Ainda que o risco seja baixo, a resposta é sim. Como todas as plantas no mundo, a cannabis também pode provocar alergia.

Denise Tamer 

Na última década, um número crescente de estudos sobre casos de alergias associados à cannabis surgiram nas publicações. O crescimento é uma consequência natural da popularização do uso da cannabis com objetivos medicinais ou sociais. É o que indica o alergista, e professor americano da Universidade do Colorado, William Silvers, em estudo intitulado “A experiência de um alergista do Colorado com a legalização da maconha”.

Silvers defende que “embora a Cannabis sativa pareça ser um alérgeno leve, o aumento à exposição no local de trabalho em conjunto com maior uso recreativo provavelmente resultará em efeitos relacionados à saúde e que os alergistas precisam estar profundamente cientes e entender como gerenciar e tratar”.

Logo, a cannabis pode causar nas pessoas reações alérgicas, assim como muitas outras plantas e pólens.

Confira abaixo os sintomas, riscos e prevenções a alergias causadas pelo uso social e medicinal da cannabis  especificamente do óleo de CBD.

Alergia ao CBD

Atualmente há evidências científicas que comprovam os benefícios do canabidiol (CBD) no organismo. Além de melhorar o sistema imunológico, o CBD é um eficiente analgésico, e pode ser usado em tratamentos de diferentes doenças como câncerfibromialgiaepilepsia e Parkinson.

Pesquisas sugerem que, embora o uso a longo prazo e doses de até 1.500 miligramas por dia possam ser toleradas, algumas reações adversas foram observadas nos pacientes: sonolência, boca seca, interações com outros medicamentos, tontura e baixa pressão sanguínea.

Já o estudo alemão chamado “Uma atualização sobre a segurança e os efeitos colaterais do canabidiol”, destaca o perfil positivo do uso do CBD, principalmente para o tratamento de epilepsia e distúrbios psicóticos. O estudo de 2017 também afirma que “o CBD apresenta um melhor perfil de efeitos colaterais”, porém conclui que é imprescindível ainda mais estudos sobre o CBD.

Para pessoas que usam o CBD como tratamento tópico para doenças na pele ou dores, a alergia concentra-se em reações como irritações. Por ser de uso tópico, alguns pacientes podem notar uma erupção cutânea ou uma urticária. A prevenção é simples: fazer um teste de toque em uma pequena região da pele antes do uso.

Alergia à maconha

Os apreciadores da maconha devem estar atentos aos seguintes sintomas que podem indicar alergia à planta: tosse seca, congestão nasal, coceira nos olhos, náusea, olhos vermelhos, olhos com coceira ou lacrimejamento acentuado. Além disso, o manuseio também pode apresentar uma reação alérgica da pele, como o aparecimento de bolhas, de pele seca, vermelha, inflamada, ou ainda coceira intensa.

É menos comum, mas a maconha também pode causar uma grave reação alérgica: a anafilaxia. É preciso estar atento, pois esta reação pode colocar a vida em risco e ocorrer segundos ou minutos após a exposição a um alérgeno.

Para que os sintomas não fiquem piores, quem percebe estas alergias à maconha deve parar, ou ao menos diminuir, com o uso recreativo da planta.

Grãos são ricos em proteínas, ômega e minerais e podem ser usados como acompanhamento de granola, vitaminas ou saladas. Saiba tudo sobre o uso alimentar – e milenar – das sementes de Cannabis.

Carol Castro 

Tem sabor de nozes, quase semelhante às sementes de girassol. Mas um pouco mais macias. Nos Estados Unidos, já teve quem vendesse, entre os anos 1990 e começo dos anos 2000, hamburguer vegetariano à base de soja e sementes de maconha – era o Tempeh Burguer. A moda caiu, a fábrica cessou as vendas.

Mas o potencial nutricional dessas sementes, conhecido há milênios no oriente, nunca se perdeu. Pelo contrário: em alguns países, consumir sementes descascadas de Cannabis, com frutas, como se fossem cereais, ou em saladas parece tão em alta quanto usar sementes de chia ou linhaça ou tomar vitamina com whey.

Não que as sementes sejam capazes de deixar alguém chapado. O THC presente nelas quase nem aparece quando examinado nas bancas dos laboratórios – a porcentagem na composição passa bem longe dos 0,1%. Ao menos é o que se espera.

Um estudo canadense mostrou que alguns desses produtos têm sofrido contaminação ao longo do processo, já que as fabricantes trabalham também com óleos medicinais de CBD e THC, e apresentando mais THC do que o permitido pela lei de lá. Nada que um cuidado maior com a limpeza, com o uso de etanol ou outros solventes antes do empacotamento, não resolva, segundo os próprios pesquisadores. De qualquer forma, ninguém consome semente de Cannabis para ficar doido. A onda das sementes é outra: proteínas.

Composição das Sementes

E não são poucas – as sementes têm até 30% de proteínas em sua composição. Quando retiradas as cascas, como deve ser preparada para o consumo, esse percentual sobe para 35,9%. Na prática, se você consumir 100 gramas dessa semente, terá atingido 63% da recomendação de consumo diário de proteína. Fora isso, ainda terá ingerido outras vitaminas e minerais essenciais, como zinco, manganês, cálcio e ferro.

“É extremamente nutritiva e tem sido negligenciada. O óleo poderia ser usado na salada, e a semente em si pode ser consumida como se fosse granola. É um alimento funcional”, explica a médica Carolina Nocetti, fundadora da InterCan (International Cannabis Academy), centro de educação sobre sistema endocanabinoide e Cannabis medicinal. “E ainda tem uma grande concentração de ômega”.

Tem mesmo – em proporções diferentes de outras sementes da moda, como linhaça e chia. Para se ter ideia, cada duas ou três colheres de sopa (cerca de 30 gramas) de sementes de Cannabis têm 6,6 gramas de ômega-6 e 2 gramas de ômega-3, enquanto a chia possui 1,6g, e 4,9g e respectivamente. E a grande vantagem dessas gorduras “do bem” é que ajudam a manter a saúde do coração.

Não só os ômegas atuam dessa maneira. Um dos aminoácidos, que são como blocos que formam as proteínas, presentes na semente de Cannabis o mais comum é a argimina.

“É um precursor do ácido nítrico, um agente vaso dilatador que melhora o fluxo sanguíneo, e contribui com a manutenção normal da pressão sanguínea”, diz este estudo chinês.

Fora esses benefícios, o estudo ainda menciona outros potenciais efeitos do consumo desse alimento: antioxidante, antihipertensivo, e controle e regulação do nível de açúcar no organismo. Ou seja: sementes de cânhamo não chama a atenção à toa. E poderia ser parte da nossa dieta.