por gota, e começando com pequenas doses, os resultados podem não ser os esperados. Por isso, em alguns casos como aplicação de doses maiores de THC em crianças ou idosos, ele prefere usar os testes genéticos. Tanto condições como epilepsia infantil como Alzheimer têm sintomas cognitivos e comportamentais, e é importante saber manipular CBD e THC para não causar psicose nos pacientes. 

Os testes disponíveis no Brasil são o californiano Strain e o brasileiro MyCanabis Code. 

Pierro mostrou em detalhe os dois testes, e como fazer a leitura das informações.

Também reforçou que a dose é sempre individualizada, por isso o ideal é começar com doses baixas e subir progressivamente. O período de avaliação também varia, e é de 3 a 14 dias, com subidas de 10 a 30%.

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Em diversos derivados de CBD, você vai encontrar um selo escrito “testado por laboratório independente”. O que isso quer dizer? Que existe um controle de qualidade comprovado para esse fitoterápico, através de uma análise imparcial do produto. Saiba por que os testes de laboratórios são importantes.

Cada vez mais comuns, os testes de terceiros, feitos de forma imparcial, impulsionam marcas a garantir a qualidade de seus produtos e oferecem mais segurança ao usuário.

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Não existe uma lei que obrigue as marcas hoje disponíveis no mercado passarem por testes de laboratórios que atestam a qualidade, mas a verificação do produto por um outro laboratório gera mais confiança no usuário. É a certeza de que o produto está dentro de especificações que geram segurança no seu uso.

Qualidade alterada

Como não há regulamentação do mercado de produtos de CBD e nem obrigatoriedade de testes, podem haver descuidos na plantação, extração e no processamento que alteram a qualidade do produto final, tais como o cultivo da planta num solo contaminado, a presença de produtos químicos contaminantes, maior quantidade de THC do que o descrito no rótulo e, o mais comum, menos CBD do que o prometido.

Num estudo de 2017, de 84 produtos testados, 70% deles tinha uma quantidade de CBD diferente da descrita no rótulo. Isso significa que o paciente pode não estar recebendo o tratamento correto para o sue problema.

O que precisa ser avaliado nos testes de laboratórios

Existem atributos indispensáveis que devem ser analisados numa amostra:

Perfil canabinoide | É o principal teste de pureza e potência. Ele mede os canabinoides ativos nessa amostra. Os dois principais canabinoides preocupantes são o CBD e o THC. Com o cânhamo industrial, esses níveis precisam estar abaixo de 0,2%, segundo resolução da Anvisa. Além disso, se os níveis de THC forem muito altos, o produto pode se tornar psicoativo.

Terpenos | Criados pelos tricomas das plantas, os terpenos são compostos pequenos e voláteis e fornecem aroma à planta, além de ajudarem na absorção dos canabinoides pelo organismo e terem efeitos terapêuticos auxiliares (relaxantes musculares, sedativos, estimulantes e muitos outros).

Solventes residuais | São utilizados quando os compostos ácidos e os canabinoides são extraídos do material vegetal. O protocolo e um método que assegurem qualidade na extração garantem um produto limpo, sem contaminação.

Hoje em dia, muitos fabricantes usam novas tecnologias que descartam o uso de solvente.

Contaminantes biológicos | Este teste mostra se o vegetal é puro ou contaminado por fungos, parasitas ou bactérias. Se o produto final estiver contagiado, pode desencadear alergias e outros danos no usuário.

Análise de metais pesados | O vegetal faz o processo de biorremediação – qualquer coisa que estiver na terra será absorvida pelas raízes da planta e depois concentrada em seu caule e folhas, tanto nutrientes, quanto metais pesados que podem existir em solos contaminados.

Os quatro grandes contaminantes são arsênico, cádmio, chumbo e mercúrio.

A importância de usar produtos testados

Os testes de laboratório são essenciais, pois não só demonstram integridade e transparência da marca, mas também podem apontar problemas que devem ser resolvidos antes do produto chegar ao consumidor.

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Com a nova resolução de 2019, espera-se uma série de possibilidades de exploração econômica de produtos derivados da Cannabis, como a importação, fabricação e venda. Teremos um aquecimento muito rápido no mercado de canabinoides no país muito em breve, o que por um lado é positivo, mas por outro, sem um controle sobre a qualidade dos produtos, os usuários podem ficar expostos a todo tipo de mercadoria.

Com a aprovação de um laboratório imparcial, que não pertence à marca e que não teria nenhum motivo para camuflar os resultados, o usuário fica menos exposto a produtos de qualidade inferior, contaminados ou que possam causar reações adversas. Portanto, leia sempre o rótulo e compre produtos testados.

Os tipos de testes de laboratórios 

Existem alguns métodos para testar as qualidades descritas anteriormente:

A Espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) é uma técnica analítica que pode revelar informações estruturais sobre moléculas orgânicas e inorgânicas. Os núcleos magnéticos de isótopos específicos são alinhados por um forte ímã externo e então perturbados por uma onda de rádio. Essa energia externa aplicada à molécula é absorvida, e o núcleo perturbado é dito “em ressonância”.

A freqüência de ressonância é observada como energia reemitida e está relacionada às relações de identidade, quantidade, posição e relações intra-moleculares, identificando assim a composição da amostra e quantidades de cada um dos compostos.

espectrometria de massa ou teste de MS (Mass Spectometry) é uma técnica analítica na qual moléculas em uma amostra são convertidas em íons em fase gasosa, que são, na sequência, separados no espectrômetro de massas de acordo com sua razão massa (m) sobre a carga (z), m/z. O espectro de massa é um gráfico que mostra a abundância (intensidade) relativa de cada íon que aparece como picos com m/z definidos, assim intensificando os compostos individuais na amostra.

reação em cadeia da polimerase (PCR) é uma técnica rotineira e com custo baixo de laboratório usada para fazer muitas cópias (milhões ou bilhões) de uma região específica do DNA. Ele cruza dados do DNA encontrado na prova com outros padrões conhecidos, para encontrar, por exemplo, bactérias e fungos.

O teste mais utilizado, entretanto, é o CLEA (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência) ou HPLC (High performance liquid chromatography)

A primeira parte deste método é a tecnologia de separação. A segunda parte é a tecnologia de detecção, onde é utilizada luz ultravioleta. Nesse tipo de teste, separam-se moléculas por meio de uma técnica chamada cromatografia.

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Numa primeira fase, a amostra é dissolvida em uma solução solvente (geralmente, etanol). Na segunda fase, chamada de fase estacionária, utiliza-se pressão para separar as moléculas.

Elas saem do tubo de ensaio por um minúsculo orifício. As menores e mais pesadas movem-se primeiro. São analisadas de acordo com seu tamanho e densidade. Conforme saem, passam por um detector de luz UV e também são avaliadas por sua capacidade de absorção da luz. São então comparadas com padrões já computados de canabinoides para determinar a quantidade de cada composto.