Casos de depressão e crises de ansiedade devem aumentar durante o isolamento social – única saída para frear a disseminação da Covid-19. E a Cannabis tem se mostrado eficiente no tratamento de doenças mentais

Denise Tamer 

A China, primeiro país atingido pela Covid-19, correu atrás de soluções para dar assistência psicológica aos cidadãos. Psicólogos e psiquiatras abriram canais de atendimento online e publicaram uma série de recomendações.

Era importante. Segundo pesquisadores chineses, o país viveu também uma crise de saúde mental durante a pandemia. Medo da morte e o isolamento social agravaram os problemas.

E o Brasil provavelmente passará pela mesma situação. A psicóloga Jaqueline Azzi alerta para uma piora no número de pessoas que possam desenvolver depressão em 2020. Ou seja, pessoas saudáveis podem apresentar quadros depressivos por conta do isolamento – a única medida comprovadamente efetiva para evitar a rápida disseminação do novo coronavírus.

Não apenas por conta da quarentena. Mas também pelo bombardeamento de notícias que geram medo.

“O medo é um estado de vibração ruim. No corpo físico, o medo baixa a imunidade”, explica Azzi. “Entramos em um estado de defesa que libera hormônios que nos prejudica. E liberados nesta quantidade afetam nossa imunidade.”

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2005 e 2015, a depressão cresceu 18% na população mundial. No Brasil, país com o maior número de casos na América Latina, 6% dos indivíduos sofrem da doença.

Depressão e Cannabis

Remédios à base de Cannabis podem ter efeito mais imediato do que os antidepressivos comuns. E com bem menos efeitos colaterais. Quem diz são os brasileiros Alline Cristina de Campos e Eduardo Junji Fusse.

Em seu estudo, Campos aponta a eficiência do cannabidiol (CBD), mas alerta que as pesquisas ainda são iniciais.

Fusse, em estudo publicado em 2019, afirma que o “sistema endocannabinoide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

Em 2010, o estudo intitulado “Uso terapêutico dos canabinoides em psiquiatria”, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, indica que o canabidiol demonstrou “potencial terapêutico como antipsicótico, ansiolítico, antidepressivo e em diversas outras condições”.

Segundo a publicação, “o sistema canabinoide é um alvo promissor para novas intervenções terapêuticas em psiquiatria”. O método da pesquisa partiu de uma busca e revisão profunda da literatura sobre o uso terapêutico dos canabinoides. Principalmente o CBD e o THC.

Em busca de mais estudos

O psicólogo André Reali Olmos, em conversa com o Portal Cannabis & Saúde, também destaca o fato de que mais estudos devem ser realizados para um uso cada vez mais seguro e crescente da Cannabis em casos de depressão. “Sou a favor e reconheço a potência incrível da Cannabis como medicamento, mas também não podemos romantizar a questão”, conta.

“Cannabis é mais uma tecnologia antiga que foi destratada e que pode sim auxiliar. Pelo fato de ter ficado na ilegalidade, temos que ir atrás das pesquisas para aprofundar nossos conhecimentos e alcançar respostas mais concretas”, defendeu.

Nesta mesma linha, um estudo americano reconhece o potencial terapêutico da Cannabis. “O envolvimento do sistema endocanabinóide na obtenção de efeitos potentes nos processos de neurotransmissão, neuroendócrino e inflamatório, que são conhecidos por serem perturbados na depressão e na dor crônica”.

Ainda assim, “o modo preciso de ação dos endocanabinóides em diferentes alvos no corpo e se seus efeitos na dor e na depressão seguem as mesmas ou diferentes vias”.

Os caminhos para o tratamento da depressão com Cannabis são evidentes e confiáveis, mas para serem abertos ainda é imprescindível mais pesquisas na área.

Dr. Wilson Lessa e Dr. Cristiano Fernandes discutem como controlar e reduzir transtornos como ansiedade e depressão e de que forma o canabidiol pode ajudar nessa luta em evento online gratuito.

Marcus Bruno 

Passado mais de um mês deste isolamento social forçado para conter a propagação do novo coronavírus, uma nova e silenciosa epidemia pode se abater sobre todos nós: os transtornos mentais. A solidão, a incerteza do futuro, sensação de impotência, o risco de ficar sem renda e a perda de familiares e amigos para esta pandemia podem desencadear efeitos colaterais, como ansiedade, insônia, estresse e depressão.

Um artigo publicado na revista Psychiatric Times alerta que as pandemias não são apenas fenômenos médicos: “elas afetam os indivíduos e a sociedade em vários níveis, causando diversas perturbações”. Segundo o artigo, indivíduos com doenças mentais ou pré-disposições podem ser particularmente mais vulneráveis ​​aos efeitos de pânico e ameaça generalizados.

Médicos e profissionais de saúde também estão trabalhando no limite da saúde mental durante essa pandemia. Além, de ser o grupo de maior exposição ao vírus, uma das tarefas mais difíceis desses profissionais talvez seja providenciar a despedida dos familiares que perderam a vida para a doença. Ninguém mais pode mais fazer isso pessoalmente devido ao risco de contágio.

Um aliado no combate a toda essa ansiedade que a pandemia está trazendo, mas ainda pouco debatido é o canabidiol. A substância tem propriedades ansiolíticas comprovadas e resultados positivos em pacientes com problemas psicológicos, como depressão e transtorno de estresse pós-traumático. 

Para discutir como manter a saúde mental em tempos de Covid-19 e como a medicina canabinoide pode ajudar, a healthtech de Cannabis medicinal CanTera, empresa do grupo OnixCann, irá promover no dia 23 de abril, às 19h30, um webinário com a presença de dois médicos especializados no tema, os doutores Wilson Lessa e Cristiano Fernandes.

Lessa é psiquiatra, professor da Universidade Federal de Roraima, diretor científico da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis e membro da Society of Cannabis Clinicians (SCC) e da International Cannabinoid Research Society (ICRS). Já o Dr. Cristiano é mestre em Genética e Bioquímica pela Universidade Federal de Uberlândia, hematologista do Centro de Combate ao Câncer de SP e diretor médico da OnixCann.

O webinar é gratuito e será transmitido através de um link encaminhado aos inscritos. Para isso, basta preencher este formulário. As vagas são limitadas. O evento online irá discutir:

  1. – Aspectos psicológicos do confinamento
  2. – Como manter a saúde mental durante o isolamento?
  3. – Qual o impacto desse cenário na vida dos médicos e profissionais de saúde?
  4. – Quais os impactos desse cenário de reclusão na vida dos pacientes que sofrem com PTSD, ansiedade, stress? 
  5. – Qual o impacto no acesso aos produtos à base de cannabis medicinal? 
  6. – Quais alternativas para lidarem melhor com isso?
  7. – O que tudo isso tem a ver com cannabis medicinal

“Nosso convite é para que você participe deste webinar ‘Saúde Mental em Tempos de Coronavirús, porque entendemos que a saúde mental, na atual situação, é tão importante quanto os cuidados físicos”, convida Jaime Ozi, vice-presidente de negócios da Onix Cann.

“Cannabis é essencialmente um fitoterápico que atua em três importantes sistemas, na dor, sono e humor com neuro-receptores espalhados em todo corpo. Uma parte considerável das pessoas hoje busca soluções naturais para sua saúde e tem a oportunidade de tratamento seguro e com poucos efeitos colaterais a base da planta”.

Nos Estados Unidos, pesquisadores investigaram produtos vendidos em lugares incomuns, como supermercados, postos de gasolina e lojas especializadas em Cannabis. Em todos eles, havia produtos com quantidade de CBD inferior ao indicado na embalagem

Danilo Lacalle 

Óleos de Cannabis são tão comuns em alguns estados americanos que até postos de gasolina e supermercados vendem os produtos. Uma pesquisa, no entanto, mostrou que a quantidade de Canabidiol indicada no rótulo nem sempre corresponde à realidade. Principalmente quando vendidas em lugares incomuns.

Mas, para piorar, nem mesmo as lojas especializadas em produtos de Cannabis passaram pelo teste de qualidade dos pesquisadores.

Ainda que por aqui ainda não seja tão fácil assim adquirir óleos – produtos à base de Cannabis podem ser vendidos apenas em farmácias -, o estudo serve de alerta aos brasileiros. É preciso sempre ficar de olho nos rótulos e nos fabricantes.

Fora do padrão

Para conduzir o estudo, os pesquisadores compraram 15 tipos de produtos com canabidiol de vários pontos, no sul da Flórida. A lista incluiu produtos tópicos (pomadas e cremes), comestíveis e bebidas com infusão, com diferentes preços.

E foram comprados em diferentes lugares: supermercados, lojas de Cannabis e postos de gasolina. Os produtos foram testados quanto ao conteúdo de CBD pela SC Labs, na Califórnia. E os resultados, comparados com a potência rotulada dos produtos.

Os produtos adquiridos em postos de gasolina norte-americanos apresentaram a maior variação entre a potência rotulada e os resultados do laboratório. Isso porque forneceram apenas 40% do CBD listado na embalagem. 60% dos itens comprados nesses postos não tinham CBD.

A potência dos itens comprados nas lojas de CBD também ficou aquém do conteúdo anunciado de canabidiol, com apenas 83%, em média, do CBD indicado no rótulo.

Os produtos comprados em supermercados eram consistentemente mais potentes do que os comprados em postos de gasolina e varejistas específicos para CBD. Na verdade, eles eram mais potentes do que o anunciado, fornecendo 136% da quantidade rotulada de CBD, em média.

Os pesquisadores também observaram tendências na variação de potência do CBD relacionadas ao tipo de produto e preço. Os tópicos foram os mais confiáveis, com 40% da potência anunciada, 40% contendo mais CBD do que o indicado e 20% com menos.

Três quartos dos produtos comestíveis tinham menos CBD do que o que fora rotulado. E o restante, era mais potente do que o anunciado. As bebidas infundidas com CBD foram as menos confiáveis: com 75% sem CBD e os 25% restantes mostrando menos do que a quantidade indicada, em testes de laboratório.

Análise de canabidiol por preço

Por preço, os produtos que 5 dólares ou menos, ficaram aquém do confiável, com metade contendo CBD não detectável e o restante contendo menos do que o anunciado.

Metade dos produtos na faixa de 10 a 15 dólares, continham menos CBD do que o anunciado. Um quarto possuía mais canabidiol do que o indicado e os 25% restantes eram como anunciados, definidos como contendo de 90% a 110% da quantidade rotulada de CBD.

Dos produtos que custavam 20 dólares ou mais, analisados pela pesquisa,  40% tiveram menos CBD do que o valor rotulado, outros 40% tiveram mais e 20% estavam de acordo com a embalagem.

A importância de pesquisar

Embora o tamanho da amostra tenha sido pequena, o estudo do CBD Awareness Project traz uma luz sobre a variação que pode existir entre o conteúdo de CBD de um produto e sua potência anunciada. Para aproveitar ao máximo sua compra, a Meadows sugere que os consumidores levem em conta que tipo de produto estão comprando e de quem o estão comprando.

“Deve-se pesquisar as marcas e tentar comprar CBD de uma fonte respeitável”, disse ele. “Como regra geral, não compre CBD em um posto de gasolina ou de lugares pouco confiávis, se estiver realmente procurando os benefícios de saúde do CBD.”

Não faltam opções marcas e tipos de óleo no exterior. Difícil é saber qual vale a pena. Para facilitar, separamos seis informações importantes.

Guilherme Dias 

Os óleos de Cannabis se popularizaram com o alto crescimento no mercado mundial no último ano. Mas esse sucesso todo ainda não alcançou o Brasil. Por aqui, os pacientes só têm duas opções de aquisição. Ou compram da Abrace, única associação com o aval da Justiça para cultivo e produção, ou importam, mediante autorização da Anvisa. Caso contrário, partem para o plantio individual, com ou sem aval da Justiça, ou até mesmo o mercado clandestino.

O cenário deve mudar, já que a Anvisa, enfim, regulamentou a venda de Cannabis medicinal em dezembro de 2019. Desde o início de março, as empresas interessadas em produzir óleo no país podem entrar com pedido na Anvisa para colocá-los à venda.

Mas até os produtos nacionais – ou mesmo os importados – chegarem às farmácias leva um tempo.

Enquanto essa realidade não chega, o caminho mais rápido ainda é a importação. Existem alguns sites que disponibilizam a compra online, mediante prescrição médica. Mas aí aparece o dilema: como saber qual óleo comprar? De qual marca? O Cannabis & Saúde vai te ajudar. Listamos a seguir seis dicas que você precisa saber antes de comprar qualquer produto à base de CBD.

1. Veja se o óleo foi testado por terceiros

É importante saber se o produto foi testado por mais de um laboratório – e não apenas o da empresa envolvida na produção. Procure pelos relatórios de qualidade disponíveis no site do produto.

Essas análises mostram a concentração de cada canabinoide no produto. Assim, você pode conferir se o produto cumpre com o prometido. Ou seja, se tem mesmo a quantidade de CBD ou THC prometida. Vale lembrar: a Anvisa restringiu a venda de produtos com concentração de THC superior a 0,2%.

A ausência desses documentos pode significar algumas coisas. Ou as concentrações dessas substâncias estavam abaixo ou acima daquele anunciado previamente pela empresa. Ou eles simplesmente esqueceram de publicá-los.

Nesses casos, melhor recorrer a produtos de outras marcas.

Mas também não vale o aval de qualquer laboratório. Confira se a análise vem de um estabelecimento credenciado pela Organização Internacional de Normalização (ISO). Isso significa que o laboratório atende a certos padrões e opera sob as diretrizes aprovadas e monitoradas pelo órgão.

Atente-se também para a data da análise. Se passar de doze meses, nem leve a sério. A análise precisa ser constantemente revista.

Alguns laboratórios realizam as análises, mas nem sempre disponibilizam na internet. No Brasil, o médico prescritor pode solicitar ao laboratório as análises para confirmar a veracidade das informações, uma vez que é o médico que prescreve o produto ao paciente.

2. Confira os ingredientes

Os ingredientes estão listados no rótulo. Se você ainda não está familiarizado com eles, basta fazer uma pesquisa rápida na internet para saber os possíveis efeitos colaterais.

Opte pelos ingredientes orgânicos e naturais ou por produtos com ingredientes extras que aumentam os benefícios do medicamento. Por exemplo: alguns óleos podem vir com uma dose de vitamina B12 para aumentar o efeito analgésico, ácidos ômega, dentre outros.

Se o fabricante disponibilizar a lista de terpenos presentes no óleo, melhor ainda. Cada um desses cheiros da Cannabis (saiba mais aqui) pode trazer diferentes benefícios ao organismo.

3. Prefira produtos orgânicos

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Nada é melhor do que um óleo orgânico. Por razões óbvias: a baixa concentração de metais pesados vindos de agrotóxicos e de solos contaminados. Existem selos de comprovação do cultivo orgânico das plantas – busque por eles nos sites das empresas. Um dos exemplos pode ser o Certificado GMP (Good Manufacturing Practices).

Saber como o cânhamo foi originado e cultivado faz toda a diferença para a qualidade do óleo de CBD.

4. Atente-se ao tipo de óleo

Há uma variedade larga de óleos no mercado estrangeiro. Alguns produtos vem com apenas um canabinoide isolado ou com uma quantidade ínfima de outro – pode ser majoritariamente composto por CBD, CBC, THC ou CBG (veja aqui os tipos de canabinoides).

Ou podem vir com uma série de canabinoides – é o que chama de full spectrum. Ou seja, vem com todos os componentes da planta, incluindo os terpenos, citados acima. Esses têm uma vantagem: passam por menos processos. E, com tantos componentes, podem potencializar o efeito do medicamento (o famoso “efeito entourage”).

5. Veja se o preço vale a pena

A regra é a mesma para outros produtos: pesquise para saber se o valor de mercado é mesmo aquele. Importante! Compare somente produtos semelhantes, com as mesmas concentrações de canabinoides, e veja se os preços batem. Mas, vale lembrar do item anterior, confira exatamente quais os ingredientes. Afinal, produtos premium podem ter mesmo valores mais altos. Atente-se ainda aos valores do frete.

Para comparar valores de produtos similares, você deve dividir o valor pela quantidade de miligramas (mg) total do produto R$/mg.

Como as prescrições em sua grande maioria são em gotas, você também pode fazer o comparativo dividindo o valor pela quantidade de mililitro (ml). R$/ml.

E, se quiser, pode ainda verificar qual a quantidade de gotas que o produto possui e por quanto tempo irá durar o produto conforme recomendação de uso que consta na prescrição médica. Em média, 1 ml de óleo de CBD corresponde a 20 gotas.

6. Confira a reputação da marca

Consumidor satisfeito elogia nas redes sociais. Por outro lado, consumidor insatisfeito reclama muito nas caixas de comentários. Dê uma conferida nos comentários deixados nas páginas das redes sociais de cada marca.

Outra forma de conferir é se o laboratório, fabricante dos produtos possui em seu site certificados de qualidade, bem como outras certificações e prêmios que também garantam um bom produto.

E por fim, para óleos de CBD produzidos nos Brasil, sugerimos também que procure realizar o checklist dos 6 itens acima, afinal vale a máxima: com a saúde, não se brinca.